O Sebrae RS mantém uma agenda de iniciativas voltadas à conexão entre startups, empresas, universidades, centros de pesquisa, investidores e poder público para desenvolver soluções e oportunidades na cadeia de alimentos e bebidas. Por meio do projeto FoodTech RS, a entidade promove ações de desenvolvimento, inovação e acesso a mercado, entre elas o Programa de Desenvolvimento e Acesso a Mercado para Foodtechs Gaúchas, iniciado em 2 de setembro, e o FoodTech Summit, que terá sua terceira edição no dia 6 de outubro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
A proposta é aproximar empresas que possuem demandas no setor de alimentos e bebidas de organizações e empreendedores que desenvolvem conhecimento e tecnologia. A agenda inclui atividades de informação, desenvolvimento, conexão e acesso a mercado, com iniciativas realizadas ao longo do ano.
Para a analista de Inovação do Sebrae RS e gestora do projeto FoodTech RS, Claudia Kuhn, a atuação passou a incluir ações permanentes além dos eventos. “Um dos principais progressos que observamos é a transição de uma agenda pontual de evento para uma agenda permanente de conexão, informação e reflexão sobre o presente e o futuro da cadeia de alimentos e bebidas. O FoodTech RS vem ampliando sua governança e estimulando iniciativas que se mantêm além do Summit, criando condições para novas conexões, oportunidades de inovação e negócios”, afirma Claudia.
Conexão entre empresas e startups
Segundo Claudia, a aproximação entre empresas tradicionais e startups ainda envolve diferenças relacionadas a culturas organizacionais, processos, velocidade de decisão e níveis de maturidade. O projeto busca aproximar essas empresas de universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e empreendedores ligados à ciência e à tecnologia. “O papel do FoodTech RS é ajudar a criar pontes entre esses mundos, aproximando demandas reais de soluções inovadoras e estimulando relações que possam evoluir para parcerias, testes, negócios e desenvolvimento tecnológico”, explica a gestora.
Entre as transformações que afetam a cadeia de alimentos e bebidas estão o uso de inteligência artificial e dados, automação, desenvolvimento de novos ingredientes e proteínas, biotecnologia, sustentabilidade, rastreabilidade, novos modelos de produção e mudanças no comportamento do consumidor. O projeto busca relacionar essas tendências às necessidades dos negócios.
Programa reúne nove empresas
O Programa de Desenvolvimento e Acesso a Mercado para Foodtechs Gaúchas começou em 2 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. A iniciativa foi criada para apoiar foodtechs gaúchas na transformação de suas soluções em propostas de valor relacionadas às necessidades do mercado.
O programa trabalha temas como posicionamento, estratégia comercial, validação de mercado e conexão com potenciais clientes e parceiros. A condução é da consultora do Sebrae RS e fundadora da Inovali Consultoria, Aline Jansen, doutora em Administração pela UFRGS e com experiência em inovação e desenvolvimento de startups.
A programação contou com palestra do biólogo, fundador e CEO da Regenera Moléculas do Mar, Mario Frota Junior. A partir da experiência da empresa, criada com base em pesquisas sobre a biodiversidade marinha brasileira, ele compartilhou com as participantes aprendizados relacionados aos caminhos entre pesquisa científica, inovação e desenvolvimento de negócios.
Mais de 40 empresas se inscreveram no programa, e nove foram selecionadas. Elas atuam em diferentes áreas da cadeia de alimentos e bebidas.
A Fermenta Biotecnologia desenvolve fermentos nacionais a partir de bactérias brasileiras para a produção de queijos. A Bioplix trabalha com revestimentos pós-colheita biodegradáveis para prolongar a vida útil de frutas e reduzir perdas. A Agrega Biotec utiliza sequenciamento de DNA e bioinformática para apoiar o controle microbiológico e a segurança dos alimentos.
Na área de monitoramento e conservação, a ColdTag combina sensores, internet das coisas (IoT), inteligência artificial e modelos preditivos para acompanhar a cadeia do frio e as condições de produtos perecíveis. A BioAddera desenvolve ingredientes e insumos biotecnológicos naturais para a indústria.
A Ybynsect e a Nuinset trabalham com soluções baseadas em insetos, principalmente para a produção de ingredientes destinados à nutrição animal.
A Verde Acqua atua no aproveitamento de recursos e sustentabilidade, transformando resíduos agroindustriais em extratos orgânicos e bioinsumos. Já a TerraMares Ambiental desenvolve tecnologias baseadas em microalgas e cianobactérias para aplicações no agronegócio, no saneamento e na indústria, além de participar de pesquisas relacionadas à produção de hidrogênio verde.
Próximas etapas do programa
Para o especialista em Competitividade Setorial do Sebrae RS, Roger Klafke, a aproximação das empresas com o mercado permite trabalhar a aplicação comercial do conhecimento e da tecnologia desenvolvidos no estado. “Conectar a capacidade produtiva do Estado ao conhecimento das universidades, à pesquisa científica e às foodtechs representa uma grande oportunidade para agregar valor à produção, reduzir perdas e dependências externas, desenvolver novos produtos e ampliar a competitividade da economia gaúcha”, destaca Klafke.
Nos próximos meses, as empresas participantes serão acompanhadas na priorização de desafios, na construção de estratégias comerciais e na geração de oportunidades com potenciais clientes e parceiros.
A jornada será encerrada em 3 de dezembro, às 14h, com um Demo Day na Arena Caldeira, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. O encontro será destinado à apresentação das soluções e dos resultados desenvolvidos pelas empresas ao longo do programa. “Essas empresas formam uma vitrine da capacidade gaúcha de transformar ciência em soluções concretas, agregar valor à produção e gerar tecnologias com potencial de inserção nos mercados brasileiro e internacional”, resume Klafke.
FoodTech Summit ocorre em outubro
O FoodTech Summit RS também integra a agenda do FoodTech RS. A terceira edição será realizada em 6 de outubro, a partir das 8h, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
O evento reunirá empresas, startups, universidades, centros de pesquisa, investidores, entidades e representantes do poder público. A programação abordará temas relacionados a inteligência artificial, biotecnologia, novos ingredientes e proteínas, sustentabilidade, inovação, tendências de consumo, investimentos e novos modelos de negócios.
Segundo Claudia Kuhn, o objetivo é reunir diferentes perspectivas sobre as transformações no setor. “A proposta é colocar diferentes perspectivas em diálogo e estimular uma reflexão sobre os caminhos que a cadeia de alimentos e bebidas precisa percorrer diante das rápidas transformações tecnológicas e de mercado”, afirma gestora.
A agenda do Sebrae RS busca relacionar as discussões e conexões realizadas nas atividades com oportunidades de desenvolvimento e negócios para empresas gaúchas. “O FoodTech RS tem justamente esse propósito: aproximar os diferentes atores e criar um ambiente em que conhecimento, tecnologia e mercado possam se encontrar. O Summit é uma importante plataforma para isso, mas faz parte de uma agenda muito maior, que busca gerar conexões e oportunidades ao longo de todo o ano”, conclui Claudia.


