Mais vistas
Saúde alerta para aumento de casos de síndrome gripal em...
Cultura, arte e bons negócios: conheça os atrativos da 10ª...
Cidades atendidas pelo Sebrae RS são destaque em ranking nacional...
Defesa Civil estadual atualiza previsão para os próximos dias no...
Defesa Civil reforça monitoramento por previsão de chuva em Novo...
Festa Colonial de Canela destaca gastronomia da agricultura familiar
27ª Construsul reúne mais de 300 expositores
Stock Car retorna a Santa Cruz do Sul neste final...
Festa do Café, Cuca e Linguiça de Picada Café chega...
Colégio João Paulo I lidera ranking do Enem em Porto...
Expansão
Banner
  • INÍCIO
  • NOIVAS
  • CATEGORIAS
    • Business
    • Cidades
    • Cultura
    • Ensino
    • Gastronomia
    • Moda e beleza
    • Projetos especiais
    • Saúde
    • Variedades
  • EDIÇÕES ONLINE
  • Bicentenário
  • SOBRE
  • ASSINE
  • FALE CONOSCO
Tag:

Fundação Iberê

Variedades

Em clima de Copa, Fundação Iberê promove oficina de colagem e troca de figurinhas

Por Jonathan da Silva 02/06/2026
Por Jonathan da Silva

A Fundação Iberê realizará, nos dias 5, 6 e 7 de junho, em Porto Alegre, a Oficina Colagens Futebolísticas, atividade que une arte e futebol em diálogo com a exposição “Erró: de imagem a imagem”. A programação ocorrerá das 15h às 17h e incluirá também um espaço para troca de figurinhas da Copa do Mundo. A iniciativa busca aproximar o público da obra do artista islandês Erró por meio da produção coletiva de um painel temático sobre futebol e seleção brasileira.

A atividade começará com uma visita mediada à exposição dedicada ao artista, seguida da criação de um grande painel utilizando desenhos, recortes de revistas e figurinhas relacionadas ao universo do futebol. A oficina disponibilizará 20 vagas por dia, com inscrições gratuitas realizadas pelo site da Fundação Iberê.

Exposição inspira atividade

A proposta foi desenvolvida em diálogo com a mostra “Erró: de imagem a imagem”, em cartaz na Fundação Iberê até 2 de agosto. Reconhecido como um dos principais nomes da vanguarda europeia dos anos 1960, Erró é conhecido pelo uso de colagens e pela combinação de referências oriundas das histórias em quadrinhos, da política, da publicidade, da ciência e da cultura popular.

A exposição reúne cerca de 50 pinturas e colagens produzidas a partir de 1966. Com curadoria da pesquisadora francesa Danielle Kvaran, a mostra foi organizada em parceria com o Museu de Arte de Reykjavík, na Islândia.

Segundo Danielle Kvaran, o trabalho do artista é construído a partir de imagens coletadas em diferentes contextos culturais. “Reunidas ao longo de suas viagens pelo mundo, as imagens de referência de Erró abrangem todos os campos imagináveis – da arte e do cinema às histórias em quadrinhos e caricaturas, passando pela ciência e tecnologia, história e política, publicidade e propaganda, e até o erotismo. Submetidas a diversas formas de apropriação e recombinação inventiva, essas imagens alimentam um universo denso e satírico. Visualmente explosivas, suas obras confrontam o espectador com ícones reimaginados, narrativas fraturadas e confrontos visuais ousados. Cada trabalho convida à reflexão sobre mitos, estruturas de poder e sistemas midiáticos, com uma sagacidade afiada, que abre espaço para a precisão – e até mesmo para a poesia”, destacou Danielle.

Troca de figurinhas

Além da oficina, a Fundação Iberê disponibilizará um espaço destinado à troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo durante os três dias de programação. A proposta é reunir colecionadores, crianças e famílias para a busca de cromos e a troca de exemplares repetidos.

A atividade acompanha o aumento da procura por figurinhas oficiais da competição, movimento que tradicionalmente ocorre nos meses que antecedem o Mundial. Os encontros de troca costumam reunir diferentes gerações de torcedores em espaços públicos, escolas, praças e centros esportivos.

