Semae de São Leopoldo testa produção própria de hipoclorito

Por Jonathan da Silva

O Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) de São Leopoldo iniciou os testes de um sistema próprio para produção de hipoclorito de sódio na Estação de Tratamento de Água (ETA) Imperatriz Leopoldina. A tecnologia será usada na etapa de desinfecção da água e permitirá substituir gradualmente o uso de cloro gás, atualmente empregado no processo. A iniciativa busca ampliar a autonomia do Semae e reduzir riscos relacionados ao transporte, armazenamento e manuseio do cloro gás.

Com o novo sistema, o hipoclorito de sódio será produzido in loco a partir de água, cloreto de sódio (sal) e energia elétrica. A solução desinfetante será gerada conforme a necessidade da estação e utilizada no tratamento, mantendo o atendimento aos padrões de qualidade da água distribuída.

A presidente do Semae, Cladis Magnani, afirma que a mudança amplia a autonomia da autarquia. “Essa melhoria representa maior autonomia ao Semae, que passa a produzir um componente químico. É um avanço no tratamento e também para todas as autarquias, mostrando que é possível implantar algo que gera impactos positivos a nossa comunidade, com investimento e uma equipe técnica qualificada”, expressa Cladis.

O sistema utiliza eletrólise. Primeiro, água e cloreto de sódio são misturados para formar uma salmoura. Em seguida, uma corrente elétrica é aplicada à solução, provocando reações eletroquímicas que resultam na formação de uma solução contendo hipoclorito de sódio. Depois, o produto é armazenado e dosado na água durante a desinfecção, de acordo com as necessidades operacionais.

O equipamento instalado na ETA Imperatriz Leopoldina é da Hidrogeron e possui operação automatizada para controlar a produção e a dosagem do desinfetante.

Redução de riscos

A substituição gradual do cloro gás pelo hipoclorito produzido na própria estação reduz os riscos associados à logística e ao armazenamento de produtos químicos clorados. O sistema também permite produzir o desinfetante de acordo com a demanda, acompanhando variações na vazão de água tratada e nas necessidades de dosagem.

A química e diretora de Operações do Semae, Juliana Chaves, explica que o projeto vem sendo estruturado nos últimos anos. “A adoção dessa tecnologia representa uma evolução nos processos de desinfecção em sistemas de abastecimento de água, proporcionando maior segurança aos operadores, maior controle operacional e melhores condições para a manutenção do residual de cloro ao longo da rede de distribuição”, detalha Juliana.

A produção próxima ao momento de utilização também reduz os efeitos da perda de concentração que pode ocorrer durante períodos prolongados de armazenamento de soluções comerciais de hipoclorito. A tecnologia permite ainda ajustar a dosagem e acompanhar o residual de cloro ao longo da rede de distribuição.

Capacidade do sistema

O equipamento foi dimensionado para produzir o equivalente a 300 kg de cloro ativo por dia. A estrutura possui capacidade para armazenar até 50 mil litros de solução, contribuindo para a continuidade da etapa de desinfecção.

A produção utiliza água, sal e energia elétrica, insumos necessários para a geração do hipoclorito. Segundo o Semae, a produção conforme a demanda pode otimizar custos relacionados à aquisição, transporte e armazenamento dos produtos usados no processo.

A geração dentro da própria estação também reduz a necessidade de transportar e armazenar grandes quantidades de produtos químicos, diminuindo os riscos associados à logística. A utilização dos insumos conforme a demanda da ETA é apontada pelo Semae como medida para uma operação mais eficiente.

Reforma da Estação

Para receber os equipamentos, o Semae reformou neste ano a Casa Química da ETA Imperatriz Leopoldina. A instalação dos equipamentos começou em 2025 e está na fase de ajustes e testes operacionais.

As equipes responsáveis pela operação passarão por treinamento específico para utilizar a tecnologia. Também serão realizados testes para avaliar o desempenho do sistema, ajustar os parâmetros de produção e dosagem e validar a operação nas condições reais da estação.

A substituição do cloro gás será feita gradualmente, conforme o avanço dos testes e a validação dos parâmetros operacionais. A previsão do Semae é que o novo sistema esteja plenamente operacional até o final de 2026.

Centenário do saneamento

A implantação ocorre no ano em que São Leopoldo completa 100 anos de tratamento e distribuição de água, em novembro. Pela primeira vez, o Semae terá geração própria de hipoclorito de sódio para utilização no processo de tratamento.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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