O sexto mês após a imposição de tarifas adicionais de importação pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros foi marcado por uma queda de 39,5% nas exportações da indústria do Rio Grande do Sul para os EUA. De acordo com o levantamento do Sistema FIERGS, divulgada nesta quinta-feira (19), os embarques de janeiro totalizaram US$ 85,5 milhões, o que representa uma redução de US$ 56 milhões na comparação com janeiro de 2025. Trata-se da sexta retração interanual consecutiva. No acumulado desses seis meses, as exportações para os EUA somaram US$ 583,6 milhões. O valor é US$ 347,7 milhões inferior ao registrado nos seis meses equivalentes de 2025, o que corresponde a uma queda de 37,3%.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a manutenção das tarifas tem impacto direto sobre a produção, os investimentos e a geração de emprego e renda. “Precisamos retomar as negociações bilaterais com os Estados Unidos para minimizar ou eliminar os efeitos das taxações. O setor industrial segue fortemente afetado, especialmente no Rio Grande do Sul, que possui perfil exportador. Há empresas muito comprometidas”, avaliou. A federação encaminhou cartas ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, reforçando a necessidade de concentrar esforços na pauta.
Entre os segmentos exportadores, o que mais embarcou para os Estados Unidos em janeiro foi o de Máquinas e materiais elétricos, que somou US$ 19,5 milhões. Apesar de liderar, o setor registrou queda de US$ 5,9 milhões, equivalente a 23,1%, em relação ao mesmo mês de 2025. Na sequência aparece o segmento de Alimentos, com US$ 10,1 milhões exportados, resultado US$ 5 milhões inferior ao do ano anterior, uma retração de 33,3%. Ao analisar a variação mensal por segmento, os maiores impactos negativos vieram de Tabaco, responsável por uma contribuição negativa de 6,6 pontos percentuais e retração de 54,2%; Químicos, com impacto de 4,9 pontos percentuais e queda de 88,7%; Máquinas e equipamentos, que contribuíram com menos 4,6 pontos percentuais e recuaram 61,6%; e Máquinas e materiais elétricos, com impacto negativo de 4,1 pontos percentuais e redução de 23,1%.
Exportações gerais
No primeiro mês de 2026, os embarques gerais da Indústria de Transformação do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 1,2 bilhão. Em comparação com janeiro de 2025, houve retração de US$ 164,3 milhões, o que representa queda de 12%. Janeiro deste ano teve um dia útil a menos, e o chamado efeito-calendário exerceu pressão negativa de 4,5% sobre o resultado. Ainda assim, mesmo ao considerar a média por dia útil, a receita recuou 7,8%. Em termos de volume embarcado por dia útil, a queda foi ainda mais expressiva, de 16,3%, apesar da elevação de 10,1% nos preços de venda.
Apenas seis dos 23 segmentos exportadores registraram expansão nas vendas. O segmento de Alimentos faturou US$ 460,1 milhões com exportações em janeiro de 2026, um aumento de US$ 133,4 milhões em relação ao mesmo período de 2025, equivalente a um crescimento de 40,7%. Já o segmento de Tabaco somou US$ 216,7 milhões em vendas externas no mês, valor US$ 188,4 milhões inferior ao de janeiro do ano anterior (-46,5%), resultado influenciado pela base elevada de janeiro de 2025, inflada por embarques atípicos e envios atrasados da safra 2024.


