Com o propósito de ampliar o diálogo sobre os desafios e as oportunidades do país, a Fecomércio-RS realizou, na noite desta segunda-feira, dia 30, a primeira edição do Giro Pelo Rio Grande do ano, reunindo especialistas para refletir sobre o tema “Brasil em pauta: política, economia e os caminhos para 2026”. O evento gratuito ocorreu na Casa do Comércio Gaúcho e proporcionou uma análise plural dos cenários político e econômico, conectando tendências nacionais e seus impactos no desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
A abertura contou com a fala do secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre, Cezar Schirmer. Em seguida, o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destacou o papel da entidade na promoção do debate qualificado e na construção de propostas para o país. “Neste ano em que o Brasil se prepara para escolhas decisivas, este evento ganha um significado ainda maior. É o momento da sociedade civil, do empresariado e dos formadores de opinião debaterem com seriedade os rumos do nosso estado e da nossa nação”, afirmou. O presidente ainda chamou atenção para temas centrais ao desenvolvimento, como responsabilidade fiscal, eficiência do Estado e qualificação profissional. “O país só avançará de forma consistente se investir em educação, inovação e na qualificação da sua mão de obra”, completou.
Na sequência, o painel mediado pelo jornalista Guilherme Baumhardt reuniu o cientista político Fernando Schüler e o economista Marcelo Portugal, que trouxeram diferentes perspectivas sobre os desafios estruturais do Brasil.
Em suas falas, os painelistas convergiram na centralidade da agenda econômica. Para Marcelo Portugal, o país enfrenta um desafio fiscal relevante. “Existe um problema fiscal sério no Brasil, e será necessária uma reforma consistente, seja pelo lado do gasto ou da receita”, explicou. O economista ainda elencou pontos considerados essenciais, como a retomada de regras de controle de gastos, reformas orçamentária e administrativa, além da discussão sobre o papel das privatizações.
Fernando Schüler também ressaltou a importância de uma agenda econômica estruturante. “Nós sabemos, no fundo, o que precisa ser feito. O Brasil já mostrou que é capaz de realizar reformas difíceis, mas é preciso uma correção institucional e uma visão de futuro que torne o país mais competitivo e produtivo”, destacou.
Ao longo do debate, temas como educação e ambiente de negócios ganharam espaço. Portugal enfatizou que, diante de um cenário demográfico mais estável, o crescimento econômico passa necessariamente pelo aumento da produtividade. “Isso envolve qualificação, educação e eficiência das empresas”, afirmou, citando o papel de instituições como o Sesc e o Senac na educação e formação profissional.
Schüler complementou ao apontar a necessidade de modernização institucional e de avanços no ambiente econômico. “O Brasil quer ser uma sociedade arrojada, eficiente e competitiva. Para isso, é preciso alinhar políticas públicas e fortalecer as instituições”, observou.
Outro ponto debatido foi o endividamento das famílias e do setor público. Segundo Portugal, a redução dos juros é um fator-chave para reequilibrar o cenário. “Não existe solução simples. A queda dos juros pode permitir o alongamento das dívidas e trazer mais fôlego para a economia”, afirmou.
A próxima edição do Giro Pelo Rio Grande já tem data marcada: será em Farroupilha, no dia 18 de maio, dando continuidade à proposta de levar informação, reflexão e diálogo a diferentes regiões do Estado.


