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Hospital Fêmina

Saúde

GHC discute como equipes de saúde podem identificar sinais de violência contra a mulher

Por Ester Ellwanger 13/08/2026
Por Ester Ellwanger

O que pode ter acontecido além do motivo da consulta? Quais sinais sugerem possível violência? Como abordar uma mulher sem colocá-la em risco? Como a equipe multiprofissional pode ajudar?

Esses questionamentos têm ganhado espaço, na área da saúde, como aliados no combate à violência contra a mulher. A tarefa, no entanto, não é simples: exige atenção, escuta e acolhimento durante todo o período da paciente nos centros de saúde.

“Em muitos casos, as pacientes procuram o hospital com queixas físicas, mas, durante a conversa, pelo modo como a mulher se porta, pela forma como alguns sinais se apresentam, é possível perceber alguma violência psicológica, padrões de intimidação e eventos que minam a autoestima dela. Dá para perceber que a mulher está fragilizada na sua relação consigo mesma”, aponta Mylene Geiger, psicóloga do Hospital Fêmina (HF), em Porto Alegre.

Rodada de Conversa

A especialista foi uma das responsáveis por conduzir uma roda de conversa com profissionais do centro de saúde na manhã desta quarta-feira, 12 de agosto. Com o tema “O que é violência e como ela se apresenta: reconhecendo a violência no hospital”, o encontro reuniu trabalhadores no auditório do HF em uma atividade que integra o calendário do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em referência ao Agosto Lilás, o mês de conscientização e combate à violência contra a mulher.

Dinâmica em grupo

A metodologia envolveu a análise de situações fictícias baseadas em relatos reais para incentivar a discussão sobre os possíveis sinais de violência psicológica contra pacientes. Um dos casos usados na dinâmica foi o de uma jovem de 19 anos que comparecia às consultas de pré-natal sempre acompanhada da sogra, com a qual buscava aprovação antes de responder a qualquer pergunta sobre o corpo e a rotina.

Outro cenário estudado foi o de uma mulher de 29 anos que aguardava pela ecografia e precisava urgentemente enviar uma foto da sala de espera ao companheiro para provar que estava no hospital.

Depois, em grupos, as participantes tinham de discutir quais possíveis sinais de alerta poderiam ser identificados nas situações fictícias usadas como exemplos e quais abordagens poderiam ser adotadas para interromper o problema.

“O principal é acolher esse sofrimento e mostrar para a pessoa que existem alternativas. Isso é essencial porque ela não vai perceber essas possibilidades se estiver no meio do ciclo da violência. Então, é importante que as equipes funcionem como um canalizador para potencialidades. E isso só ocorre se a pessoa sentir que pode confiar na equipe, que será bem recebida e ajudada”, acrescenta Mylene Geiger.

Da espiral de violência à ação institucional

A compreensão da dinâmica das agressões é requisito para um tratamento humanizado das pacientes, de acordo com Lucas Lazzarotto Vasconcelos Costa, psicólogo do HF, que também participou da roda de conversa. Segundo ele, a chamada “espiral da violência doméstica” pode ajudar profissionais da saúde a identificarem ações que ganham gravidade com o passar do tempo e exigem intervenções.

“O que a espiral de violência traz é que esse ciclo vai se intensificando com o tempo, vai se tornando mais violento, e a culminação dele é o feminicídio. O grande desafio do profissional de saúde é conseguir entender a violência enquanto ela ainda não se instalou na sua intensidade máxima, é tentar entender esses primeiros sinais, que aparecem muitas vezes na violência psicológica, em controle e manipulação”, destaca o psicólogo.

Tipos de violência doméstica

Também foram abordados os tipos de violência doméstica mais comuns: psicológica, sexual, virtual, moral, física e patrimonial. Outro tópico foi o “violentômetro”, uma espécie de termômetro que indica níveis de violência, como cuidado (piadas ofensivas, intimidação e desqualificação da mulher), reação (destruição de bens, proibição de realizar atividades e início de agressões contra a vítima) e alerta (ameaças de morte, abuso sexual e mutilação).

“A violência contra a mulher é um sistema violento alimentado pelo patriarcado, pela misoginia, e que se manifesta em diferentes lugares, inclusive na vida privada. É um grande desafio para os trabalhadores da saúde se perceberem nesse lugar também. O combate aos cenários de risco exige um esforço em conjunto”, acrescenta Lucas Lazzarotto Vasconcelos Costa.