Serviço

  • O quê: Oficina Colagens Futebolísticas e troca de figurinhas da Copa do Mundo
  • Quando: 5, 6 e 7 de junho, das 15h às 17h
  • Onde: Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique, 2000, bairro Cristal, Porto Alegre)
  • Quanto: Gratuito (inscrições prévias pelo site da Fundação Iberê)
Foto: José Kalil/Divulgação | Fonte: Assessoria
02/06/2026 0 Comentários 165 Visualizações
Cultura

Fundação Iberê estreia série de concertos de música de câmara

Por Amanda Krohn 03/08/2022
Por Amanda Krohn

A Fundação Iberê estreia, neste domingo (7), a temporada de música de câmara. Com curadoria de Érico Marques (GO), Lucas Brayner (PE), Henrique Amado (SP) e Nayane Nogueira (MG), os grupos são formados, em sua maioria, por músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA). A primeira apresentação será do Cordas ao Vento, integrado por Érico Marques (oboé), Francisco Coser e Leonardo Bock (violinos), João Senna (viola) e Rafael Costa (cello). No repertório, clássicos de Bach, Dorati, Dorak e B. H. Crusell, que tem como tema Atmosferas. As apresentações ocorrerão no primeiro domingo de cada mês, sempre às 17h, no auditório. A entrada será gratuita, com retirada de senha uma hora antes de cada recital.

Sobre os curadores

Érico Marques – Natural de Goiânia, iniciou os estudos musicais aos 8 anos de idade. Aos 14, já viaja a Brasília (250 km de Goiânia) para fazer aula de oboé. Com 17 anos, mudou-se para São Paulo para cursar bacharelado em oboé, pela Universidade Estadual Paulista (UNESO). Em 2013, aos 19 anos, foi aceito na Academia de Música da Osesp. Como vencedor do prêmio Eleazar de Carvalho, ganhou intercâmbio na Royal Academy of Musica (UK). Foi oboista na Orquestra Sinfônica de Goiânia (2016); tocou na Orquestra Filarmônica de Goiás (2017) e, desde 2018, integra a OSPA.

Lucas Brayner – Natural de Recife (PE), iniciou seus estudos de piano na França, aos 7 anos de idade, com o professor Jean-Paul Marron e, dois anos depois, com Yves Gidrol. Formado pelo Conservatório de Paris, retornou ao Brasil para cursar bacharelado em piano na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestre em Práticas Interpretativas pela UFGRS, faz doutorado na mesma universidade, sob a orientação de Cristina Capparelli Gerling. Ao lado de Nayane Nogueira, forma o Duo Lune (piano 4 mãos), vencedor do 28° Concurso Nacional de Piano de Ituiutaba (2021). Atualmente, leciona piano no Curso de Extensão da UFGRS.

Nayane Nogueira – Nascida em Canápolis (MG), iniciou os estudos de piano aos 15 anos de idade, no Conservatório Estadual de Música de Ituiutaba. É bacharel em piano pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mestre e doutora em Práticas Interpretativas pela UFGRS, e professora de teclado/piano no Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Campus Porto Alegre.

Henrique Amado – Natural de São Paulo, iniciou os estudos de música aos 12 anos, na Escola Municipal de Música de São Paulo. Em 2007, ingressou no curso de Bacharelado em Flauta transversal da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Cursou pós-graduação em regência nos anos de 2015 e 2016. Como flautista, integrou diversas orquestras, como: Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Orquestra Experimental de Repertório – SP, Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto – SP, Orquestra do Theatro São Pedro – SP e, atualmente, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA).

O grupo Cordas ao Vento será o primeiro a se apresentar.

A Fundação Iberê tem o patrocínio de Crown Brand-Building Packaging, Grupo Gerdau, Renner Coatings, Grupo Iesa, Grupo Savar, Grupo GPS, Itaú, CEEE-D Equatorial Energia, DLL Group, Lojas Renner, Sulgás e Unifertil, e apoio de Instituto Ling, Ventos do Sul Energia, Dell Technologies, Digicon/Perto, Golden Lake Multiplan, Hilton Hotéis, Laghetto Hotéis, Coasa Auditoria, Syscom e Isend, com realização e financiamento da Secretaria Estadual de Cultura/ Pró-Cultura RS e da Secretaria Especial da Cultura – Ministério da Cidadania / Governo Federal.

