Cerca de 85% das exportações do RS ao Oriente Médio passam por países com portos no Golfo Pérsico

Por Marina Klein Telles

O Rio Grande do Sul exportou US$ 1,3 bilhão em mercadorias para o Oriente Médio em 2025, valor que correspondeu a 6% do total exportado pelo estado no período. Desse total, 85,6% desembarcam em países com portos no Golfo Pérsico, onde está o Estreito de Ormuz – fechado desde o início do conflito na região. O dado consta de estudo divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Sistema FIERGS e demonstra a dimensão dos riscos aos quais as exportações estão expostas em razão da instabilidade geopolítica.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o cenário atual exige atenção redobrada das empresas gaúchas que mantêm relações comerciais com o Oriente Médio. “A retomada e ampliação do conflito aumentou a instabilidade em uma área estratégica para o comércio internacional, especialmente no entorno do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz”, avalia.

Entre os principais parceiros comerciais do RS na região estão Emirados Árabes Unidos (US$ 471,5 milhões, equivalente a 36,4% das exportações para o Oriente Médio), Arábia Saudita (US$ 258 milhões e 19,9%) e Irã (US$ 163,9 milhões e 12,7%). “Em meio a toda essa instabilidade, é preciso que as indústrias avaliem rotas e fornecedores alternativos, revisem estratégias e reforcem mecanismos para redução de riscos”, alerta Bier.

Os principais ramos exportados pelo Rio Grande do Sul para o Oriente Médio envolvem produtos do abate de aves (US$ 461,9 milhões, equivalente 35,6% do total exportado pelo ramo), óleos vegetais em bruto (US$ 85,7 milhões, 5,5%), cultivo de milho (US$ 84,1 milhões, 5,4%) e processamento industrial do tabaco (US$ 79,6 milhões, 2,8%).

Do lado das importações, a vulnerabilidade concentra-se sobretudo na aquisição de insumos químicos e produtos ligados à cadeia de fertilizantes. As importações dos intermediários para fertilizantes somaram US$ 414,7 milhões, ou 36,9% das compras do Rio Grande do Sul provenientes dessa região. Um eventual aumento no custo dos fertilizantes por questões logísticas pode impactar a produção agrícola gaúcha e, consequentemente, os produtos do agronegócio.

Acesse o estudo completo no link: https://observatoriodaindustriars.org.br/inteligencia-estrategica/relacoes-comerciais-com-o-oriente-medio-2/

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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