A edtech gaúcha Codifica lançou um protocolo para orientar escolas e famílias na prevenção e no enfrentamento de situações de cyberbullying e outros riscos no ambiente digital nesta quarta-feira (23), durante o encontro Agir em Rede, no Tecnopuc, em Porto Alegre. O documento reúne orientações para gestores, coordenadores, professores e familiares sobre procedimentos antes, durante e depois de ocorrências, com o objetivo de apoiar a proteção de crianças e adolescentes e ampliar o diálogo sobre o uso seguro da internet.
O material foi apresentado durante um encontro que reuniu escolas parceiras da Codifica para discutir segurança digital no ambiente escolar, cyberbullying, cidadania digital, proteção de crianças e adolescentes e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. A programação também contou com palestra dos promotores de Justiça Leonardo dos Santos Rossi e Rodrigo Mendonça, da Promotoria de Enfrentamento à Violência Extrema e do ECA Digital (Proeve).
Orientações para escolas e famílias
Para as equipes escolares, o protocolo apresenta orientações sobre decisões pedagógicas, revisão de políticas internas, capacitação de professores, acolhimento de relatos, registro de evidências e encaminhamentos. Para as famílias, o material funciona como um guia para o diálogo com os filhos sobre o uso seguro da internet, a preservação de evidências em situações de risco, a busca por apoio e a atuação em conjunto com a escola. “É preciso debater com pais, professores e comunidade escolar sobre a importância da educação dos nossos jovens no meio digital e da consciência dos perigos, bem como a necessidade de diálogo para entender quais são esses riscos e o que pode ser feito para evitá-los”, afirma o promotor de Justiça Leonardo dos Santos Rossi.
Segundo o diretor-geral e fundador da Codifica, Guilherme Fortes, o protocolo foi desenvolvido como uma ferramenta de apoio ao processo formativo nas escolas e nas famílias. “É mais uma ferramenta para apoiar a equipe escolar e as famílias no processo formativo, considerando que a missão da escola é prepará-los para a vida”, pontua Fortes.
Como é o protocolo
O documento é dividido em três capítulos. O primeiro reúne as bases pedagógicas e os marcos legais relacionados à proteção infantojuvenil. O segundo apresenta um diagnóstico estatístico sobre o tema. Já o terceiro detalha um plano prático, com um fluxo de oito etapas para acolher, registrar, encaminhar e acompanhar ocorrências, articulando a escola com a rede de proteção.
A proposta parte da avaliação de que o acesso à tecnologia não significa, necessariamente, preparo para lidar com riscos relacionados à privacidade, reputação, golpes, discurso de ódio, imagens compartilhadas sem consentimento e cyberbullying.
Riscos digitais
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 29% dos usuários de 11 a 17 anos já enfrentaram situações ofensivas online. O cenário também inclui situações de exploração e abuso sexual facilitados pela tecnologia. Segundo relatório do Unicef, 19% dos adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil foram vítimas desse tipo de situação em um período de um ano.
Nas escolas, temas relacionados à segurança digital já fazem parte das atividades pedagógicas. Conforme a TIC Educação 2024, 75% dos professores entrevistados afirmaram ter trabalhado com os alunos questões como cyberbullying, discurso de ódio e discriminação. Outros 63% disseram ter abordado exposição na internet, assédio ou compartilhamento de imagens sem consentimento.
Apesar da presença desses temas nas atividades escolares, dados da TIC Kids Online Brasil 2024 indicam que 34% dos estudantes afirmaram não ter recebido orientação sobre como lidar com cyberbullying.
A partir desses dados, o protocolo Agir em Rede propõe transformar iniciativas pontuais em práticas institucionais contínuas, com orientações para diferentes situações de risco. O material aborda a segurança digital sob a perspectiva da cidadania digital e da corresponsabilidade entre escola, famílias e rede de proteção.
O protocolo pode ser acessado na web por meio do documento disponibilizado pela Codifica.
O que é a Codifica
A edtech desenvolve programas educacionais voltados à tecnologia, inovação e pensamento computacional, com atuação em diferentes etapas da educação, da Educação Básica à qualificação profissional. Por meio de parcerias, a empresa impacta regularmente cerca de 24,5 mil pessoas.
Na Educação Básica, a Codifica atende mais de 23 mil estudantes em instituições de ensino parceiras distribuídas em 15 estados brasileiros. A empresa também desenvolve, em parceria com governos, empresas e organizações sociais, programas de inclusão digital, qualificação profissional e empregabilidade.
Cerca de 1,5 mil pessoas participam anualmente dessas iniciativas, e mais de 200 já ingressaram no mercado de trabalho após participarem dos projetos.


