Acordo Brasil-União Europeia destaca reputação do agro em debate na ABMRA

Por Jonathan da Silva

O acordo entre Brasil e União Europeia foi tema central de encontro realizado pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) nesta sexta-feira (27), no ABMRA Ideia Café, que reuniu representantes do setor para discutir como a comunicação pode ampliar oportunidades comerciais e fortalecer a reputação do agronegócio brasileiro no mercado europeu. O debate abordou as exigências regulatórias do bloco, a necessidade de transformar dados em estratégia de imagem e o potencial de recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas como ativo na inserção internacional do país.

Convidado do evento, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, destacou que a União Europeia reúne cerca de 450 milhões de consumidores, tem Produto Interno Bruto estimado em aproximadamente US$ 20 trilhões e responde por cerca de 14% das importações globais de produtos agropecuários. Segundo ele, para o Brasil, que exporta para mais de 190 países, trata-se de um mercado estratégico pelo volume e pela influência nas regras do comércio internacional. “A União Europeia é um mercado extremamente relevante, não só pelo tamanho, mas pelo poder aquisitivo e pelo grau de exigência regulatória”, afirmou Rua. De acordo com o secretário, o acordo amplia previsibilidade, reduz tarifas de forma gradual e fortalece a inserção do Brasil em ambiente comercial mais estável.

Estratégia de reputação

O secretário ressaltou que o tratado não altera os critérios sanitários já adotados pelo país. “O acordo não muda absolutamente nada em termos de exigência sanitária. Nós já exportamos para a União Europeia há mais de 40 anos cumprindo todos os padrões exigidos”, destacou Rua, que defendeu que a estratégia de reputação deve ser sustentada por dados. “A gente não vai construir uma mensagem a partir de um PowerPoint bonito. Vamos construir mostrando, ao longo do tempo, desconstruindo primeiro uma imagem errônea sobre o Brasil e qualificando esse discurso com dados concretos”, afirmou Rua.

Entre os dados mencionados está o potencial de recuperação de cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, área superior aos 36 milhões de hectares do território da Alemanha, segundo citado no encontro. A ampliação da produção sem abertura de novas áreas agrícolas foi apresentada como argumento para demonstrar possibilidade de crescimento com base em eficiência e sustentabilidade.

Responsabilidade do setor

O presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro, Ricardo Nicodemos, avaliou que o acordo amplia a exposição internacional do agronegócio e reforça a responsabilidade do setor na construção de imagem. “O Brasil precisa assumir a liderança na construção da sua reputação no exterior. Temos escala, tecnologia e resultados concretos. Transformar isso em narrativa estratégica é essencial para ampliar mercados”, afirmou Nicodemos.

Durante o encontro, foi destacado que o processo de ratificação do acordo ainda depende de trâmites políticos nos países europeus, o que, segundo os participantes, reforça a necessidade de manutenção de diálogo técnico e institucional com o bloco.

O que é a ABMRA

A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro é entidade voltada ao marketing e à comunicação do agronegócio. Atua há quase 50 anos na disseminação de práticas de comunicação no setor e reúne indústrias, agências e veículos de mídia ligados à cadeia produtiva do agro.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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