O mercado de novos imóveis deve passar por um momento de valorização em 2026. Esta é a projeção de importantes agentes e entidades ligadas ao setor, como o Sinduscon-RS, que lançou, ainda no ano passado, a campanha “Imóvel Zero – Essa é a Chave”. Isso porque, neste início de ano, uma combinação rara de fatores sustenta um novo ciclo de valorização. Estoques reduzidos, ampliação de crédito imobiliário, mudança no perfil da demanda e até o ano eleitoral formam a base desse movimento.
Segundo a leitura do setor, os imóveis novos se beneficiam diretamente da virada do ciclo econômico. Após um período prolongado de juros elevados, o mercado começa a projetar uma trajetória de queda da taxa básica, o que historicamente provoca a retomada do crédito e a recomposição dos preços dos ativos reais. Nesse contexto, os lançamentos imobiliários costumam liderar os movimentos de valorização.
Dados recentes do Sinduscon-RS reforçam essa leitura. A pesquisa “Panorama do Mercado Imobiliário”, elaborada em parceria com a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a Órulo, aponta estabilidade nas vendas em 2025, com 4.225 unidades comercializadas, e manutenção do valor geral de vendas (VGV) em R$ 4,8 bilhões, indicando valorização dos preços médios. Os lançamentos cresceram 17,3% em unidades e tiveram aumento de 50% no VGV, refletindo a retomada gradual do mercado após a retenção observada em 2024 e a sinalização de queda dos juros.
Expectativas em ano eleitoral
“Normalmente, o mercado em ano de eleição acaba se movimentando. Existe o receio de as pessoas não se decidirem pela compra, mas, muitas vezes, pela própria polarização, independentemente do lado, elas acabam vendo no imóvel um porto seguro”, afirma Romeu Tomasetto, diretor da Tomasetto Engenharia, que aposta na valorização dos novos imóveis em 2026 com lançamentos recentes.
Um deles é o Soul República, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, entregue no fim de 2025 e que conta com 132 unidades compactas. O empreendimento, assim como outros recém-lançados, pode se beneficiar da oferta mais restrita no segmento, apontada pela campanha do Sinduscon. De acordo com a entidade, nos últimos anos, incorporadoras reduziram lançamentos em função do aumento dos custos da construção, da inflação dos insumos e das restrições ao crédito.
E, neste cenário, a capital gaúcha ganha uma força adicional, já que apresenta valores de metro quadrado abaixo da média de outras grandes cidades brasileiras, indicando espaço para correção. “Porto Alegre é uma das capitais mais defasadas em preço por metro quadrado no Brasil. É natural que haja um reajuste, e quem se posicionar antes acaba tendo vantagens”, afirma Romeu Tomasetto.
Redução de juros e antecipação do mercado
Um dos eixos centrais da campanha é a expectativa de redução dos juros ao longo dos próximos meses. Mesmo antes da queda efetiva, o mercado passa a se antecipar. A lógica econômica por trás desse movimento é clara. Como reforça a campanha “Imóvel Zero”, períodos de juros altos tendem a comprimir os preços dos ativos reais. Quando esse cenário começa a se inverter, ocorre uma descompressão gradual.
Outro ponto estrutural destacado pela campanha é o custo da construção civil. O setor opera com aumento contínuo dos custos, medidos por índices como o INCC, que precisam ser repassados aos lançamentos futuros. Isso significa que muitos empreendimentos atuais ainda refletem um ciclo anterior, enquanto novos projetos tendem a chegar ao mercado com valores mais elevados.
A ampliação do crédito imobiliário também reforça esse cenário. As novas condições de financiamento, com aumento do teto de enquadramento e maior acesso para a classe média, devem impulsionar diferentes segmentos. “O alto padrão segue com uma probabilidade grande de performar bem, e há uma oportunidade muito relevante na faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, que deve destravar o financiamento para a classe média”, avalia Tomasetto.
Além disso, a compra de imóveis na planta surge como uma alternativa de planejamento financeiro em um momento de transição dos juros. “A compra em planta permite que o cliente vá pagando direto para a construtora e não precise financiar imediatamente no banco com a taxa elevada que temos hoje”, conclui.


