Para muitos, o primeiro emprego representa mais do que uma experiência profissional: é a chance de conquistar autonomia, ampliar horizontes e começar a construir o próprio futuro. No caso dos participantes do Programa Partiu Futuro Reconstrução, essa oportunidade significa dar os primeiros passos no mercado de trabalho com apoio e formação. A iniciativa prevê qualificação profissional e acesso ao mundo do trabalho para jovens em situação de vulnerabilidade social no Rio Grande do Sul.
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam do programa nesta segunda edição. Desse montante, 1.840 são atendidos pela Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), por meio da tecnologia social Demà Aprendiz, distribuídos em 30 cidades gaúchas. O Partiu Futuro é realizado pelo governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes). À Renapsi cabe a coordenação da formação teórica e o acompanhamento da atividade prática em órgãos públicos.
Após uma etapa inicial de capacitação, os participantes passam a conciliar a formação teórica, realizada uma vez por semana, com a prática profissional em órgãos estaduais e municipais, onde atuam quatro dias por semana. Parte dos aprendizes já iniciou as atividades práticas. É o caso de Izabella D’avila Antonelli, de 18 anos, moradora de Cachoeirinha. Desde fevereiro, ela atua no atendimento ao público e no agendamento de serviços no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Anair, na mesma cidade. A jovem vive com a mãe e três irmãos no bairro Jardim América.
A vaga marcou sua primeira experiência com carteira assinada. “Lá em casa todo mundo ficou muito feliz. Eu nunca tinha trabalhado antes e estava até com receio no início, porque hoje em dia a gente fica desconfiado de ofertas de vagas na internet. Mas quando vi que o programa era sério, fiquei muito contente com a oportunidade”, conta.
Além de ajudar na renda familiar, a jornada de quatro horas diárias permite que Izabella continue estudando e se preparando para o vestibular, já que concluiu recentemente o ensino médio. “Consigo trabalhar e ainda ter tempo para estudar. Penso em fazer faculdade no futuro. Já pensei em Administração, História, mas agora estou mais inclinada para a área de tecnologia, como Ciências da Computação ou Engenharia da Computação”, disse.
No CRAS, o contato direto com a comunidade tem sido um dos principais aprendizados. “A gente conhece muitas histórias e diferentes realidades. Isso nos faz entender melhor os direitos das pessoas e, também, perceber problemas que às vezes estão fora da nossa bolha.”
Outro diferencial são as aulas teóricas que acompanham a prática profissional. “Aprendemos coisas que parecem simples, mas que fazem muita diferença, como o pacote Office. Saber usar Word e Excel já abre muitas portas. No próprio trabalho eu já usei várias vezes”, afirma. Em casa, o apoio da família reforça a motivação. “Minha mãe está muito feliz. Além do salário, tem benefícios que ajudam bastante. Para nós, é uma grande conquista.”
Descobrindo novas habilidades
Em Viamão, o estudante Kennedy Kauã Cravo da Costa, de 15 anos, também vive a oportunidade do primeiro emprego por meio do Partiu Futuro Reconstrução. Aluno do primeiro ano do ensino médio, ele trabalha no atendimento ao público no CRAS do município. Morando com a mãe, irmãos e um tio, Kennedy conta que nunca havia trabalhado antes, mas sempre participou de cursos incentivados pela família. “Minha mãe sempre quis que eu me atualizasse para não ficar parado”, diz.
A experiência tem sido transformadora, principalmente no desenvolvimento pessoal. Para ele, a experiência tem significado de aprendizado constante. “Eu era muito quieto, ficava no canto e tinha vergonha de falar com as pessoas. Hoje já consigo me comunicar muito melhor, tanto com os colegas quanto com o público. Estou entendendo melhor o que é trabalhar e como funciona o ambiente profissional”, relata.
O estudante já projeta o futuro e acredita que o conhecimento adquirido agora pode abrir novos caminhos. “A área que eu mais gosto é computação. Aqui aprendi a usar programas como PowerPoint e Word, e isso me ajudou bastante. Eu gostaria de seguir nessa área mais para frente”, afirma. Em casa, a conquista é motivo de orgulho. “Minha mãe está super feliz. Para mim está sendo ótimo, tanto pelo curso e pelo trabalho quanto pelas coisas que a gente leva para a vida pessoal.”