O envolvimento de todos os setores

A capacitação também debateu os protocolos das instituições de saúde, que, segundo os especialistas, devem periodicamente rever os fluxos para não incorrer na reprodução de preconceitos no atendimento. Outra bandeira do trabalho contra a violência de gênero é que o acolhimento às vítimas envolva funcionários de todos os setores dos hospitais.

Há 10 anos atuando na higienização do HF, Solimara Miranda Brasil relatou que o constrangimento e o medo formam as barreiras que mantêm as mulheres no silêncio.

“Sabemos que há pessoas que se sentem constrangidas de falar das próprias situações enquanto estão sofrendo violências. Mas vejo que, em alguns casos, isso tem mudado. Muitas situações que antes não eram consideradas violências hoje são reconhecidas e discutidas em reuniões como esta, repercutidas na mídia, são assunto nas conversas do dia a dia. Para mim, quanto mais canais disponíveis para essas mulheres buscarem ajuda, mais rápido o problema diminuirá”, comentou Solimara.

No GHC

O Grupo Hospitalar Conceição mantém o Re-Humam, um serviço composto por uma equipe multidisciplinar que oferece atendimento humanizado para mulheres (e pessoas que se identificam com o gênero feminino) que chegam aos centros de saúde administrados pelo grupo em situação de violência.

A iniciativa oferece acolhimento e escuta qualificada em espaço seguro, apoio psicológico e assistência social, além de orientações jurídicas e encaminhamentos para as redes de proteção externas (segurança, justiça e assistência social) para auxiliar a mulher a romper o ciclo de violência.

A base principal fica no Espaço Elza Soares, localizado no Hospital Cristo Redentor (HCR), e as profissionais do serviço atuam nos casos a partir de ações de busca ativa e encaminhamento interno.

Foto: Tamires Rodrigues/Divulgação | Fonte: Assessoria

13/08/2026 0 Comentários 91 Visualizações
Projetos especiais

Associação Amigos do Hospital Fêmina é lançada durante Noite de Doar em Porto Alegre

Por Jonathan da Silva 04/12/2025
Por Jonathan da Silva

A criação da Associação Amigos do Hospital Fêmina foi anunciada nesta terça-feira (2), durante a Noite de Doar, evento realizado no Café da Catedral, em Porto Alegre. Com cerca de 400 pessoas presentes, a atividade foi realizada para arrecadar recursos destinados à melhoria de áreas essenciais do Hospital Fêmina, integrante do Grupo Hospitalar Conceição. A ação integrou a programação do Giving Tuesday e ocorreu por meio de uma iniciativa organizada pela Oncofriends e pelo Moda Alegre, com apoio do Instituto Ceos e do Café da Catedral, resultando em aproximadamente R$ 100 mil de receita, cujo lucro será aplicado em melhorias na instituição.

A Associação Amigos do Hospital Fêmina foi constituída inicialmente pelo diretor médico do Hospital Fêmina até novembro de 2024, João Pedro Hoefel, pela CEO da Oncofriends, Daniela Miranda, e por Cinara Braga, Simone Baldasso e Patrícia Wisnevski. A proposta é mobilizar voluntários e apoiadores para ampliar ações de suporte ao hospital.

A CEO da Oncofriends, Daniela Miranda, avaliou a noite como positiva para o engajamento em prol da causa. “Foi uma noite mágica e leve, na qual conseguimos unir a celebração da vida a um grande movimento de solidariedade”, afirmou Daniela.

Noite de Doar

A Noite de Doar contou com apresentações musicais de Claus e Vanessa, João Antônio, Home Made Band e DJ Carazzo. O evento reuniu 35 padrinhos e madrinhas, responsáveis por mobilizar redes de apoio para contribuir com a iniciativa.

Melhorias nos espaços

As melhorias planejadas para o hospital terão projeto e acompanhamento das arquitetas Gabriela Ordahy e Simone Baldasso, esta última também madrinha da ação. Segundo Simone, a articulação com diferentes empresas deve contribuir para alcançar os objetivos estruturais. “Como trabalho com muitas empresas, vou buscar o melhor, inclusive novas doações, para cumprir nosso objetivo de qualificar e tornar os setores mais acolhedores”, destacou a arquiteta.

