A Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Luiza Maria Binfaré Cesar, de Eldorado do Sul, retornou na última semana à Casa Cooperativa, em Nova Petrópolis, dois anos após receber apoio do espaço durante as enchentes de 2024. O reencontro com a instituição que participou da mobilização de auxílio à escola após a tragédia climática ocorre em um momento em que a comunidade escolar desenvolve sua própria cooperativa estudantil, criada no fim do ano passado com a participação dos alunos.
A escola foi uma das beneficiadas pelo programa “Adote uma Escola”, criado pela Casa Cooperativa durante a crise climática que atingiu o Rio Grande do Sul. Na época, a iniciativa arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão e auxiliou mais de 100 escolas gaúchas com doações de equipamentos, materiais e itens essenciais para a retomada das atividades. A instituição de Eldorado do Sul recebeu eletrodomésticos, utensílios e diversos materiais para reconstrução do ambiente escolar após os danos causados pela enchente.
Reencontro após dois anos
O retorno à Casa Cooperativa aconteceu em circunstâncias diferentes das vividas em 2024. Desta vez, a escola não buscava auxílio, mas levou seus estudantes para conhecer o local considerado o berço do cooperativismo de crédito na América Latina e apresentar o trabalho desenvolvido por meio da cooperativa escolar criada na instituição.
Segundo a vice-diretora Jane Mello, o simbolismo do encontro só foi percebido durante a visita. “Até o momento em que vi o Paulo e começamos a conversar, eu ainda não tinha me dado conta de que, exatamente dois anos após o desespero total, estávamos nos reencontrando para compartilhar a realização dos nossos alunos na cooperativa escolar que iniciou no final do ano passado na nossa escola”, expressou Jane.
Da reconstrução à cooperação
A visita também evidenciou a mudança vivida pela comunidade escolar desde a enchente. Há dois anos, a escola enfrentava perdas materiais e incertezas decorrentes da inundação. Agora, os estudantes tiveram contato com a história do cooperativismo e com conceitos ligados à ajuda mútua, à participação comunitária e à cooperação.
Atualmente, a escola desenvolve atividades relacionadas à cooperativa escolar, promovendo entre os alunos conceitos de colaboração, pertencimento e educação financeira dentro do ambiente educacional.
Durante o roteiro, os estudantes conheceram objetos históricos, ouviram relatos sobre a origem do cooperativismo e aprenderam sobre o impacto da cooperação no desenvolvimento das comunidades. “A curiosidade deles sobre como tudo começou foi muito bonita. Eles se encantaram ao ver objetos antigos que hoje já não conhecem mais. E também compreenderam como podemos ajudar uns aos outros, crescer pessoalmente e financeiramente, sempre respeitando e apoiando as outras pessoas”, afirmou a vice-diretora.
Visita ao patrimônio cooperativista
Além da Casa Cooperativa, os alunos visitaram o Memorial Amstad e outros marcos históricos da Linha Imperial, em Nova Petrópolis. A região é reconhecida internacionalmente como patrimônio cultural do cooperativismo mundial e reúne locais ligados à história do movimento cooperativista no Brasil e na América Latina.

