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Arco

Business

Certificação da lã gaúcha alcança quase 600 mil quilos em quatro safras

Por Ester Ellwanger 31/07/2026
Por Ester Ellwanger

A certificação da lã gaúcha alcançou quase 600 mil quilos em quatro safras desde o início do programa conduzido pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Os resultados foram apresentados nesta quinta-feira, 30 de julho, durante o 3º Dia da Lã, realizado na sede do Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento.

Na abertura, o presidente da Arco, Edemundo Gressler, afirmou que a cadeia iniciou uma nova etapa após um período no qual a lã perdeu participação na renda das propriedades. Segundo ele, a certificação acrescenta critérios técnicos ao conhecimento acumulado por gerações de criadores na seleção para peso, brancura dos velos e qualidade das fibras. “A lã pagava as contas e, depois, deixou de pagar. Passamos por um período de muita timidez, até percebermos que algo precisava ser feito”, afirmou Gressler. O presidente também informou que o Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil e defendeu o avanço na identificação, na qualificação e na apresentação dos lotes.

 

Primeira Palestra

A primeira palestra técnica abordou o mercado mundial da lã. O responsável pelo Departamento de Lãs da Zambrano & Cia e presidente da União de Consignatários e Rematadores de Lã do Uruguai, Santiago Onande, analisou a oferta, a demanda e os preços nos últimos dez anos. Depois das cotações elevadas entre 2017 e 2018, o mercado foi afetado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, pela pandemia, pela inflação, pelos juros altos e pelos conflitos internacionais. A retração do consumo provocou o acúmulo de estoques em propriedades e empresas exportadoras de diferentes países.

Entre 2020 e 2025, a procura permaneceu baixa e seletiva, com períodos nos quais os valores não cobriam os custos da tosquia. A indústria absorveu gradualmente os volumes armazenados, enquanto a redução dos rebanhos ovinos diminuiu a oferta mundial. Onande afirmou que 2026 apresenta estoques menores e demanda por diferentes categorias. “Hoje existe uma procura muito ativa por todas as lãs colocadas à venda, o que alcança produtores de diferentes raças e tipos de fibra”, relatou.

A menor disponibilidade está relacionada aos anos de baixa remuneração, à concorrência com outras atividades e à falta de mão de obra especializada. No Uruguai, os preços mais altos da carne também levaram produtores a reduzir os plantéis.

Segunda palestra

Na sequência, o gerente da barraca da Estancias Puppo S.A., Gonzalo Durán, e o gerente de certificações da empresa, José Luiz Trifloguio, trataram do recebimento da lã pela indústria uruguaia. A apresentação abordou classificação, acondicionamento, identificação dos lotes e exigências para a compra da matéria-prima.

Os cinco anos do Programa de Certificação da Lã Gaúcha foram apresentados pelo coordenador do trabalho, Sergio Muñoz, e pelo zootecnista e técnico da Arco na parceria com o Fundovinos, Leonardo Santos Farion. Muñoz lembrou que a iniciativa começou durante um dos períodos mais difíceis para a comercialização da fibra. “No início do programa, não tínhamos números para apresentar. Tínhamos um futuro a ser trabalhado. Hoje já temos uma realidade, embora ainda exista muito a fazer”, disse Muñoz.

Farion concentrou a maior parte da apresentação nos resultados técnicos e econômicos. A safra 2022/23 teve 120.130 quilos certificados. O volume passou para 190.661 quilos em 2023/24, ficou em 139.116 quilos em 2024/25 e chegou a 121.523 quilos em 2025/26.

Juntos, os quatro ciclos levaram o programa a quase 600 mil quilos de lã acondicionada. Farion avaliou que o total ainda representa uma parcela reduzida do potencial gaúcho, principalmente entre produtores que comercializam a fibra sem conhecer a finura, o rendimento ao lavado e a composição dos lotes. “Se não conhecermos a finura, o rendimento e a qualidade da lã, não temos como formar o preço. Muitos produtores ainda estão deixando dinheiro na propriedade por não medir e classificar o produto”, afirmou.

Os valores de referência apresentados variaram conforme a micronagem, medida que indica a espessura da fibra. As cotações foram de US$ 10 por quilo para lãs de 18 micra, US$ 8,50 para 20 micra, US$ 6,50 para 22 micra, US$ 5 para 24 micra, US$ 2,60 para 28 micra e US$ 2,40 para 31 micra, antes dos custos de frete e comercialização. Para Farion, a medição e a separação dos lotes interferem diretamente na remuneração. “A certificação converte precisão técnica em dólares. Quando o produtor conhece o produto, consegue negociar com dados e agregar valor ao mesmo rebanho”, explicou.

Dados apresentados durante a palestra indicaram que propriedades certificadas registraram, em 2024, aumento de 52,8% no valor líquido da lã e de 65,1% na receita por ovelha em relação ao ano anterior. Os resultados consideraram o acondicionamento, a análise laboratorial e a comercialização de lotes identificados.

