A Fecomércio-RS divulgou os resultados da Sondagem do Segmento de Varejo de Moda, realizada entre 21 de novembro e 15 de dezembro de 2025, com 385 estabelecimentos do Rio Grande do Sul, todos optantes pelo Simples Nacional. O perfil das empresas revela que grande parte está há bastante tempo no mercado: 54,8% atuam há mais de dez anos, enquanto apenas 4,2% possuem menos de um ano de atividade. A operação com equipes enxutas predomina, com 50,6% dos negócios contando com até três pessoas trabalhando.
A sondagem traça um perfil do segmento no Estado. Na gestão, a maioria das empresas (73,2%) utiliza controle informatizado tanto de vendas quanto de estoques, e 84,7% acompanham o desempenho dos produtos ao menos mensalmente, com destaque para os monitoramentos diário (28,3%) e semanal (21,6%). A formação de preços é majoritariamente orientada por custos, com 46,2% adotando margem fixa sobre o custo total e 42,9% por categoria de produto. O ambiente digital tem destaque nas estratégias comerciais, já que 81,8% realizam publicações em redes sociais e 53,5% utilizam anúncios pagos em mídia digital.
Na avaliação das vendas nos últimos seis meses, 52,7% das empresas avaliaram o desempenho das vendas como regular ou ruim, e apenas 15,9% classificaram o período como muito bom ou excelente. O resultado se reflete na frustração de expectativas: para 54,5% dos empresários, as vendas ficaram abaixo do esperado; para apenas 7,5% as expectativas foram superadas. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, 43,7% relataram redução no movimento de clientes, enquanto 24,4% observaram estabilidade e 31,9% aumento.
Em relação à situação financeira, ela é considerada boa ou muito boa por 57,9% das empresas, enquanto 31,4% avaliam como regular e 10,7% como negativa. A separação entre as finanças da empresa e dos sócios é prática consolidada para 73,8% dos entrevistados, de forma que 26,2% não têm separação ou não soube responder. Sobre endividamento, 61,6% não possuem empréstimos ou financiamentos.
Apesar do desempenho recente mais contido para parcela relevante dos entrevistados, as expectativas para os próximos meses são moderadamente positivas. Para os próximos seis meses, 54,0% das empresas esperam melhora das vendas, enquanto 30,6% projetam estabilidade. A maioria pretende manter o atual quadro de pessoal (65,2%), embora 26,5% indiquem intenção de contratar, e 40,5% afirmam que pretendem investir no negócio. Em relação ao ambiente macroeconômico, a expectativa de estabilidade se destaca no caso da economia gaúcha (37,9%); 35,3% esperam melhora e 26,7% piora. Para a economia brasileira, 24,9% esperam estabilidade, 40,2% esperam piora e 34,8% melhora.
“O otimismo dos empresários sempre é uma boa notícia. O pessimismo, muitas vezes, paralisa iniciativas, e contribui para resultados ainda piores. Mas dentro de todo e qualquer cenário de otimismo precisamos estar conscientes da responsabilidade que cabe à gestão de fazer os bons resultados acontecerem. Em um cenário de consumidor cauteloso, vender de maneira ativa e eficiente é a ordem do dia”, afirmou o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn.


