A movimentação do varejo gaúcho para o Dia dos Pais, celebrado neste mês, deve apresentar um crescimento modesto em comparação a 2024, segundo avaliação da Fecomércio-RS. A análise, divulgada nesta semana, aponta que, ao contrário do ano passado — quando as vendas foram impulsionadas pela reconstrução pós-enchentes e injeção de renda —, o cenário atual, mesmo com melhora no mercado de trabalho, não deve repetir o mesmo ritmo de consumo.
De acordo com o presidente da federação, Luiz Carlos Bohn, o desempenho contido se deve à ausência de estímulos extraordinários como os registrados em 2024. “O Dia dos Pais foi a primeira data realizada no ano passado em contexto de menos anormalidade em função das enchentes. A injeção expressiva de renda na economia gaúcha e o impulso da reconstrução resultaram em crescimentos expressivos das vendas do varejo à época. Nesse ano, por mais que tenhamos um quadro positivo e melhor que o ano passado do mercado de trabalho, não teremos o mesmo impulso. O movimento, que será importante para o Varejo, deve resultar, em relação às vendas de 2024, em elevação modesta e heterogênea entre segmentos”, afirmou o dirigente.
Cenário econômico
Apesar da base comparativa elevada, a avaliação econômica destaca indicadores positivos do mercado de trabalho. O Novo Caged apontou a criação de 73.861 novos vínculos nos primeiros cinco meses do ano, enquanto a Pnad registrou queda da taxa de desocupação de 5,8% no primeiro trimestre de 2024 para 5,3% no mesmo período de 2025. A massa real de salários teve alta de 9,1%. Também houve inflação menor na Região Metropolitana de Porto Alegre nos últimos 12 meses até junho (4,85%) em comparação à média nacional (5,35%).
Segmentos mais movimentados
Embora não tenha o mesmo peso que datas como o Natal ou o Dia das Mães, o Dia dos Pais movimenta o varejo especializado em itens como vestuário, calçados, perfumaria, cuidados pessoais, artigos esportivos, ferramentas, equipamentos de escritório, informática, comunicação e alimentos e bebidas.
Entre os produtos mensurados pelo IPCA na Região Metropolitana de Porto Alegre, os que apresentaram variação de preço abaixo da inflação média da região foram bermudas e shorts masculinos (0,40%), sapatos masculinos (2,59%), agasalhos masculinos (0,68%), calças compridas masculinas (4,23%) e tênis (4,40%). Já itens como camisas e camisetas masculinas (5,68%), sandálias e chinelos (8,41%), relógios de pulso (7,24%) e perfumes (8,79%) registraram aumentos acima da média regional.
Endividamento, inadimplência e confiança do consumidor
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) aponta melhora nos índices de endividamento e inadimplência em relação a 2024. Em junho de 2025, 84,4% das famílias estavam endividadas e 25,8% inadimplentes, contra 89,2% e 34,2%, respectivamente, no mesmo mês do ano anterior. No entanto, houve aumento no volume de crédito em situação de inadimplência: de 2,61% em maio de 2024 para 3,36% em maio de 2025.
Por outro lado, a confiança das famílias recuou. O índice de Intenção de Consumo das Famílias caiu de 59,7 pontos em junho de 2024 para 53,3 pontos em junho de 2025. A taxa de juros também subiu no mesmo período, de 10,5% ao ano para 15,0% ao ano, o que pode impactar negativamente as compras parceladas.
Recomendações aos lojistas
A Fecomércio-RS recomenda aos lojistas que aproveitem a data para organizar estoques, mobilizar a clientela com mensagens personalizadas e preparar vitrines e campanhas nas redes sociais. A entidade orienta ainda a criação de kits presenteáveis para diferentes faixas de preço e o treinamento das equipes de vendas para melhorar o atendimento. Também sugere que os estabelecimentos destaquem seus diferenciais competitivos, como preços atrativos, para atrair consumidores.


