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Cidades

PGM atua contra RGE por falhas no fornecimento de energia em Novo Hamburgo

Por Ester Ellwanger 13/08/2026
Por Ester Ellwanger

A atuação da Procuradoria-Geral do Município (PGM) de Novo Hamburgo resultou em uma importante decisão judicial em defesa da população hamburguense e da qualidade do serviço de distribuição de energia elétrica na cidade. Em sentença proferida nesta quarta-feira, 12 de agosto, a 1ª Vara Cível da Comarca de Novo Hamburgo julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados pelo Município em Ação Civil Pública contra a RGE Sul Distribuidora de Energia S.A.

O processo, ajuizado ainda em 2015, teve atuação da PGM ao longo de sua tramitação, incluindo o trabalho do subprocurador Bruno Brinker, titular da Subprocuradoria de Assuntos Estratégicos. A demanda buscou responsabilizar a concessionária por problemas históricos relacionados à qualidade e à continuidade do fornecimento de energia elétrica e assegurar medidas estruturais capazes de reduzir os impactos das interrupções sobre moradores e serviços públicos essenciais.

A sentença foi do juiz Marco Antônio Preis, da 1ª Vara Cível da Comarca de Novo Hamburgo, nesta quarta-feira, 12 de agosto. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

Pontos centrais

Entre os elementos apresentados pelo município estavam a demora recorrente no restabelecimento da energia, a precariedade de parte da rede elétrica e os reflexos das interrupções sobre estruturas estratégicas da cidade. Na época do ajuizamento, dos 27.685 postes existentes em Novo Hamburgo, 14.602 eram de madeira e 2.401 estavam escorados por talas. A documentação também apontava multas regulatórias que, ao longo de dez anos, superavam R$ 28 milhões.

Um dos pontos centrais defendidos pela Procuradoria envolveu a Casa de Bombas do bairro Santo Afonso. A estrutura é responsável pela proteção de milhares de moradores contra cheias do Rio dos Sinos e possui capacidade para retirar cerca de 2,6 mil litros de água por segundo. As interrupções de energia, conforme sustentado pelo Município no processo, poderiam comprometer seu funcionamento e colocar em risco aproximadamente 40 mil pessoas.

Ao analisar as provas produzidas durante o processo, incluindo perícia técnica, o Judiciário reconheceu que eventos climáticos extremos podem caracterizar força maior em situações específicas. No entanto, a sentença concluiu que os problemas no fornecimento não estavam restritos a episódios extraordinários. Conforme a decisão, ficou demonstrada uma deficiência crônica, contínua e estrutural do serviço em períodos de normalidade, inclusive com descumprimento, por anos consecutivos, de indicadores de continuidade estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Para Brinker, a decisão representa o reconhecimento de um trabalho técnico construído ao longo de anos e, principalmente, reforça a proteção do interesse coletivo. “Esta é uma ação que exigiu acompanhamento permanente, produção de provas e demonstração técnica de que os problemas enfrentados pela população não estavam relacionados apenas a situações climáticas excepcionais. A decisão reconhece a necessidade de medidas estruturais e permanentes para qualificar a prestação de um serviço público essencial e proteger os consumidores e estruturas estratégicas do Município”, destaca o subprocurador.

Modernização da rede e atendimento prioritário

A decisão determina que a concessionária mantenha, de forma contínua e permanente, um cronograma de substituição de equipamentos deficientes ou obsoletos, incluindo postes, transformadores e estruturas relacionadas à rede elétrica, além da manutenção periódica das subestações que abastecem Novo Hamburgo. O prazo estabelecido para cumprimento das adequações é de 180 dias. Após este período, novos episódios de descumprimento poderão gerar multa de R$ 10 mil por hora de interrupção ou atraso no atendimento das demandas de restabelecimento, observados os limites fixados na sentença.

Outro resultado obtido a partir da ação proposta pelo Município é a determinação para que a RGE mantenha um canal direto, ágil e permanente de comunicação com a Defesa Civil e com os gestores da Casa de Bombas do Santo Afonso. O objetivo é garantir informações prioritárias sobre riscos, falhas e previsão de restabelecimento da energia. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 3 mil por hora sem contato ou em caso de respostas automatizadas às solicitações municipais.

A concessionária também terá prazo de até 90 dias para promover as adequações técnicas necessárias e manter os indicadores coletivos DEC e FEC dentro dos limites anuais definidos pela Aneel. O descumprimento poderá resultar em multa de R$ 50 mil por mês.

