Museu de Arte Carlão passará a ser atração em Novo Hamburgo neste ano

Por Jonathan da Silva

A Prefeitura de Novo Hamburgo está transformando a Casa da Cultura Dalilla Clementina Sperb, em Hamburgo Velho, no futuro Museu de Arte Carlos Alberto de Oliveira, o Museu Carlão, com previsão de abertura no primeiro semestre de 2026. O espaço será o primeiro museu do Rio Grande do Sul dedicado a um artista negro e com referência à arte Naïf. Além disso, o novo atrativo tem o objetivo de valorizar a memória e a produção de um dos nomes das artes visuais do município.

O espaço passa por melhorias para garantir condições de preservação, circulação e exposição das obras que integrarão o acervo. O secretário de Cultura e Turismo de Novo Hamburgo, Angelo Reinheimer, afirma que as adequações físicas são indispensáveis para a longevidade do acervo e que o projeto reafirma o papel de Hamburgo Velho como polo cultural da cidade. “Essa concentração é um verdadeiro centro de arte, memória e identidade, ofertado gratuitamente ao público”, observa o titular da pasta.

Carlão merece um espaço à altura de sua contribuição à arte brasileira”, destaca o secretário Angelo Reinheimer.

Circuito cultural em Hamburgo Velho

Com a criação do novo museu, o Centro Histórico de Hamburgo Velho passará a concentrar quatro instituições: o Museu Nacional do Calçado, o Museu Comunitário Casa Schmitt-Presser, o Museu de Arte Scheffel e o Museu de Arte Carlão. Segundo o secretário Reinheimer, a proximidade cria um circuito turístico e cultural no município.

Quem foi Carlão

Carlos Alberto de Oliveira, conhecido como Carlão, nasceu em Novo Hamburgo em 1951 e faleceu em 2013. Filho de operário em curtume, iniciou-se nas artes ainda jovem e, em 1968, recebeu bolsa de estudos na Escola de Belas Artes de Novo Hamburgo.

Artista autodidata de linguagem Naïf, tornou-se um dos representantes brasileiros dessa vertente, caracterizada por cores intensas, composição plana e narrativas do cotidiano. Suas obras retratam cenas de fábricas de calçados, partidas de futebol, carnavais, bares e situações de trabalho e lazer.

Membro do movimento Casa Velha nos anos 1970, teve obras incorporadas ao acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, onde realizou, em 1983, uma exposição com 25 obras sobre discriminação racial. Participou também da Bienal Naïfs do Brasil, em Piracicaba-SP, e da mostra Art in Latin America 1820–1980, exibida em países europeus na década de 1990, ao lado de José Antônio da Silva.

Servidor público municipal na Secretaria de Educação, atuou no Atelier Livre Municipal, onde lecionou e desenvolveu atividades artísticas com estudantes da rede.

Foto: Arquivo/PMNH/Divulgação | Fonte: Assessoria
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