Cronograma

7 de agosto | Domingo | 17h
Grupo: Cordas ao Ventos
Tema: Atmosferas

4 de setembro | Domingo | 17h
Grupo: Quinteto de Sopros
Tema: Música Brasileira

2 de outubro | Domingo | 17h
Grupo: Um Duo de Três e convidado
Tema: Uma passagem pela história da música

6 de novembro | Domingo | 17h
Grupo: Lieder e Canções
Tema: Lieder e Canções

4 de dezembro | Domingo | 17h
Tema: Especial de Natal

Foto: Nilton Santolin/Divulgação | Fonte: Assessoria
03/08/2022 0 Comentários 1,1K Visualizações
Cultura

Fundação Iberê promove oficina de xilogravura e visita arquitetônica mediada neste sábado

Por Ester Ellwanger 26/05/2022
Por Ester Ellwanger

No próximo sábado, 28, a Fundação Iberê celebra os 14 anos de inauguração do prédio, localizado na Avenida Padre Cacique, com uma Oficina de Xilogravura. A atividade ocorre às 15h, com inscrição gratuita, pelo link.

A xilogravura consiste em uma gravura na qual se utiliza uma madeira como matriz, possibilitando a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. O processo é muito parecido com o carimbo. Nesta técnica, a madeira é entalhada com a ajuda de um instrumento cortante, formando a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Em seguida, com um rolo de borracha embebido com tinta, toca-se apenas as partes elevadas do entalhe.

No domingo, 29, o Programa Educativo realiza duas visitas arquitetônicas mediadas pela Fundação Iberê, considerada uma das mais importantes obras de Álvaro Siza, que recebeu o Troféu Leão de Ouro da 8ª Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, e o Mies Crown Hall Americas Prize, em 2014. As atividades ocorrem às 15h e às 17h, com limite de 20 pessoas por horário. As inscrições gratuitas devem ser feitas pelos seguintes links:

• Visita às 15h: encurtador.com.br/hvDN9
• Visita às 17h: encurtador.com.br/bmtuQ

Sonho realizado

Por toda a vida, Iberê e Maria Camargo tiveram todos os cuidados para que as obras do pintor perpetuassem intactas. Trataram de formar uma coleção completa, documentaram cada passo, chamaram fotógrafos e deixaram todas as pistas para uma boa reconstituição biográfica.

O sonho de ter a própria Fundação estava delineado antes mesmo da morte de Iberê, em 1994, e sua viabilização foi muito rápida. No ano seguinte já ocupava a casa-atelier, no bairro Nonoai. Artistas convidados mantinham a prensa de gravuras funcionando, curadores selecionavam obras para expô-las na “casa-fundação” e pesquisadores, curadores e críticos foram envolvidos em um processo de pesquisa, catalogação e discussão dos destinos do centro cultural.

Visita gratuita

De quinta a domingo (26 a 29), das 14h às 18h (última entrada) a Fundação Iberê abre gratuitamente para visitação.

Serviço

Visitação gratuita

De 26 a 29 de maio | Quinta a domingo
Horário: 14 às 18h (última entrada)
Informações: http://iberecamargo.org.br/

Oficina de Xilogravura

Quando: 28 de maio | Sábado | 15h
Número de vagas: 12
Público-alvo: maiores de 16 anos
Local: Fundação Iberê – Avenida Padre Cacique, 2000 – Bairro Cristal
Inscrições gratuitas: através do link encurtador.com.br/qyG07

Visita arquitetônica mediada

Quando: 29 de maio | Domingo | 15h e 17h
Vagas por turma: 20
Público-alvo: maiores de 16 anos
Inscrições gratuitas: para visita às 15h encurtador.com.br/hvDN9;  para visita às 17h, encurtador.com.br/bmtuQ.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
26/05/2022 0 Comentários 948 Visualizações
Cultura

Magliani será homenageada pela Fundação Iberê com uma grande exposição que resgata 50 anos de produção

Por Stephany Foscarini 13/03/2022
Por Stephany Foscarini

No dia 19 de março (sábado), às 14h, a Fundação Iberê inaugura uma grande e inédita exposição de Maria Lídia Magliani (1946-2012). “Magliani” reunirá cerca de 200 obras provenientes de mais de 60 coleções, incluindo os principais museus do Brasil como Museu de Arte do Rio, Museu Afro Brasil, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAC-USP, MAC-RS, Museu de Arte de Santa Catarina, MARGS, Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Pelotas) e Fundação Vera Chaves Barcellos (Viamão). Com curadoria de Denise Mattar (SP) e de Gustavo Possamai (RS), a mostra inclui trabalhos desde a época de estudante – início dos anos 1960 – até 2012, ano de seu falecimento.

A obra de Magliani é um desafio. Não é uma arte fácil, é feita para incomodar, para fazer refletir. A artista estava interessada nas questões humanas, nas relações entre os seres, nos problemas e no sofrimento inerente à existência: o desencontro, o desamor, a hipocrisia da sociedade, o medo da solidão”.

