A escassez de mão de obra e o impacto social do consumo de drogas estão a limitar o potencial de crescimento das empresas em Santa Cruz do Sul. O alerta foi feito pelo empresário Lauro Afonso Goerck, proprietário da Associated Tobacco Company Brasil (ATC), durante a Tribuna Popular da Câmara de Vereadores, realizada na última segunda-feira, dia 1º. Goerck utilizou o espaço para sublinhar as dificuldades que o setor produtivo enfrenta para projetar novos investimentos e expansão.
O empresário destacou que a falta de trabalhadores está a impedir a concretização de novos projetos. A título de exemplo, Goerck revelou que a ATC foi forçada a antecipar o início dos três turnos de trabalho neste ano, numa medida preventiva para garantir a manutenção da equipa, mesmo em períodos de menor necessidade produtiva.
“Não há como investir em uma nova linha de produção, porque precisamos de 150 profissionais e não temos”, afirmou o empresário, evidenciando a gravidade do déficit de pessoal. A procura por trabalhadores já se estende a municípios vizinhos, como Cachoeira do Sul, Rio Pardo e Agudo, o que, segundo Goerck, demonstra a urgência da situação no município.
A principal causa apontada por Goerck para a relutância em aceitar empregos formais reside na existência de benefícios sociais. O empresário estima que mais de 14 mil famílias em Santa Cruz do Sul estão aptas a receber algum tipo de auxílio federal. O receio de perder este valor garantido inibe a formalização do vínculo empregatício.
Perante este dilema, Goerck propôs a criação de um mecanismo que permita às famílias em situação de extrema pobreza manter o benefício social mesmo após a assinatura de um contrato de trabalho. “Ganham as indústrias, as famílias e o governo”, defendeu Goerck, argumentando que a medida resultaria num triplo benefício: impulsionaria a produção industrial, garantiria a dignidade das famílias e aumentaria a arrecadação governamental.
Além da questão econômica, Lauro Afonso Goerck apelou aos vereadores para que dediquem atenção especial ao problema do uso de drogas no município. Ele mencionou que a dependência química contribui para a instabilidade da mão de obra, com trabalhadores a não regressarem ao serviço após receberem os salários.
Em tom emocionado, o empresário concluiu a sua intervenção, reforçando o potencial da cidade, mas apelando a uma ação social urgente: “Santa Cruz é o melhor lugar para se viver, só temos que cuidar dos nossos doentes.”


