Brasil bate recorde de CNPJs e MEIs, gaúchos dão sinais de recuperação após enchentes

Por Marina Klein Telles

O Brasil ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 64 milhões de CNPJs registrados, o que representa um crescimento de 7,72% em relação ao ano anterior. Desses, 25,3 milhões são empresas ativas, número que também apresentou uma alta expressiva de 16,11%. Os dados fazem parte da segunda edição do estudo “CNPJs do Brasil”, produzido pela BigDataCorp.

Grande parte desse avanço é impulsionada pelo crescimento do número de Microempreendedores Individuais (MEIs), categoria que tem facilitado o acesso de milhões de brasileiros à formalização, crédito e direitos previdenciários. No Rio Grande do Sul, esse movimento também é notado, mesmo após os efeitos da enchente que atingiu o estado em maio de 2024.

Segundo a 43ª edição da Pesquisa de monitoramento dos pequenos negócios do Sebrae RS, os pequenos negócios representam uma parcela expressiva da economia nacional, contribuindo para a geração de empregos, inovação e desenvolvimento local. A expectativa dos empreendedores para o próximo bimestre é positiva.

Cerca de 40% dos empresários planejam expandir seus negócios, demonstrando otimismo e confiança no mercado. Outros 51% pretendem manter suas operações no nível atual, o que indica estabilidade e uma visão cautelosa do cenário econômico. Por outro lado, aumentou para 7% o percentual de empreendedores que considera reduzir suas atividades (em maio era 3%), enquanto 2% cogitam encerrar seus negócios.

“Os dados mostram que os empreendedores estão mais confiantes e voltados ao crescimento de seus negócios. Esse movimento reforça o quanto o MEI é fundamental para a recuperação da economia gaúcha. E o principal alerta é: é preciso investir em gestão e planejamento para que esse crescimento seja sustentável”, detalha Giulia Mattos, especialista em MEIs do Sebrae RS.

Destaca-se ainda que 13% dos pequenos negócios seguem em processo de reconstrução, evidenciando que, mesmo após mais de um ano, os impactos das enchentes que atingiram o estado ainda são sentidos. Diante desse cenário, reforça-se a importância de investir em planejamento estratégico, boas práticas de gestão financeira, acesso a crédito adequado e capacitação profissional, como forma de garantir maior estabilidade e promover o crescimento sustentável dos negócios.

Negociação da dívida ativa

Outro desafio recorrente para quem empreende é manter as obrigações tributárias em dia. A complexidade da gestão fiscal, somada à sobrecarga de tarefas e à instabilidade financeira, muitas vezes leva à inadimplência involuntária. Nesse contexto, iniciativas como o Edital PGDAU 11/2025, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, representam uma oportunidade importante de regularização.

A medida permite negociar débitos inscritos em dívida ativa da União por meio de diferentes modalidades de transação, adaptadas à realidade de cada contribuinte, como capacidade de pagamento, dívidas de pequeno valor, débitos de difícil recuperação ou garantidos por seguro. O prazo para adesão vai até o dia 30 de setembro de 2025, oferecendo uma alternativa concreta para quem precisa reorganizar suas finanças e seguir empreendendo de forma sustentável.

Um caminho simples para formalizar o sonho de empreender
O Microempreendedor Individual é uma categoria jurídica simplificada voltada para quem trabalha por conta própria e quer ter um CNPJ, poder emitir nota fiscal, contribuir para a Previdência e pagar menos impostos.

Para ser MEI, é necessário:

  • Faturar até R$ 81 mil por ano;

  • Não participar como sócio ou titular de outra empresa;

  • Exercer uma atividade permitida pela legislação do MEI;

  • Ter no máximo um funcionário.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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