O Desfile Farroupilha de Porto Alegre homenageou os 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, tema dos Festejos Farroupilhas 2026. Realizado na manhã deste domingo (20), na Avenida Edvaldo Pereira Paiva, o evento reuniu integrantes das forças de segurança do estado, entidades tradicionalistas, prendas e peões e cerca de 600 cavalarianos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. A programação também contou com uma encenação sobre a história das Missões e foi acompanhada pelo governador Eduardo Leite (PSD), pelo secretário da Cultura, André Kryszczun, e outras autoridades.
O evento foi transmitido ao vivo pela TVE RS e começou com a Revista da Tropa, realizada pelo governador. Em seguida, ocorreu o desfile cívico-militar, com a participação de 920 representantes da Brigada Militar, 250 dos Bombeiros, incluindo 17 viaturas, 250 da Polícia Civil, com 40 viaturas, 140 da Polícia Penal, com 25 viaturas, 35 da Defesa Civil, com 13 viaturas, e 75 do Instituto-Geral de Perícias, com 30 viaturas.
Encenação sobre as Missões
Após o desfile cívico-militar, foi apresentada a encenação temática “Via Sacra Missioneira”, dirigida por Rinaldo Souto. O espetáculo utilizou música sacra, cantos guaranis e representações simbólicas para abordar a fundação, o período de desenvolvimento e a queda das Reduções.
A apresentação também tratou da atuação de Sepé Tiaraju, do Tratado de Madri e da Guerra Guaranítica. O espetáculo incluiu uma homenagem às ruínas de São Miguel, declaradas patrimônio nacional em 1938 e patrimônio mundial em 1983.
O governador Eduardo Leite afirmou que o tema dos Festejos Farroupilhas permite abordar a herança jesuítica e guarani no estado. “Os Festejos Farroupilhas são um momento de celebração das tradições que fazem parte da cultura e da identidade do Rio Grande do Sul. Neste ano, ao mesmo tempo em que mantemos vivo o culto às nossas tradições, temos a oportunidade de voltar o olhar para a herança jesuítica e guarani e para os 400 anos das Missões no Estado, reconhecendo a importância desse legado na formação da nossa cultura”, expressou o chefe do executivo estadual.
O diretor do espetáculo, Rinaldo Souto, explicou a proposta da encenação. “O espetáculo é um rito de memória às Missões Jesuíticas Guaranis, revivendo a sua história e mostrando que o grito imortal de Sepé Tiaraju – ‘esta terra tem dono’ – segue vivo na resistência e na herança cultural dos povos guaranis”, destacou Souto.
Desfile tradicional
A programação do Dia do Gaúcho foi encerrada com o desfile tradicional, que reuniu cerca de 600 cavalarianos de entidades tradicionalistas de diferentes regiões do Estado, além de prendas e peões do Rio Grande do Sul.
A atividade foi organizada pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, coordenada pela chefe de gabinete da Secretaria da Cultura (Sedac), Denise Gress. Segundo ela, a programação reuniu diferentes grupos e atividades em torno do tema definido para 2026. “A Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas comemora o Desfile de 20 de Setembro, destacando o espetáculo das entidades tradicionalistas a pé e a cavalo, a encenação temática e a atuação dos órgãos de segurança, agradecendo a presença do público e já projetando o evento para 2027”, ressaltou Denise.
Festejos Farroupilhas 2026
Os Festejos Farroupilhas são realizados anualmente em referência à Revolução Farroupilha, movimento ocorrido entre 1835 e 1845 e relacionado à história política e cultural do Rio Grande do Sul. Desde 2020, a organização é realizada por uma comissão especial, com apoio da Secretaria da Cultura (Sedac) e do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
A programação ocorre entre agosto e setembro e inclui atividades como o Acendimento da Chama Crioula, o Acampamento e o Desfile Farroupilha, além de ações realizadas por Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), piquetes e outros grupos ligados às manifestações culturais tradicionais.
Em 2026, o tema dos Festejos Farroupilhas é “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”. A patrona da edição é Marianita Ortaça, enquanto a canção-tema, “Patrimônio dessa terra”, foi composta por Flávia Nogueira.


