Consumo consciente inspira primeira edição da Feira Bem Vestida em Porto Alegre

Com destaque para a moda circular, projeto chega em formato pocket ao empreendimento nos dias 20 e 21 de agosto no Shopping João Pessoa

Por Ester Ellwanger

A moda circular que ganhou força no Vale dos Sinos agora chega, pela primeira vez, a Porto Alegre. Nos dias 20 e 21 de agosto, o Shopping João Pessoa recebe uma edição especial e pocket da Feira Bem Vestida, reunindo empreendedores de brechós, peças vintage e diferentes possibilidades de garimpo em uma programação que aproxima o público de uma das principais iniciativas de moda circular do Rio Grande do Sul.

Antes de desembarcar na Capital, o evento, que há nove anos apresenta o consumo consciente de forma criativa e próxima da moda, já passou por diferentes municípios da Região Metropolitana, como Novo Hamburgo e São Leopoldo. Agora, chega ao Espaço Coworking JP com 25 expositores, reunindo brechós e iniciativas de economia criativa, com trabalhos de reaproveitamento de materiais, customização e upcycling.

Brechó também é moda

A estreia na cidade acontece em um momento em que os brechós ocupam um espaço cada vez mais presente nas discussões sobre moda e consumo. A chamada moda circular propõe ampliar o tempo de uso das peças, fazendo com que as roupas sigam circulando em vez de serem descartadas. Segundo dados obtidos pela Organização do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas (ONU), a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões de carbono do planeta, chegando a 20% do desperdício de água mundial em sua fabricação.

Além da dimensão ambiental, o movimento também acompanha mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a procurar peças únicas e possibilidades de construir diferentes estilos. Para Cláudia Sá, idealizadora do projeto, esse cenário também contribuiu para transformar a própria percepção sobre os brechós.

“Hoje, a gente consegue quebrar esse preconceito da compra de roupas usadas e também incentivar as pessoas a desapegarem de suas peças para os brechós, entendendo que isso também é um trabalho, que é um negócio. Movimentamos milhares de peças durante as edições da feira”, afirma.

 

Arte e moda lado a lado

A reflexão sobre o ciclo das roupas também ganha espaço por meio da arte. A figurinista e pesquisadora em Neuromoda Amanda Andressa apresenta no Shopping João Pessoa a exposição “O que fazemos com o que sobra?”, que propõe uma reflexão sobre excesso, descarte têxtil e a relação da moda com os recursos do planeta. Instalada no segundo andar do empreendimento, ela utiliza um manequim vestido com peças que ajudam a provocar um olhar sobre o que acontece com uma roupa depois que ela deixa de ser utilizada.

Durante a Feira Bem Vestida, a artista também vai apresentar uma nova intervenção, desenvolvida em parceria com a alfaiate Sandra Colares. A ação parte de uma peça de alfaiataria produzida a partir de 12 peças de jeans que já existiam, em um trabalho de upcycling que transforma materiais que poderiam ser considerados sobras em uma nova criação.

A proposta é tornar visível o potencial de materiais que muitas vezes são vistos apenas como descarte e mostrar como técnica e design podem prolongar sua vida e criar novos significados.

“A moda não precisa deixar de existir, mas precisa encontrar formas mais conscientes e circulares de continuar existindo”, explica Amanda.

SERVIÇO:

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria

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