O Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, realizou, no mês passado, a primeira cirurgia de alongamento ósseo no Rio Grande do Sul com o uso de uma haste motorizada totalmente interna, tecnologia recentemente liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O procedimento marca a introdução no estado de uma alternativa ao método tradicional com fixadores externos, com o objetivo de tratar deformidades e discrepâncias no comprimento dos membros.
A cirurgia foi realizada em uma paciente de 14 anos diagnosticada com Osteocondromatose Múltipla Hereditária, condição genética caracterizada pela formação de tumores ósseos benignos que podem causar deformidades e alterações no crescimento. No caso atendido pelo hospital, a paciente apresentava encurtamento da tíbia direita associado a uma leve deformidade óssea.
Tecnologia utilizada
O procedimento envolveu a correção da deformidade e a implantação de uma haste de alongamento ósseo motorizada na tíbia. O dispositivo funciona por meio de um motor interno, permitindo o alongamento gradual do osso a partir de um controle externo que encosta na pele. O processo ocorre de forma progressiva e controlada ao longo do tempo, conforme o planejamento médico.
De acordo com o médico ortopedista Dr. Bruno Antunes, integrante do Serviço de Ortopedia do Hospital Moinhos de Vento e responsável pelo caso, a tecnologia representa uma mudança na forma como o alongamento ósseo é realizado. “Estamos falando de uma verdadeira revolução. Essa é a única haste desse tipo disponível no Brasil atualmente, e ela permite que todo o processo de alongamento seja feito internamente, sem estruturas externas, o que traz ganhos expressivos em conforto, segurança e qualidade de vida para o paciente”, afirmou Antunes.
Aplicação clínica
Segundo o médico, a haste possibilita o alongamento ósseo sem o uso de fixadores externos, tradicionalmente empregados nesses procedimentos. “A grande vantagem dessa haste é permitir o alongamento ósseo de forma totalmente interna, sem o uso de fixadores externos. O processo é controlado por um sistema de indução, semelhante a um carregador de celular, em que um transdutor posicionado sob a pele recebe energia de um controle externo e promove o alongamento de maneira gradual e precisa, conforme a prescrição médica. No caso desta paciente, conseguimos corrigir a deformidade e iniciar o alongamento com menor impacto na rotina, favorecendo a reabilitação e a adesão ao tratamento”, explicou Antunes.
Comparação com métodos tradicionais
Tradicionalmente, as cirurgias de alongamento ósseo utilizam fixadores externos que permanecem visíveis durante todo o tratamento. De acordo com o hospital, esses dispositivos podem causar limitações funcionais, desconforto, dor na inserção dos pinos e maior risco de infecções. Com a haste interna motorizada, esses fatores são reduzidos, uma vez que todo o sistema permanece implantado no interior do osso.
Referência em alta complexidade
Para o chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Moinhos de Vento, Dr. Carlos Roberto Galia, a realização da cirurgia inédita reforça a atuação da instituição em procedimentos de alta complexidade. “A incorporação dessa tecnologia demonstra nosso compromisso com a inovação e com a oferta de tratamentos de ponta, sempre com foco em melhores desfechos clínicos e na experiência do paciente”, ressaltou Galia.


