Saúde, infraestrutura e qualificação profissional dominam debate do Força Gaúcha no Vale do Taquari

Por Marina Klein Telles

A saúde pública, os gargalos de infraestrutura e a necessidade de ampliar a qualificação profissional alinhada às vocações econômicas regionais estiveram entre os principais temas debatidos nesta quinta-feira (21), durante mais uma edição do projeto Força Gaúcha, realizada em Lajeado, no Vale do Taquari. O encontro reuniu lideranças empresariais, representantes de hospitais, cooperativas, entidades setoriais e gestores públicos para discutir prioridades da região e apresentar propostas que irão contribuir para a construção do plano de governo da aliança de centro-direita, liderada pelo pré-candidato ao Piratini, deputado federal Luciano Zucco.

“Estamos percorrendo o Estado para ouvir entidades setoriais e lideranças e buscar as melhores ideias para os problemas do Rio Grande do Sul. Não é um evento de discursos políticos, mas para entender as demandas e construir nosso plano de governo, que será apresentado ao longo de julho”, destacou o coordenador do plano de governo, Leonardo Pascoal, durante a abertura.

Ao longo da reunião, Zucco e a pré-candidata a vice, Silvana Covatti (Progressistas) reforçaram que pretendem manter um modelo permanente de diálogo com as comunidades. “Estamos aqui para escutá-los. É um projeto que queremos tornar permanente no nosso governo, ouvindo quem está na ponta. Sabemos que as realidades regionais são diferentes e temos recebido ideias muito relevantes. Faremos uma gestão eficiente, tratando as particularidades e valorizando as potencialidades de cada parte do Estado”, disse o deputado.

O pré-candidato ainda defendeu uma agenda voltada à retomada da competitividade do Rio Grande do Sul, baseada em investimentos em infraestrutura, desburocratização e fortalecimento da educação e da qualificação profissional. “Somos o estado que menos cresce há 20 anos. Precisamos mudar essa realidade. Para isso, temos que investir em infraestrutura logística, melhorar rodovias, ferrovias, energia e conectividade, mas também criar um ambiente mais favorável para quem produz e empreende. O governo precisa simplificar processos, dar segurança jurídica e apoiar quem gera emprego. Ao mesmo tempo, precisamos olhar para a educação e ampliar a qualificação profissional vinculada às vocações de cada região”, afirmou.

Assim como Zucco, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo), pré-candidato ao Senado pelo NOVO, ressaltou a importância de o Rio Grande do Sul ampliar sua força política em Brasília e construir uma representação alinhada às demandas da sociedade gaúcha. “Precisamos estar unidos para retomar o protagonismo do Rio Grande do Sul. Somos o único estado em que se canta o hino, amamos nossas tradições, mas não podemos viver apenas de bairrismo. Precisamos transformar isso em ações práticas”, afirmou. Marcel citou como exemplo negativo o fato de parlamentares de esquerda terem votado contra o perdão da dívida com o governo federal.

Políticas de Estado

Representando a Associação Comercial e Industrial de Lajeado (ACIL), o presidente Eduardo Brancher Gravina defendeu medidas estruturantes para melhorar o ambiente econômico do Estado. Entre os pontos, mencionou a redução da máquina pública, a valorização de políticas de Estado em vez de políticas de governo, a competitividade para manutenção das empresas no Rio Grande do Sul, a formação de um secretariado técnico e investimentos em educação. O dirigente também chamou atenção para escolas estaduais atingidas pelas enchentes que seguem com obras paradas.

A situação da saúde regional esteve entre os temas mais debatidos. O diretor executivo do Hospital Ouro Branco, de Teutônia, Gilson Silveira, e a vice-diretora administrativa do Hospital de Caridade Sant’Ana, de Bom Retiro do Sul, Tatiana Meirelles, alertaram para a defasagem da tabela SUS e o aumento dos custos enfrentados pelas instituições hospitalares. Tatiana destacou que atualmente 84% dos atendimentos do hospital são realizados via SUS e que o envelhecimento da população tem elevado as internações de longa permanência.

