Visac-RS inicia testes no transporte público com ônibus movido a biometano

Por Marina Klein Telles

O transporte público de passageiros de Novo Hamburgo terá uma novidade a partir desta quinta-feira, 21 de maio. Um microônibus pecorrerá por dez dias as linhas da cidade. Ele tem duas diferenças em relação à frota da Visac-RS: é branco, com detalhes em verde, e movido a biometano, combustível gerado a partir do gás produzido em aterros sanitários. A apresentação do veículo, produzido pela Agrale, com carroceria Volare, ambas de Caxias do Sul, ocorreu na tarde desta quarta-feira, 20 de maio. O biometano é da Ultragaz, gerado no aterro de Minas do Leão.

O teste é inédito em empresa de transporte de passageiros no Rio Grande do Sul. Para o diretor da Visac-RS, Rodrigo Corleto Hoelzl, um marco na busca por combustível renovável. “É buscar nos resíduos domésticos gerados pela cidade uma alternativa ao diesel, combustível fóssil que pode sofrer escassez. Além disso, reduz significativamente os impactos ambientais”, diz. “O biometano surge como uma solução promissora para cidades que buscam modernizar o transporte público, reduzir impactos ambientais e transformar resíduos em desenvolvimento sustentável”, acrescenta.

Alternativa verde

O biometano é produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. Vem se destacando como uma das principais alternativas sustentáveis para abastecer veículos de transporte público. É renovável, gerado a partir do lixo urbano e de resíduos agroindustriais, une redução de emissões, economia e aproveitamento inteligente de resíduos que antes eram descartados no meio ambiente.

O processo começa com a captura do biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica, passa por purificação, e se transforma em biometano, um gás com características semelhantes ao gás natural.

Especialistas apontam que a utilização do biometano fortalece a chamada logística reversa ambiental, conceito que prevê o reaproveitamento de resíduos e o retorno de materiais ao ciclo produtivo. Nesse modelo, aquilo que antes era tratado apenas como lixo, passa a gerar energia limpa e renovável, reduzindo impactos ambientais e criando novas oportunidades econômicas.

Além da destinação correta dos resíduos, o biometano apresenta vantagens importantes em relação ao diesel. Enquanto o combustível fóssil é responsável por elevadas emissões de dióxido de carbono (CO₂) e partículas poluentes, o biometano reduz significativamente os gases de efeito estufa e melhora a qualidade do ar nas cidades. Outro diferencial é a redução da dependência de combustíveis importados e sujeitos à volatilidade internacional.

O aspecto econômico desse modelo de será avaliado a partir dos testes com o veículo movido a biometano. Alguns estudos apontam que o custo operacional pode ser menor ao longo do tempo. Mas neste momento, o grande economia que se apresenta é um impacto é o ambiental, por se tratar de um combustível gerado a partir dos resíduos urbanos.

Outro ponto a ser considerado é o caráter renovável e praticamente inesgotável da fonte. Diferentemente do diesel, que depende da extração de petróleo, o biometano pode ser produzido continuamente a partir da geração diária de resíduos urbanos, industriais e agrícolas. Por isso, é frequentemente classificado como uma energia verde e de ciclo contínuo, alinhada às metas globais de descarbonização e sustentabilidade.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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