Com o objetivo de fortalecer a governança e assegurar a continuidade das empresas familiares, o Sistema FIERGS, por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS) e do Conselho de Desenvolvimento de Lideranças (Conlider), realizou nesta quarta-feira (13), na sede da Federação, a etapa inaugural da Jornada de Sucessão Empresarial. O encontro, batizado de Embarque, marca a primeira edição do projeto em solo gaúcho. Industriais estiveram presentes para debater práticas de gestão, retenção de talentos e compartilhar experiências.
A iniciativa é uma realização nacional do IEL, em parceria com o Movimento Novos Líderes Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Cambridge Family Enterprise Group e a Academia de Negócios da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).
Dados do estudo Empreendedorismo Industrial – O perfil dos novos líderes, do Observatório Nacional da Indústria e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), apontam que apenas 5% das empresas familiares brasileiras chegam à terceira geração. O projeto Jornada de Sucessão Empresarial surge com o objetivo de oferecer ferramentas e estratégias que buscam garantir a longevidade dos negócios, com foco na capacitação de lideranças para enfrentar os desafios de um cenário econômico cada vez mais competitivo.
Na abertura do encontro, o coordenador do Conlider, Ubiratã Rezler, destacou que a sucessão bem planejada é vital para a perenidade dos negócios. Ele ressaltou a importância de reter talentos e valorizar a “prata da casa”, garantindo que sucessores e sucedidos estejam abertos às informações e experiências compartilhadas durante a jornada. “Os empresários que estão aqui, sucessores e sucedidos, precisam estar abertos ao que será discutido hoje para fazer a diferença em suas empresas”, afirmou, reconhecendo que o tópico sucessão é muitas vezes visto como tabu.
A diretora-geral do Sesi-RS, Senai-RS e IEL-RS, Susana Kakuta, convidou os participantes a refletirem sobre o significado de “suceder” e sobre como a sucessão está diretamente ligada à competitividade da indústria. Ela reforçou a necessidade de modernizar o setor e atrair as novas gerações para dentro das indústrias. “Para aumentar a competitividade, é essencial reter os talentos da nossa indústria”, destacou.
Já a coordenadora de Carreiras e Educação Executiva do IEL Nacional, Carolina Faust, reforçou que a iniciativa é parte da estratégia nacional do Instituto de fortalecer a governança e a perenidade das empresas. “Estamos tangibilizando a necessidade de trabalhar a continuidade dos negócios, pois isso impacta diretamente no desenvolvimento industrial”, disse.
Momento de trocas e inspirações
A sócia-fundadora da Abrir-se – Consultoria em Governança, Daniela Teixeira, foi a facilitadora deste primeiro encontro. Especialista em governança familiar, ela conduziu atividades voltadas à reflexão sobre os diferentes processos de sucessão, destacando que “a beleza da governança não é ela em si, mas o processo que leva até ela. Cada família tem seu processo, cada família tem seus desafios e oportunidades.”
Daniela reforçou que, mais importante do que formar herdeiros é preparar acionistas conscientes, capazes de contribuir positivamente para o negócio mesmo sem atuar diretamente na gestão. Ela explicou que a governança deve se apoiar nos três eixos: familiar, societário e corporativo, e que também é essencial ter uma base de valores fortes e compartilhados para promover a perenidade.