“A obra de Magliani é um desafio. Não é uma arte fácil, é feita para incomodar, para fazer refletir. A artista estava interessada nas questões humanas, nas relações entre os seres, nos problemas e no sofrimento inerente à existência: o desencontro, o desamor, a hipocrisia da sociedade, o medo da solidão. A apresentação de seu trabalho na Fundação Iberê, torna inevitável o paralelo com pintor. Em 1993, Iberê disse: ‘Eu não nasci para brincar com a figura, fazer berloques, enfeitar o mundo. Eu pinto porque a vida dói’. Uma frase que poderia ser de Magliani, que, em 1997, escreveu: ‘Eu gostaria de dizer às pessoas que veem os meus quadros: ‘Sinto muito senhores, não é agradável’”, destaca Denise, que conheceu Maria Lídia Magliani em 1987. Ela era diretora técnica do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e a artista participou do Panorama da Arte Brasileira. Anos mais tarde, em 2004, a curadora reencontrou Magliani no Rio de Janeiro, onde fez a apresentação da exposição Trabalho Manual.

Magliani foi uma artista rara e merece todo reconhecimento. Por isso, garimpamos e reunimos o máximo de obras possível, sem medir esforços”.

Como lembra Gustavo Possamai, responsável pelo acervo da Fundação Iberê: “Magliani foi uma artista rara e merece todo reconhecimento. Por isso, garimpamos e reunimos o máximo de obras possível, sem medir esforços. Promovemos a restauração de muitas delas, reunimos escritos e depoimentos seus e de quem escreveu sobre seu trabalho, revisamos e ampliamos sua cronologia. É nossa forma de contribuição para a redescoberta de seu trabalho.” Possamai conta que, durante o processo de pesquisa, foi encontrada uma carta de Iberê para Magliani, datada de 1992, na qual o pintor escreveu: “Nós dois temos a mesma meta, o mesmo ideal, a mesma devoção. Haveremos de deixar nossos rastros neste chão em que nascemos.” Um depoimento precioso que reitera a oportunidade dessa exposição.

“…pinto a solidão no meio da cidade… a solidão do consumo”

Nascida em 25 de janeiro de 1946, na cidade de Pelotas, Magliani veio morar em Porto Alegre, com 4 anos de idade. As informações sobre a família são esparsas. Seu avô era italiano, decorador de paredes; o pai era servidor público e a mãe fazia serviços domésticos. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela família, desde a adolescência gostava de ler, de ouvir música, de ir ao cinema, ao teatro, de desenhar e de pintar.

Magliani formou-se em Artes Plásticas pelo Instituto de Artes da UFRGS, mas se autodenominava pintora: “artista plástico faz muita coisa; eu só pinto, desenho, gravo, tudo derivado da pintura”. Apesar da afirmação, ainda na década de 1960, trabalhou em teatro, ilustrando capas de programas, fazendo cenografia e atuando em peças, como “A Celestina” (1970), de Fernando Rojas; “As Criadas” (1969), de Jean Genet, e “O negrinho do pastoreio” (1970), de Delmar Mancuso, nesta última como protagonista. Em 1969, em parceria com Francisco Aron, criou o “Espaço de Arte”, no corredor do Teatro Aldeia II, onde expôs pinturas. Também se interessava por moda, e apreciava customizar, costurar e tricotar o que vestia.

Outra área de atuação foram os jornais, onde trabalhou, nos anos 1970, como diagramadora e ilustradora, ofício retomado em algumas mudanças de cidade posteriormente. Os jornais foram Folha da Manhã, Diário de Notícias, Zero Hora e Folha de São Paulo, entre outras participações e ilustrações.

Magliani deixou de residir em Porto Alegre em 1980, morou em São Paulo, em Tiradentes, Minas Gerais e no Rio de Janeiro, mas nunca se desligou nem de Porto Alegre e nem de sua terra natal, Pelotas, realizando regularmente exposições nessas cidades.

Sua produção é intensa e vigorosa e a exposição apresenta um panorama bastante consistente de seu trabalho. A mostra é complementada por uma publicação dividida em dois volumes: o primeiro deles concebido como um catálogo de obras, e o segundo reunindo entrevistas e textos de Magliani, algumas de suas cartas, textos sobre ela de autores como: Teniza Spinelli, Celso Marques, Carlos Scarinci, Angélica de Moraes, Maria Amélia Bulhões, entre outros.