Indenização e direitos dos consumidores

Além das obrigações relacionadas à infraestrutura e à prestação do serviço, a RGE foi condenada ao pagamento de R$ 300 mil por danos sociais, valor que deverá ser destinado ao Fundo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Novo Hamburgo. O montante será corrigido pelo IPCA e acrescido dos encargos definidos judicialmente.

Na fundamentação, o Judiciário considerou a gravidade dos impactos provocados pelas falhas no fornecimento, incluindo riscos aos serviços de drenagem e saneamento, à segurança e à qualidade de vida da população. A sentença também levou em consideração o histórico de problemas estruturais e de descumprimento de indicadores regulatórios.

A decisão reconheceu ainda a responsabilidade da concessionária pelos danos morais individuais homogêneos decorrentes de interrupções injustificadas e prolongadas no fornecimento de energia, ressalvados os períodos em que tenham sido comprovados eventos climáticos extremos.

Com isso, consumidores que tenham sido efetivamente prejudicados poderão buscar, individualmente, a liquidação e execução da indenização, desde que comprovem a condição de atingidos e a relação entre o prejuízo sofrido e a falha na prestação do serviço.

Para assegurar que a população tenha conhecimento da decisão e possa exercer seus direitos, a sentença também determinou que, após o trânsito em julgado, a parte dispositiva seja publicada pela concessionária em destaque na página inicial de seu site por pelo menos 30 dias e divulgada duas vezes em jornal de grande circulação local. O descumprimento prevê multa diária de R$ 10 mil.

Trabalho jurídico ao longo de mais de uma década

A sentença consolida uma atuação jurídica desenvolvida ao longo de mais de dez anos, com produção e análise de documentos, acompanhamento de perícia judicial, manifestações técnicas e participação nas diferentes etapas da instrução processual. O processo contou ainda com atuação do Ministério Público e realização de audiências antes do julgamento.

Segundo Brinker, o resultado também evidencia a importância da atuação do Município na defesa de direitos que ultrapassam interesses administrativos e alcançam diretamente a população. “A Procuradoria atua para defender o Município, mas também para assegurar que serviços públicos essenciais sejam prestados dentro dos padrões exigidos e que os direitos da coletividade sejam respeitados. Neste caso, estamos falando de energia elétrica, mas também de segurança, drenagem, abastecimento e da própria qualidade de vida dos hamburguenses”, reforça.

Foto: Thiago Dorscheid/Divulgação | Fonte: Assessoria

13/08/2026 0 Comentários 125 Visualizações
Cidades

Prefeitos do Litoral Norte pedem solução à CEEE Equatorial para falta de luz na região

Por Marcel Vogt 18/07/2023
Por Marcel Vogt

A situação da falta de energia elétrica em dezenas de localidades nos municípios do Litoral Norte do RS, decorrentes do ciclone extratropical da última semana, levaram 13 prefeitos a uma reunião nesta segunda-feira (17), de julho de 2023, na sede da CEEE Grupo Equatorial em Porto Alegre. Eles foram recebidos pelo diretor-presidente da entidade, engenheiro Raimundo Barretto Bastos, e diretores técnico, administrativo e comercial, que ouviram dos prefeitos as principais reclamações neste setor.

“Estamos com nossas comunidades sem luz desde quinta-feira, dia 13 de julho, prejudicando o funcionamento do comércio, unidades de saúde e famílias em suas residências”, destacou a presidente da Amlinorte, prefeita Márcia Tedesco, de Balneário Pinhal. Os prefeitos relataram aos técnicos cada situação de seus municípios, na expectativa de que os atendimentos aconteçam com mais agilidade.

A CEEE Equatorial ouviu os relatos e apresentou um plano de ampliação das subestações de Torres, Arroio do Sal, Terra de Areia, Capão da Canoa, Osório, Santo Antônio da Patrulha, Balneário Pinhal e Capivari do Sul. A empresa também se comprometeu a dar um retorno rápido para a regularização da atual falta de energia elétrica nas cidades atingidas pelo ciclone extratropical. Participaram da reunião os municípios de Balneário Pinhal, Capão da Canoa, Caraá, Capivari do Sul, Cidreira, Dom Pedro de Alcântara, Itati, Maquiné, Santo Antônio da Patrulha, Terra de Areia, Três Cachoeiras, Três Forquilhas e Morrinhos do Sul.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
18/07/2023 0 Comentários 528 Visualizações

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