Entre os próximos desafios estão ampliar a presença da lã certificada nos mercados interno e externo, aumentar a adesão de produtores e qualificar mais mão de obra especializada, especialmente nas comparsas. O programa também prevê capacitação integrada dos profissionais e a segunda edição do Manual de Normas de Acondicionamento, elaborado em parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Arco.

 

Apresentação

Após a apresentação, os produtores Fernando G. Martins, Edegar Faria e Raul Matias Telesca relataram experiências de comercialização dentro dos critérios da certificação gaúcha. Os depoimentos trataram das mudanças no preparo dos lotes, na negociação e nos valores recebidos.

 

Mesa redonda

Durante a mesa-redonda sobre a indústria brasileira, o mercado e as projeções, Gressler chamou atenção para a redução da oferta de ovinos e para os efeitos dos cruzamentos industriais voltados à produção de cordeiros. Segundo ele, a substituição de matrizes de raças laneiras pode comprometer, no futuro, a disponibilidade de lã qualificada no estado. “Lã e carne não são excludentes, mas precisamos olhar para o risco de substituir matrizes laneiras e nos afastar de um produto de qualidade que o Rio Grande do Sul já produz”, afirmou. Para o presidente, produtores, entidades e indústria precisam discutir formas de atender à demanda por carne sem perder o potencial têxtil dos rebanhos.

A programação foi encerrada com uma mesa-redonda sobre a participação das instituições e as perspectivas para a continuidade da certificação. O debate tratou da ampliação do programa e da articulação entre produtores, entidades e empresas. O 3º Dia da Lã foi uma ação do Termo de Fomento FPE 2787/2024.

 

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria

 

31/07/2026 0 Comentários 80 Visualizações
Business

Arco projeta ampliar participação de produtores no Programa Lã Certificada

Por Gabrielle Pacheco 25/07/2026
Por Gabrielle Pacheco

A ampliação da participação de produtores, principalmente os de menor escala, está entre os próximos desafios do Programa de Lã Certificada da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), que completa cinco anos. O tema estará entre os debates do 3º Dia da Lã, marcado para 30 de julho, na Associação e Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento (RS), com a presença de produtores, técnicos, pesquisadores, indústrias e representantes do setor.

O coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, lembra que a iniciativa começou durante a pandemia, período em que o comércio internacional da fibra enfrentou forte retração. “Começamos o programa em um dos piores momentos do comércio de lãs da história. Mesmo assim, tínhamos certeza de que os melhores dias viriam e de que não existia outro caminho senão certificar as nossas lãs”, afirma.

Experiência no exterior

A experiência acumulada ao longo de mais de três décadas no Uruguai e na Argentina com certificação e acondicionamento serviu de referência para a implantação do sistema brasileiro. Segundo Muñoz, a cooperação com técnicos uruguaios permanece e terá continuidade no evento, que contará com palestras de especialistas do país vizinho.

A adoção do modelo exigiu mudanças nas práticas de esquila, manipulação e acondicionamento da fibra. Muñoz afirma que a resposta econômica ajudou a ampliar a aceitação entre os produtores. “Fomos mostrando que estávamos no caminho certo. A melhor maneira de mudar uma cultura é mostrar o resultado no bolso do produtor. Felizmente, esse resultado veio”, ressalta.

De acordo com o coordenador, a diferença de remuneração é maior nas lãs finas e, em alguns casos, supera 100% na comparação com o produto esquilado e acondicionado pelo sistema convencional. “Estamos entregando à indústria uma matéria-prima pronta para produzir um produto final de muito mais qualidade”, observa.

Apesar do crescimento do programa, Muñoz aponta obstáculos para ampliar a adesão, como a formação de mão de obra especializada, uma participação maior da indústria brasileira e os custos logísticos enfrentados por pequenos criadores. “Queremos que o pequeno produtor participe cada vez mais. Muitos já investiram em genética e produzem lãs de excelente qualidade. Precisamos criar condições para que eles também agreguem valor ao seu produto por meio da certificação”, enfatiza.

A programação do Dia da Lã incluirá a apresentação de indicadores atualizados do programa, análises do mercado internacional e relatos de criadores que já obtêm remuneração diferenciada pela fibra certificada. Duas mesas-redondas também vão reunir representantes da indústria, esquiladores e produtores para discutir os principais gargalos da cadeia.

Muñoz considera esse debate um dos pontos centrais do encontro, pela possibilidade de reunir diferentes segmentos em torno dos entraves da atividade. “Vamos discutir mercado, mostrar números reais do programa e buscar soluções para os desafios que ainda temos. Acreditamos que a discussão entre todos os segmentos da cadeia será o momento mais importante do evento”, destaca.

O coordenador afirma ainda que os preços internacionais retornaram aos níveis registrados antes da pandemia. Segundo ele, a valorização nas diferentes finuras varia entre 60% e 70% na comparação com dois anos atrás. “Os preços são excelentes. Estamos chegando a uma nova safra com um cenário muito positivo e a certeza de que estamos no caminho certo”, conclui.

