O município de Morro Reuter investiu R$ 3.037.349,69 em saúde entre 1º de maio e 31 de agosto de 2025, valor que corresponde a 73,5% das despesas totais do período, de R$ 4.132.563,54. Os dados constam no Relatório Municipal de Gestão em Saúde do 2º quadrimestre, apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde, Meio Ambiente e Assistência Social em audiência pública na Câmara de Vereadores, nesta segunda-feira (22).
De acordo com o relatório, o município arcou com a maior parte dos custos em saúde, enquanto os repasses estaduais foram de R$ 159.305,37 (3,85%) e os federais de R$ 935.908,48 (22,5%). Pela Constituição Federal e pela Lei de Financiamento do SUS, os municípios devem investir ao menos 15% da arrecadação tributária em saúde, mas Morro Reuter destinou 23%.
Segundo o prefeito Airton Bohn (PP), o município também tem arcado com especialidades de responsabilidade estadual, como urologia, cardiologia, fisioterapia, fonoaudiologia, neurologia, neuropediatria e cirurgias de catarata. “Hoje estamos com a fila zerada para cirurgias de catarata, que não seria nossa responsabilidade, por meio de contratação via processo licitatório de empresa especializada no procedimento”, destacou o chefe do executivo local.
Ausências em consultas
O relatório também aponta preocupação com a falta de comparecimento dos pacientes às consultas. De janeiro a 31 de agosto, 520 consultas foram agendadas e confirmadas no Gercon, sistema de gerenciamento de consultas especializadas do SUS. Destas, 381 expiraram ou foram canceladas pelo não comparecimento.
A secretária de Saúde do município, Ana Paula Viebrantz, destacou que a ausência gera custos e prejudica o atendimento. “São casos em que o paciente confirmou na ligação telefônica que iria à consulta e não compareceu. Lembro que são casos em que o paciente passou por consulta na ESF, o município pagou exames, o médico fez o cadastro do paciente no sistema. Isso gerou um custo bem alto ao Município”, afirmou a titular da pasta.
Na psicologia, o número de faltas passou de 69 no primeiro quadrimestre para 126 no segundo. Já a fisioterapia registrou 46 faltas no primeiro quadrimestre e 106 no segundo. “Ligamos para as pessoas um ou dois dias antes da data agendada para confirmar a consulta, elas confirmam, e, mesmo assim, não comparecem tirando a oportunidade de outras pessoas serem atendidas”, disse a secretária.
Dados do atendimento
O levantamento ainda mostrou as dez maiores demandas no Pronto Atendimento: enfermagem (6.534), clínico geral (5.045), fisioterapia (1.181), odontologia (1.148), psicologia (984), pediatria (869), nutricionista (508), psiquiatria (459), ginecologia/obstetrícia (325) e traumatologia (194).
Em relação a exames e procedimentos, os mais realizados no período foram ecografias (439), citopatológico (170), pequenos procedimentos cirúrgicos (109), tomografias (97) e endoscopias (23).


