Espetáculo CorpoSamba – Oficena chega a Porto Alegre

Por Marina Klein Telles

A performance artística CorpoSamba – Oficena, criada em Caxias do Sul, inicia sua circulação pelo Rio Grande do Sul com apresentação em Porto Alegre, no dia 18 de abril, às 17h, no Parque Harmonia. Gratuito e ao ar livre, o trabalho propõe um encontro entre dança, música ao vivo e público no espaço urbano, em uma experiência que pretende divertir ao mesmo tempo em que desperta diferentes reflexões.

O projeto reúne artistas-pesquisadores de diferentes áreas: Igor Cavalcante Medina, com trajetória ligada ao samba e às danças de salão; Assaury Hiroshi, da dança contemporânea; e Ezequiel Zanoni Duarte (Zeca Duarte), vinculado ao samba e à música popular brasileira. A criação conta ainda com a participação da bailarina Jenifer Bonho e do percussionista Marcelinho Silva.

Com trilha sonora autoral executada ao vivo, CorpoSamba – Oficena parte da ideia de que o corpo também é território de memória, resistência e criação. Ao longo da apresentação, surgem provocações sobre o próprio corpo e sobre corpos frequentemente marginalizados, como os das mulheres e das pessoas negras. Essas questões, porém, aparecem sem rigidez, abrindo espaço para uma relação lúdica  com o público, que é convidado a experimentar passos iniciais de samba e a interagir com os bailarinos e integrar-se ao clima de carnaval no qual se encerra o espetáculo. Mais do que assistir, o público é convidado a vivenciar e construir a cena em tempo real junto aos artistas.

Assaury Hiroshi, bailarino, coreógrafo e um dos diretores do espetáculo, afirma que o trabalho dá continuidade a uma investigação sobre o corpo brasileiro e sobre o samba como uma de suas expressões mais genuínas. A partir de suas pesquisas,  Assaury, vê o samba como uma manifestação artística marcada por relações sociais, raciais e de gênero que atravessam a história do país e que, por isso, também se estabelece como espaço de resistência, diálogo e transformação social. Para o diretor, a obra parte de um corpo que se posiciona e que transforma resistência em movimento e movimento em identidade.

A construção do espetáculo também se apoia nas trajetórias de seus criadores. Igor Cavalcante Medina, homem negro e sambista, tensiona em cena o racismo presente nas sutilezas do cotidiano. Assaury Hiroshi, a partir de sua ancestralidade oriental e indígena, investiga encontros e fusões culturais no corpo que samba. Já a bailarina Jenifer Bonho, como mulher,  incorpora reflexões sobre a violência de gênero e seus impactos sociais e corporais. Juntas, essas perspectivas ampliam o olhar sobre a identidade brasileira e sobre o samba como expressão de alegria, crítica social e permanência cultural.

Para o também diretor Igor Cavalcante Medina, a Oficena se apresenta não apenas como linguagem artística, mas também como ferramenta de transformação social, ao provocar reflexão, questionar estruturas de opressão e reafirmar a potência do corpo em movimento. A proposta, segundo Medina, convida o público a vivenciar o samba como força vital, resistência e expressão cultural profunda.

A produtora executiva Uyara Camargo destaca que a circulação em espaços públicos e históricos de cidades gaúchas foi pensada para ampliar o acesso à arte e descentralizar o acesso à cultura. “A escolha desses locais reforça o compromisso do projeto com a democratização da cultura, ao mesmo tempo em que valoriza a cultura popular, fortalece identidades locais e pode estimular o turismo cultural e o comércio” – afirma.

Todas as apresentações contam com intérprete de Libras, ampliando o acesso de pessoas com deficiência auditiva e reconhecendo diferentes formas de percepção e experiência estética.

Além da apresentação em Porto Alegre, o projeto passará por Canoas, no dia 28 de abril, às 12h30, no calçadão da cidade. CorpoSamba – Oficena é financiado pelo Financiarte, da Prefeitura de Caxias do Sul.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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