Corriedale amplia critérios de julgamento na Expointer

Por Jonathan da Silva

O julgamento da raça Corriedale na 49ª Expointer está incorporando, pela primeira vez, a avaliação da área de lombo entre os critérios utilizados na seleção dos animais. A análise ocorreu nesta segunda-feira (31), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, com 30 ovinos inscritos. A novidade foi integrada à avaliação de características relacionadas à produção de carne e lã, estrutura corporal e pureza racial, em uma estratégia de melhoramento que busca ampliar a produtividade sem alterar a característica de duplo propósito da raça.

A grande campeã foi Pimenteira 650, uma borrega de 103 quilos da Cabanha Pimenteira, de Santa Vitória do Palmar. O animal foi apresentado pelo criador Marco Petruzzi.

Seleção considera carne e lã

Segundo o criador Marco Petruzzi, a escolha considerou o conjunto de características apresentadas pela borrega, incluindo a finura da lã e sua origem genética. “Era o animal mais completo, com finura de lã de 31 micras e filha de um campeão eleito em 2023. Isto significa que genética e melhor trato são fundamentais para se obter grandes resultados”, afirmou Petruzzi.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), Gustavo Velloso, explicou que a raça é avaliada por características relacionadas tanto à produção de carne quanto à produção de lã. Entre os aspectos considerados estão porte, vigor e conformação corporal.

De acordo com Velloso, os animais também devem apresentar andar ágil e vitalidade, características relacionadas à capacidade de deslocamento. Por ser uma raça de duplo propósito, o equilíbrio zootécnico é orientado em 50% para a produção de lã e 50% para a produção de carne.

O dirigente também destacou que o animal deve apresentar esqueleto bem constituído e velo pesado, extenso e de boa qualidade. Na avaliação dos machos, a cabeça deve expressar masculinidade, com largura, fossas nasais abertas, boca forte e boa cobertura de lã na parte superior. “A raça Corriedale ostenta bom nível no Rio Grande do Sul, tanto de machos, quanto de fêmeas. Melhoramos consideravelmente a produção de lã e de carne. Com isto, os produtores estão conseguindo uma rentabilidade bem maior”, destacou Velloso.

Área de lombo entra na avaliação

A avaliação da área de lombo foi incluída pela primeira vez no julgamento da raça na Expointer. A mudança amplia os critérios relacionados às características corporais dos animais e à produção de carne.

O jurado uruguaio Rafael Elhordoy afirmou que, no Uruguai, os dados de Evolução de Peso Vivo (EPV), que envolvem informações zootécnicas e estatísticas, são utilizados há anos em trabalhos de melhoramento genético de bovinos e ovinos. “Nós tivemos um resultado, em especial na finura da lã, passando de 24 a 25, considerada de finura média e fina”, afirmou Elhordoy.

O também jurado uruguaio João Mattassoles acrescentou que o objetivo do melhoramento é avançar nas características produtivas sem deixar de considerar a conformação corporal dos animais.

Grande campeão masculino

No final da tarde, foi divulgado o resultado do Grande Campeão masculino. O título ficou com o ovino Letícia 3195, da Cabanha Letícia, de Barra do Quaraí, de propriedade de João Antônio Fittipaldi. Para o criador, a seleção deve considerar as características relacionadas à produção de carne, à pureza racial e à lã. “Precisamos enaltecer a parte carniceira, a pureza racial e a finura de lã adequada, almejando as demandas do mercado”, pontuou Fittipaldi.

Foto: ABCC/Divulgação | Fonte: Assessoria
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