Reunindo um volume significativo de obras, a exposição apresenta trabalhos de todo o percurso de Magliani, organizados de forma cronológica e mostrando as alterações que sua obra foi sofrendo ao longo dos anos. Para compartilhar com o público a instigante personalidade da artista e sua multiplicidade, o trajeto da mostra é complementado com algumas frases e fotos da artista em vários momentos de sua vida.

Na sequência são apresentadas pinturas do início de sua carreira, de 1964 a 1967, caracterizadas por um clima melancólico e lírico, com a inserção das frases poéticas riscadas sobre a tinta: A espera do canto (c.1965/1966), O mesmo corpo com som de primavera (1966), Autorretrato na nuvem (1966), Eu tenho a flor (1967) e Eu sou a inútil pureza nascida de dois silêncios (1967) são algumas delas.

Em 1968 há uma mudança significativa na obra da artista, na qual ela se descreve como uma “delatora do desencontro”. É uma fase de passagem, influenciada pela pop art com trabalhos, como Segundo canto para o amigo triste e As portas fechadas da cidade.

Era um período difícil da ditadura militar e a convivência com a censura nas redações influencia a obra de Magliani. Seu repertório torna-se mais drástico, e, em 1976, ela faz a exposição Anotações para uma história, no MARGS. Foi um choque! A sociedade gaúcha não estava preparada para o que viu, e rejeitou com veemência o trabalho. No ano seguinte, levou ainda mais longe sua proposta realizando a série Elas, com grotescas mulheres seminuas, imensamente gordas, que ela considerava uma espécie de retrato interior da humanidade, e dizia: “Minha intenção é fazer a figura sair da tela, se derramar por cima da gente, sufocando”. A série, muito bem representada na retrospectiva, chamou a atenção dos críticos Jacob Klintowitz e Marc Berkowitz e foi determinante para a mudança da artista para São Paulo. Antes de ir embora, realizou na Galeria Independência, em Porto Alegre, a exposição Brinquedo de armar, reunindo desenhos e pinturas, sobre as quais dizia: “Acho que a mulher é o brinquedo mais armado e desarmado constantemente. Mas considero que todo mundo é, ou pode ser, um brinquedo de armar.”

O período de 1980 a 1988, o mais marcante da carreira da artista, coincide com o tempo em que ela residiu em São Paulo. Lá produziria as séries Retratos falados, Crônica do amanhecer e Discussões com Deus. Abandonando os tons sépia, passa a usar cores vibrantes e ácidas; mescla lápis de cor, de cera, pastel, grafite e até materiais de maquiagem, como corretivo e delineador, e muda o tratamento da pintura, usando a tinta acrílica e adotando pinceladas ágeis e gestuais, como traços de desenho, num processo que imprime movimento ao trabalho. É um momento no qual a obra de Magliani conversa de perto com a de Francis Bacon, atingindo o ápice de contundência e visceralidade da pintora. Retorcidos e distorcidos, corpos e rostos se desfazem e refazem, em movimentos bruscos.

Seus trabalhos são apresentados no Panorama do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Bienal de São Paulo, e, em 1987, Evelyn Ioschpe promove no MARGS uma mostra de caráter retrospectivo: Auto-retrato dentro da jaula. Dez anos depois da rejeição que sofrera, Magliani foi acolhida pelo público de sua cidade como uma estrela, a mais importante artista gaúcha de sua geração. O público poderá ver novamente todas essas séries, hoje integrando coleções de museus como Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM-SP e MAC-USP.

Em 1989, ela já estava cansada da violência e da poluição e queria fazer pinturas em um lugar mais tranquilo. Escolheu a pequena e histórica Tiradentes (MG). Lá, suas pinturas revelaram a solidão das montanhas, retomando os tons terrosos, nas séries em Gerais, Madrugada insone e Acumulações. A artista também desenvolve, nesse período, uma série de cabeças, que são esculturas em madeira e papel machê.

Em 1997, mais uma mudança, agora para o Rio de Janeiro, mais especificamente o bairro de Santa Tereza. Passou a frequentar o Estudio Dezenove, onde conheceu Julio Castro, que viria a se tornar colega, amigo, e, finalmente, o principal guardião de sua obra, após seu falecimento.