A fundadora do Moda Alegre e uma das organizadoras do evento, Tainá Vidal, destacou a relevância da mobilização voltada à saúde feminina. “Estou muito honrada por representar as mulheres do Moda Alegre nessa causa tão nobre, em benefício do hospital que mais atende mulheres pelo SUS, junto com a Oncofriends, que nos apoia levando informação de qualidade, muitas vezes capaz de salvar vidas”, afirmou Tainá.

Projeto beneficiado

Os recursos beneficiarão o projeto Cuidar de Quem Cuida, que prevê melhorias na área de convivência dos profissionais de saúde, na sala de espera dos pais de bebês internados na UTI Neonatal e no setor de registro de nascimentos. A iniciativa busca estimular a formalização do registro civil, cuja taxa atual no hospital varia entre 65% e 70%, o que compromete o acesso dos recém-nascidos a direitos essenciais.

Hospital Fêmina

Com 57 anos de atuação e atendimento 100% pelo SUS, o Hospital Fêmina é referência em saúde da mulher no Rio Grande do Sul. A instituição oferece cuidado integral desde o pré-natal e parto até o tratamento de doenças graves, como cânceres femininos e patologias ginecológicas. O hospital dispõe de 166 leitos de internação, realiza cerca de 6 mil atendimentos por mês e contabiliza aproximadamente 300 partos mensais. Com cerca de 900 profissionais, mantém atendimento ininterrupto ao longo de todo o ano.

Foto: Paulo Fonseca/Divulgação | Fonte: Assessoria
04/12/2025 0 Comentários 276 Visualizações
Saúde

Seminário sobre câncer ginecológico é realizado no Hospital Fêmina, em Porto Alegre

Por Jonathan da Silva 23/09/2025
Por Jonathan da Silva

A Oncofriends e o Instituto Ceos promoveram o “Seminário Setembro em Flor” nesta segunda-feira (22), no Hospital Fêmina, em Porto Alegre. O encontro marcou os 52 anos de funcionamento do hospital e reuniu cerca de 50 profissionais de saúde para discutir avanços na prevenção e no tratamento de doenças oncológicas ginecológicas, além de estratégias de conscientização sobre o câncer de colo de útero, considerado um dos mais letais entre mulheres.

Durante a programação, especialistas apresentaram informações sobre a incidência da doença. Segundo os dados divulgados, o câncer de colo de útero é o mais letal entre mulheres até 35 anos e o segundo que mais mata até os 60. Globalmente, uma mulher morre a cada dois minutos em decorrência da enfermidade, sendo que muitos casos chegam ao Hospital Fêmina em estágio avançado.

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), principal causa da doença, foi reforçada como medida essencial de prevenção. O CEO do Instituto Ceos, Paulo Pitrez, destacou a importância do imunizante. “Evidências científicas indicam que, se toda a população se vacinar ainda na juventude, poderemos erradicar esse câncer que afeta tantas famílias. A vacina, aliada aos novos tratamentos que a pesquisa clínica desenvolve, é fundamental na prevenção e no tratamento”, afirmou Pitrez.

Voz das pacientes

A gestora da Oncofriends, Daniela Miranda, ressaltou a relevância do diálogo entre profissionais e pacientes. “Como pacientes oncológicas, ter a oportunidade de entrar em um hospital 100% SUS e dialogar diretamente com os servidores é muito importante. Antes, eles nos deram o primeiro acesso às pacientes; agora, conseguimos falar com quem está na linha de frente. Isso reverbera tanto na vida desses profissionais e suas famílias quanto no cuidado com os pacientes”, destacou Daniela.

Outras iniciativas

O seminário também apresentou projetos da Promotoria da Infância voltados ao acolhimento de jovens e famílias, além de orientações sobre autodefesa e sobrevivência.

Lançamento beneficente

O evento marcou ainda o lançamento da Noite de Doar, que ocorrerá em 2 de dezembro, promovida pela Oncofriends e Instituto Ceos, em parceria com o Moda Alegre e apoio do Café da Catedral. A ação pretende arrecadar fundos para o projeto Cuidar de quem cuida, voltado à aquisição de móveis para áreas de convivência dos profissionais da saúde, reforma da sala de espera para pais de crianças em UTI Neonatal e registros de nascimento. A arrecadação também fortalecerá as atividades da Oncofriends e do Moda Alegre, que atua em 25 comunidades de Porto Alegre.

Foto: Paulo Fonseca/Divulgação | Fonte: Assessoria
23/09/2025 0 Comentários 317 Visualizações

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