Safra 2026 deve manter nível de contratações, com pequeno acréscimo no RS

Por Marina Klein Telles

A safra 2026 da indústria do tabaco deve manter um cenário de estabilidade nas contratações, com possibilidade de leve ampliação no número de trabalhadores temporários, especialmente no Vale do Rio Pardo. A avaliação é do presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentitabaco), Rangel Marcon, ao analisar o andamento da produção, o comportamento do mercado e as exigências operacionais das empresas para o próximo ciclo. Segundo ele, o setor chega à nova safra com volume plantado estável e foco crescente em qualidade, o que impacta diretamente o processamento industrial.

De acordo com o presidente, a safra passada ficou em torno de 720 mil toneladas e a projeção para 2026 indica manutenção desse patamar, com leve variação regional. O mercado externo segue como principal sustentação da cadeia produtiva, com exportações anuais próximas de US$ 3 bilhões. Esse cenário reforça a importância da indústria para a economia brasileira e para a geração de empregos diretos e indiretos ao longo de toda a cadeia, do campo à exportação. “A safra é estável em volume, mas o mercado está cada vez mais exigente. Isso demanda mais seleção, mais controle e mais tempo de processamento, o que pode ampliar a necessidade de pessoas no fim da linha de produção”, afirma.

No Vale do Rio Pardo, a estimativa é de 12 a 15 mil trabalhadores fixos nas indústrias do tabaco, além de 8 a 10 mil temporários durante a safra. Para 2026, a expectativa é de até 11 mil contratações temporárias, totalizando cerca de 25 mil trabalhadores envolvidos diretamente no setor na região durante o período. Já o tempo de contratação deve variar entre seis e oito meses, conforme a estratégia de cada empresa e a concentração de etapas do processamento industrial em Santa Cruz do Sul e municípios do entorno. “Algumas empresas concentraram processos aqui na região, o que pode alongar o período de safra industrial. Em média, falamos de seis meses, mas há casos em que esse prazo pode chegar a oito meses”, justifica.

Marcon também chama atenção para um desafio que vai além do tabaco e atinge diversos segmentos da economia. A escassez de mão de obra tem levado as empresas a buscar trabalhadores em outras regiões, ampliando o raio de recrutamento. Segundo ele, a Federação acompanha esse cenário de perto e atua junto aos sindicatos e empresas para garantir valorização salarial e condições que tornem o setor atrativo. “O trabalhador precisa ser valorizado. O que importa é o que ele leva para casa no fim do mês. A indústria do tabaco avançou em benefícios, gratificações e bônus, e isso é fruto de negociação e responsabilidade. Só assim conseguimos manter pessoas qualificadas e garantir a produção no país”, complementa.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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