Cerca de 64% do total de trabalhadores estrangeiros empregados no setor industrial do Rio Grande do Sul tem origem na Venezuela. Os dados são de um levantamento realizado pela Unidade de Estudos Econômicos (UEE) do Sistema FIERGS com informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024. Ao todo, 15.286 trabalhadores venezuelanos atuam em plantas fabris no estado, dentro de um universo de 23.782 trabalhadores estrangeiros.
Desse total, a ampla maioria –14.079 trabalhadores – está concentrada na indústria de transformação. Os principais segmentos empregadores são o de alimentos (6.783 trabalhadores), veículos automotores (2.485), borracha e material plástico (810), produtos de metal (777) e máquinas e equipamentos (700). No setor de alimentos, destacam-se as atividades de abate de aves, que concentram 3.796 trabalhadores, e de abate de suínos, com 1.688 vínculos. Já na indústria de veículos automotores, a maior concentração está na fabricação de caminhões e ônibus, que empregava 868 venezuelanos.
De acordo com o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a presença de trabalhadores estrangeiros, especialmente venezuelanos, é fundamental para suprir a demanda por mão de obra na indústria gaúcha. Segundo ele, o Rio Grande do Sul enfrenta um déficit de trabalhadores, especialmente qualificados, e a comunidade venezuelana tem papel decisivo nesse cenário.
“A falta de mão de obra no Rio Grande do Sul é um problema real. A comunidade venezuelana, especialmente neste momento de escassez de profissionais qualificados, é de extrema importância para a indústria. Eles apresentam bom nível de qualificação e, aqueles que não tinham formação específica, conseguiram se adaptar rapidamente por meio da capacitação oferecida pelo Senai-RS e a acolhida do Sesi-RS. Caso esses trabalhadores retornem ao país de origem, a indústria gaúcha sofrerá um impacto muito forte. Trata-se de uma mão de obra eficiente e essencial”, afirma.
No recorte regional, a serra gaúcha lidera a absorção de trabalhadores venezuelanos na indústria, com cerca de 5,4 mil empregos, o que corresponde a 35,5% do total de vínculos desses estrangeiros no setor industrial do estado. Quando analisada a participação relativa no total de trabalhadores industriais de cada Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede), as regiões Nordeste (9,7%) e Norte (8%) apresentam as maiores proporções de trabalhadores venezuelanos, coincidindo com áreas de forte presença da indústria de alimentos.
Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores venezuelanos na indústria gaúcha cresceu mais de 119%, passando de cerca de 7 mil empregados em 2022 para aproximadamente 15,3 mil em 2024.
Em âmbito nacional, os venezuelanos ocupam 85.805 postos de trabalho na indústria em um universo de 146.314 trabalhadores estrangeiros atuando no setor.