 

Foto: Artur Chagas /Divulgação | Fonte: Assessoria

25/07/2026 0 Comentários 80 Visualizações
Variedades

Arco orienta reforço no manejo de cordeiros durante o inverno gaúcho

Por Jonathan da Silva 13/07/2026
Por Jonathan da Silva

Os meses de julho, agosto e setembro, período de maior concentração de partos nos rebanhos comerciais do sul do Rio Grande do Sul, devem exigir atenção redobrada dos ovinocultores neste ano. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) orienta os produtores a reforçarem o manejo das matrizes e a proteção dos cordeiros recém-nascidos diante da previsão de intensificação do fenômeno El Niño, com aumento das chuvas, aliado às baixas temperaturas típicas do inverno. O objetivo é reduzir a mortalidade de animais nas primeiras horas de vida.

Segundo o inspetor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Frederico Rott, a principal preocupação é o chamado complexo exposição-inanição, considerado a principal causa de mortalidade de cordeiros logo após o nascimento. “O cordeiro passa de uma temperatura corporal em torno de 39 graus, no ventre da mãe, para uma temperatura ambiente próxima de zero e, muitas vezes, negativa. Quando isso se soma à chuva, a perda de calor é ainda maior”, explica Rott.

Nutrição das matrizes

De acordo com Rott, a condição nutricional das ovelhas no terço final da gestação influencia diretamente na sobrevivência dos cordeiros. “Se ele não tiver reservas corporais suficientes, terá dificuldade para levantar, buscar o úbere da ovelha e ingerir o colostro, o que é fundamental para fornecer energia e ajudá-lo a regular a temperatura corporal”, ressalta o inspetor técnico. Por esse motivo, o planejamento nutricional das matrizes deve fazer parte das estratégias adotadas antes do início das parições.

Entre as práticas recomendadas está a esquila pré-parto, realizada no último terço da gestação. Segundo o inspetor técnico, a retirada da lã estimula maior consumo de alimento pelas ovelhas no período de maior exigência nutricional do feto. “Com isso, o cordeiro nasce mais bem nutrido, com mais reservas corporais e maior capacidade de enfrentar as adversidades climáticas”, afirma Rott. A técnica também facilita o acesso do recém-nascido ao úbere durante a primeira mamada.

Proteção dos recém-nascidos

Quando a esquila pré-parto não é realizada, a Arco recomenda a limpeza da lã na região do períneo e do úbere das ovelhas, facilitando o acesso do cordeiro ao teto e contribuindo para a higiene no período pós-parto.

Outra orientação é disponibilizar locais protegidos para as parições. Bosques, galpões, mangueiras e estruturas improvisadas como quebra-ventos feitos com lonas ou bags reutilizados ajudam a reduzir a exposição ao frio e ao vento. “Quando conseguimos reduzir a ação do vento, a queda da temperatura corporal acontece de forma mais lenta. Isso aumenta o tempo de sobrevivência do cordeiro até que ele consiga realizar a primeira mamada”, conclui Rott.

Foto: Robispierre Giuliani/Divulgação | Fonte: Assessoria
13/07/2026 0 Comentários 113 Visualizações
Variedades

Fenovinos será realizada junto à Fenasul Expoleite em Esteio no mês de maio

Por Jonathan da Silva 27/03/2026
Por Jonathan da Silva

A 38ª Feira Nacional de Ovinos (Fenovinos) será realizada de 13 a 17 de maio, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, integrada à 19ª Fenasul e à 46ª Expoleite. Promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), a feira ocorrerá de forma conjunta com outros segmentos da pecuária, reunindo cadeias de corte, leite e ovinocultura em um mesmo ambiente, com foco na apresentação de animais, avaliação genética e ampliação da participação de criadores.

A mudança no formato insere a Fenovinos em uma programação unificada com outras feiras do setor, conectando diferentes cadeias produtivas e ampliando a exposição de animais e da genética. A proposta, segundo a organização, busca reposicionar o evento no calendário da pecuária e concentrar atividades em uma única agenda.

Integração entre cadeias

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, Edemundo Ferreira Gressler, a realização conjunta com a Fenasul Expoleite tem como objetivo ampliar a visibilidade da ovinocultura. “A ovinocultura estará inserida neste encontro das cadeias pecuárias, o que amplia a visibilidade e favorece a participação dos criadores”, afirma Gressler.

O dirigente também destacou a expectativa de participação na exposição. “Esperamos um número significativo de ovinos na exposição para mostrar a qualidade genética das raças”, projeta Gressler.

Organização do evento

A Fenasul Expoleite é promovida pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) e pela Secretaria Estadual da Agricultura (Seapi), com copromoção da Febrac, Farsul, Fetag e Prefeitura Municipal de Esteio. A programação completa do evento deve ser divulgada pelas entidades organizadoras nas próximas semanas.

Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação | Fonte: Assessoria
27/03/2026 0 Comentários 185 Visualizações

Edição 308 | Jul 2026

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