Gilson Silveira sugeriu a criação de uma política pública permanente para redução das filas e a adoção de um modelo semelhante ao SUS Paulista, que complementa os repasses federais para hospitais filantrópicos. Ao ouvir a proposta, Zucco lembrou da proximidade com o governador Tarcísio de Freitas e destacou que mantém contato frequente com o gestor para conhecer e se inspirar em iniciativas como essa.

Fim da contrapartida no PISEG

Na área da segurança pública, o advogado Dieres Kaefer Martins, presidente da Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública e representante da subseção da OAB, e o empresário Robison Gonzatti, presidente da Associação Amigos de Cristo de Encantado (AACE) e do Consepro, defenderam o fim da contrapartida obrigatória de 10% no Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (PISEG), para que as empresas não precisem mais desembolsar o valor adicional para destinar parte do ICMS à segurança pública.

Gonzatti também pediu melhorias na infraestrutura regional para evitar o isolamento de municípios em episódios como na enchente de 2024, além da retomada das ferrovias, melhorias em acessos turísticos e demais investimentos que potencializem atrativos como o Cristo Protetor de Encantado. Entre as demandas apresentadas, também esteve a implantação do serviço de hemodiálise no hospital do município.

Precariedade das rodovias

Os problemas de infraestrutura logística também dominaram os debates. Representantes da CIC de Teutônia, Diogo Dickel, vice-presidente da Indústria, e Lucas Leandro Brune, diretor de Serviços, além de Ângelo Fontana, presidente da CIC Vale do Taquari, citaram a precariedade das rodovias da região. Entre os principais pedidos estiveram melhorias em rodovias estaduais, o asfaltamento dos trechos restantes da Rota do Pão e Vinho, a construção de um anel viário entre Lajeado e Estrela e a retomada dos investimentos em ferrovias.

Qualificação profissional alinhada às regiões

A necessidade de ampliar a qualificação profissional alinhada às demandas regionais também apareceu entre as prioridades. O presidente da Cooperativa Languiru, Paulo Roberto Birck, foi uma das lideranças que defendeu a criação de políticas voltadas à sucessão familiar no campo e à formação técnica focada no agro e na cadeia da proteína animal, destacando que muitas pequenas propriedades dependem diretamente da atividade agropecuária. Birck ainda alertou para a crise da cadeia leiteira gaúcha, lembrando que mais de 50 mil produtores deixaram a atividade no estado somente na última década.

Ainda durante o encontro, o diretor-superintendente da Certel, Ilvo Edgar Poersch, pediu maior atenção à infraestrutura de energia elétrica no campo. Já o vice-prefeito de Lajeado, Guilherme Cé, defendeu que o governo estadual adote um modelo semelhante ao praticado no Vale do Taquari, baseado na escuta permanente das entidades regionais antes da tomada de decisões, além do fortalecimento das agências reguladoras para garantir qualidade e fiscalização adequada em futuras concessões públicas. O presidente da Câmara de Vereadores de Lajeado, Neco Santos, também destacou a necessidade de regionalização da gestão das consultas em saúde e de maior participação dos estados e municípios na divisão dos recursos arrecadados pela União.

Prevenção contra as cheias

Ao abordar as enchentes que atingiram o Vale do Taquari em 2023 e 2024 e as ações de reconstrução, Zucco defendeu que o Rio Grande do Sul avance em políticas permanentes de prevenção e mitigação de desastres climáticos. Segundo ele, o Estado precisa deixar de atuar apenas na reconstrução após as tragédias e investir em planejamento estratégico, fortalecimento da Defesa Civil e ações preventivas. “Precisamos mudar a forma como enxergamos as políticas públicas ligadas à prevenção de desastres climáticos. A lógica não pode ser apenas enxugar gelo no momento da tragédia. Não adianta gastar bilhões apenas reconstruindo e continuar repetindo os mesmos erros. A prevenção precisa ser tratada como política permanente”, afirmou.

Zucco também destacou que diferentes regiões exigem soluções específicas e defendeu que essas ações sejam estruturadas com base técnica e ouvindo especialistas. “Temos que olhar para toda a malha hídrica do Estado e entender que cada região exige um planejamento diferente. Em alguns locais cabem diques, em outros será necessário outro tipo de solução. O importante é construir uma política integrada de prevenção, preparação e mitigação”, completou.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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