O uso de tecnologias, inteligência artificial, automação e análise de dados na área da saúde foi discutido na manhã desta quinta-feira (17), durante a palestra “Tecnologias que impactam na área da saúde”, realizada no Palco 360 do Novo Hamburgo Feevale Summit. A atividade reuniu profissionais ligados à pesquisa, tecnologia e saúde para abordar as mudanças provocadas pela inovação no setor e como essas ferramentas podem ser utilizadas para reduzir tarefas operacionais e ampliar o tempo dedicado ao atendimento dos pacientes.
A palestra foi mediada pelo professor, pesquisador e coordenador da PUC-RS e do BioHub Tecnopuc, Rafael Reimann Baptista, e contou com a participação do superintendente de Tecnologia da Informação da Unimed Vale do Sinos, Antônio de Pádua, e da CEO e fundadora da Scale Reabilitação, Maria Eduarda Wecker.
Integração de conhecimentos
Durante a atividade, Maria Eduarda relatou sua trajetória de aproximação entre saúde e tecnologia. Formada em Nutrição, a empresária afirmou que, ainda durante a graduação, buscou oportunidades para relacionar os conhecimentos da área da saúde ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.
Segundo a CEO, apesar da quantidade de tecnologias disponíveis, ainda existem dificuldades para fazer com que essas soluções sejam utilizadas de forma efetiva por profissionais e pacientes. “Muitas vezes, a gente acaba trabalhando de forma muito manual e encontra dificuldades para levar determinadas soluções até quem realmente precisa delas”, relatou Maria Eduarda.
A experiência também levou a empreendedora a destacar a integração entre diferentes áreas do conhecimento. No início de sua trajetória, segundo ela, trabalhar em uma startup que envolvia tecnologia e conhecimentos relacionados à mecânica parecia distante de sua formação em Nutrição. Com o tempo, passou a identificar nessa combinação uma possibilidade de desenvolver novas soluções.
Hoje, eu vejo que essa experiência me mostrou que inovação acontece quando a gente consegue conectar conhecimentos diferentes e transformar isso em soluções que realmente façam sentido para as pessoas”, afirmou Maria Eduarda Wecker.
Automação de tarefas na saúde
O superintendente de Tecnologia da Informação da Unimed Vale do Sinos, Antônio de Pádua, abordou a evolução do uso da tecnologia no setor. De acordo com o especialista, durante muitos anos a automação esteve relacionada principalmente à substituição ou digitalização de tarefas e processos. Atualmente, o desafio é utilizar essas ferramentas para produzir impacto no cuidado prestado aos pacientes. “A tecnologia precisa ser usada não simplesmente para automatizar, mas para devolver tempo e espaço para o profissional de saúde cuidar do paciente”, afirmou de Pádua.
Entre os exemplos apresentados estão a automação do preenchimento de formulários, do prontuário e da transcrição de consultas. Essas ferramentas podem reduzir o tempo destinado por médicos, enfermeiros e outros profissionais a atividades burocráticas e permitir maior dedicação à interação com o paciente.
Inteligência artificial no atendimento
Durante a palestra, também foi abordado o uso de inteligência artificial para acompanhar consultas, transcrever conversas e organizar informações para os profissionais. Segundo de Pádua, aplicações desse tipo podem reduzir a carga cognitiva durante o atendimento e permitir que o profissional mantenha a atenção na pessoa atendida. “O objetivo não é substituir o médico ou a enfermeira. É justamente o contrário: é permitir que eles passem menos tempo em atividades burocráticas e mais tempo olhando para a pessoa, conversando com o paciente e exercendo aquilo que é mais humano na profissão”, ressaltou o especialista.
Os participantes também trataram da relação entre transformação digital e contato humano na área da saúde. A discussão apontou que a automação e a inteligência artificial podem assumir parte das tarefas operacionais e administrativas, enquanto aspectos como escuta, experiência, tomada de decisão e cuidado permanecem relacionados à atuação dos profissionais.


