Canela oferece implante contraceptivo e amplia investimentos com aquisição pelo SUS

Por Jonathan da Silva

A Prefeitura de Canela oferece gratuitamente o implante anticoncepcional subdérmico Implanon às usuárias da rede pública de saúde desde 2020 e, com a incorporação do método ao Sistema Único de Saúde (SUS) anunciada pelo Ministério da Saúde em julho de 2025, o município passará a receber os dispositivos pelo Governo Federal. De acordo com a administração canelense, a mudança permitirá redirecionar recursos próprios para outras áreas da saúde.

Em Canela, o implante subdérmico contraceptivo passou a ser ofertado após a definição de protocolo específico em 2020, como parte do fortalecimento da política de planejamento reprodutivo iniciada em 2018. Desde então, mais de 400 mulheres em idade reprodutiva receberam o método na rede pública municipal. Naquele primeiro ano, foram adquiridas 50 unidades do Implanon, com 49 aplicações realizadas. Nos anos seguintes, a Prefeitura ampliou a compra dos dispositivos com recursos próprios conforme a demanda registrada nas unidades de saúde.

Alcance do programa

Em 2025, cinco anos após o início da oferta, o município alcançou a marca de 449 mulheres atendidas com o implante subdérmico, sendo 106 aplicações somente no ano passado. Para este ano, a Secretaria Municipal de Saúde projeta a retirada ou troca de 142 implantes e estima que cerca de 100 usuárias mantenham o método contraceptivo.

Planejamento reprodutivo

O secretário de Saúde de Canela, Jean Spall, relata que o fortalecimento da política de planejamento reprodutivo teve como base a necessidade de ampliar a autonomia das mulheres e reduzir o número de gestações não planejadas. O titular da pasta lembra que dados da pesquisa Nascer no Brasil II, realizada entre 2021 e 2023, apontaram que até 40% das gestantes no país não haviam planejado a gravidez e que mulheres com até 19 anos representavam mais de 12% das parturientes.

Economia com a aquisição federal

Com a incorporação do Implanon ao rol de métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS, anunciada em julho do ano passado, os implantes passarão a ser adquiridos pelo Governo Federal. Na rede privada, o dispositivo pode custar até R$ 4 mil. Na aquisição pública municipal, cada unidade tem custo de R$ 482,00. Jean Spall afirma que a mudança permitirá redirecionar recursos. “Isso representa um avanço importante para a sustentabilidade da política pública de planejamento familiar, permitindo a ampliação do acesso ao método e a garantia dos direitos reprodutivos, além de fortalecer as ações de saúde da mulher no município, reforçando o compromisso da gestão com práticas baseadas em evidências e equidade”, aponta o secretário.

Próximos passos

O município aguarda o envio de uma nova remessa de implantes subdérmicos contraceptivos pelo Ministério da Saúde, assim como a realização de capacitações para os profissionais locais responsáveis pela inserção do material nas usuárias da rede pública.

Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

O Implanon apresenta taxa de falha estimada em cerca de 0,05%, com duração de até três anos e retorno rápido da fertilidade após a retirada. Além do implante subdérmico, o SUS disponibiliza preservativos feminino e masculino, DIU de cobre, anticoncepcional oral combinado, pílula oral de progestagênio, injeções hormonais mensal e trimestral, laqueadura e vasectomia. A definição do método é feita entre a paciente e o profissional de saúde, e a orientação é que as interessadas procurem uma Unidade Básica de Saúde para obter informações sobre as opções disponíveis.

Foto: Agência Brasil/Divulgação | Fonte: Assessoria
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