Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas sobe pelo segundo mês seguido

Por Jonathan da Silva

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas (ICF-RS) registrou a segunda alta consecutiva em julho de 2026, ao alcançar 43,2 pontos. O resultado divulgado pela Fecomércio-RS representa um avanço de 1,2% em relação aos 42,7 pontos de junho, mas permanece em nível historicamente baixo. Na comparação com julho de 2025, quando o índice estava em 52,1 pontos, houve queda de 17,0%, a 37ª retração consecutiva na comparação interanual.

A pesquisa foi realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nos últimos dez dias de junho, em Porto Alegre, e teve os resultados divulgados pela Fecomércio-RS. O ICF e seus componentes variam de zero a 200 pontos. Resultados abaixo de 100 indicam percepção média pessimista dos consumidores, com a intensidade aumentando quanto mais próximo de zero estiver o indicador.

Consumo atual lidera alta

Quatro dos sete componentes do ICF apresentaram alta em julho. O maior avanço foi registrado no Nível de Consumo Atual, que cresceu 7,2%. Na sequência, ficaram a Perspectiva de Consumo, com alta de 3,0%, a Situação Atual do Emprego, com 1,6%, e o Acesso ao Crédito, que avançou 0,4%.

Por outro lado, três componentes recuaram. O Momento para Consumo de Bens Duráveis teve queda de 15,9%, seguido pela Perspectiva Profissional, com retração de 3,4%, e pela Situação de Renda Atual, que caiu 0,2%.

Apesar dos avanços registrados em quatro componentes, todos permaneceram abaixo da linha de neutralidade de 100 pontos e também em níveis inferiores aos registrados no mesmo período de 2025.

Cautela permanece

O presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Ifep, Luiz Carlos Bohn, afirmou que o comportamento do índice indica cautela entre os consumidores. “Estamos diante de um consumidor estruturalmente cauteloso, com menor apetite de consumo. Esse cenário impõe ao lojista um quadro desafiador”, comentou o dirigente.

Bohn também avaliou que a segunda alta consecutiva do ICF representa uma melhora, mas destacou fatores que continuam limitando a confiança dos consumidores. “Apesar dos indicadores em patamar pessimista, a segunda alta consecutiva do ICF é um sinal positivo. O consumo apresentou melhora no primeiro semestre do ano, porém é importante ter claro que os efeitos dos estímulos observados no primeiro semestre tendem a perder força, enquanto os juros elevados e o comprometimento da renda seguem limitando uma recuperação mais consistente da confiança”, avaliou o presidente da entidade.

Foto: Pressofoto/Magnific/Reprodução | Fonte: Assessoria
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