Em 1999, Magliani retornou a Porto Alegre, onde ministrou algumas aulas e oficinas de pintura e papel machê. A passagem pela capital gaúcha durou um ano. No ano 2000 voou para o Rio de Janeiro. Com tantas mudanças a produção de Magliani diminui, mas há séries marcantes nesse período: em Gerais, Madrugada insone, Acumulações e Alfabeto, trabalho que deriva para as figuras recortadas das séries Retratos de Ninguém e Todos. A partir de 2009 é intensa sua produção de gravuras, impressas no Estudio Dezenove por Julio Castro. Um dos sonhos, Fábula, Da noite e O poeta são algumas delas. Curiosamente, ao lado desse mergulho no universo monocromático, denso e expressionista da gravura, Magliani desenvolve a série mais colorida e lúdica de toda a sua carreira. São pinturas realizadas em estridentes cores acrílicas, recortes em madeira e objetos. Uma parte desse conjunto, sob o título My baby just cares for me, foi apresentada em exposição individual da artista, no Museu Imaginário, em Bruxelas, Bélgica.

Todos esses momentos, apresentados em conjunto, revelam com clareza a excelência da obra de Maria Lídia Magliani, que começa a ser redescoberta também internacionalmente.

Magliani humanista

Apesar de pessoalmente engajada na luta pelos direitos humanos, Magliani não admitia que sua obra fosse interpretada como política ou identitária. Era intransigente nessa questão. São muitas as declarações dela a esse respeito. “Meu interesse é pelo que as pessoas sentem, não pelo que elas pensam […] Tenho preocupação com a vida, com a humanidade em geral. Nada a ver com raça específica, religião, nada. Uma coisa que é comum a todo mundo. A essência humana é igual para todos. O que interessa é isso. Todos os outros acréscimos: nacionalidade, cor, ideologia, credo, preferência sexual, time de futebol, tudo isso é acessório.”

Dentro dessa atitude de defesa da autonomia da sua obra, acima de qualquer circunstância, está também a rejeição a todo tipo de abordagem referenciando seu trabalho à negritude. “Por que sempre me perguntam como é ser negra e ser artista? Ora, é igual ao ser de qualquer outra cor. As tintas custam o mesmo preço, os moldureiros fazem os mesmos descontos e os pincéis acabam rápido do mesmo jeito para todo mundo.” A posição de Magliani sempre foi candente nessa questão, e ela afirmava, desassombradamente, que era contrária a guetos. Na publicação da UFRGS, Nós, os afro-gaúchos, de 1997, fez a seguinte declaração, quase um manifesto: “Sou brasileira, nascida no Rio Grande do Sul. Isto é o bastante. Não quero escolher uma raça em função da cor da minha pele. Não quero ser fatiada, dividida em porções, me aceito como soma.”

Uma lutadora, sem medo de desafios, que, entre divertida e séria, dizia: “Minha mãe falava: ‘Não se pode dar um passo maior que as pernas.’ Então vou ficar sentada, não vale a pena caminhar? Qual é a graça? Dar um passo maior que as pernas sempre. Romper expectativas, e os estereótipos principalmente.”

Maria Lídia Magliani faleceu na noite de 21 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, vítima de uma parada cardíaca.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
13/03/2022 0 Comentários 848 Visualizações

Edição 308 | Jul 2026

Entrevista | Guilherme Viezzer fala sobre a automação e a IA no mercado supermercadista

Cooperativismo | Modelo de negócios que transforma comunidades

Cidades| São Leopoldo comemora sua história e projeta desenvolvimento

Educação | Da sala de aula para a vida: a educação financeira que muda hábitos

Acompanhe a Expansão

Facebook Twitter Instagram Linkedin Youtube

Notícias mais populares

  • 1

    Saúde alerta para aumento de casos de síndrome gripal em Canela

  • 2

    Cultura, arte e bons negócios: conheça os atrativos da 10ª Expocande

  • 3

    Cidades atendidas pelo Sebrae RS são destaque em ranking nacional de desburocratização

  • 4

    Defesa Civil estadual atualiza previsão para os próximos dias no RS

  • 5

    Defesa Civil reforça monitoramento por previsão de chuva em Novo Hamburgo

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Linkedin
  • Youtube
  • Email

© Editora Pacheco Ltda. 1999-2022. Todos os direitos reservados.


De volta ao topo
Expansão
  • INÍCIO
  • NOIVAS
  • CATEGORIAS
    • Business
    • Cidades
    • Cultura
    • Ensino
    • Gastronomia
    • Moda e beleza
    • Projetos especiais
    • Saúde
    • Variedades
  • EDIÇÕES ONLINE
  • Bicentenário
  • SOBRE
  • ASSINE
  • FALE CONOSCO