O Hospital Sapiranga reforça, neste domingo (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, a importância de conversar em família sobre o desejo de ser doador e esclarecer dúvidas sobre o processo de doação. A iniciativa busca ampliar a compreensão sobre a morte encefálica, os procedimentos para confirmação do diagnóstico e as etapas que antecedem a doação, já que, no Brasil, a autorização depende da família do paciente.
Quando uma pessoa está internada em estado grave, especialmente após uma lesão cerebral, a equipe médica pode iniciar a investigação de uma possível morte encefálica. Diferentemente do coma, a condição representa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, incluindo o tronco encefálico. Mesmo que o coração continue batendo temporariamente com o auxílio de equipamentos, a pessoa já faleceu.
O diagnóstico segue critérios médicos e avaliações realizadas por profissionais habilitados, além de exames previstos no protocolo. Depois da confirmação e da comunicação do óbito à família, a possibilidade de doação pode ser apresentada. Caso os familiares autorizem, são realizadas avaliações para identificar quais órgãos e tecidos podem ser utilizados em transplantes, em articulação com a Central de Transplantes.
Etapas da doação
O presidente da e-Dot (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes) do Hospital Sapiranga, Pedro Lima, explica que a doação só é considerada após a confirmação da morte encefálica. “A prioridade da equipe médica é sempre salvar a vida do paciente. A possibilidade de doação somente é considerada quando todos os esforços para o tratamento foram realizados e a morte encefálica foi confirmada. A partir daí, a integração com a Central de Transplantes permite conduzir todas as etapas com segurança, agilidade e respeito”, explica Lima.
O atendimento aos familiares também integra o processo. Segundo o hospital, informações claras, tempo para compreender a situação e espaço para perguntas são necessários durante o momento de luto.
A psicóloga do Hospital Sapiranga, Viviana Mayer Blume, afirma que parte das dúvidas está relacionada à compreensão da morte encefálica. “Algumas famílias ainda têm dúvidas se existe possibilidade de recuperação ou se a doação poderia interferir nos cuidados oferecidos ao paciente. É importante compreender que a doação somente é abordada depois da confirmação da morte encefálica, seguindo todo o protocolo previsto. Antes disso, todos os esforços são direcionados ao tratamento do paciente”, esclarece Viviana.
Autorização familiar
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização dos familiares. Por isso, comunicar previamente a intenção de ser doador pode ajudar a família no momento em que precisar tomar a decisão. “Quando a pessoa já conversou sobre o assunto e deixou claro que gostaria de ser doadora, a família não precisa tomar essa decisão apenas com base em suposições. Ela passa a conhecer a vontade daquele familiar. Em um momento de extrema fragilidade, isso pode tornar a decisão mais consciente e também ajudar a dar um novo significado à perda”, afirma Viviana.
Para a psicóloga, o Dia Nacional da Doação de Órgãos também pode ser utilizado para incluir o tema nas conversas familiares. “Falar sobre doação é falar sobre vida, solidariedade e cuidado. Uma conversa feita hoje pode, no futuro, representar uma nova chance para alguém que aguarda por um transplante”, acrescenta Viviana.
O Hospital Sapiranga orienta que o diálogo e o acesso a informações sobre a doação podem contribuir para que o processo seja compreendido pelas pessoas que desejam ser doadoras e pelos familiares responsáveis pela autorização.
Mais detalhes podem ser obtidos pelo telefone (51) 3599-8100 ou pelo site hospitalsapiranga.com.br.


