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Declaração de Porto Alegre cria bloco regional para setor de semicondutores

Por Jonathan da Silva 22/06/2026
Por Jonathan da Silva

Representantes de governos, universidades, centros de pesquisa e empresas da América Latina e do Caribe formalizaram, na quinta-feira (18), a criação do SemiCon-LAC, uma comunidade permanente de cooperação voltada ao desenvolvimento do setor de semicondutores na região. A iniciativa foi oficializada por meio da assinatura da Declaração de Porto Alegre, durante o SemiCon-LAC 2026, realizado no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), em Porto Alegre. O objetivo é ampliar a integração regional, fortalecer capacidades científicas e industriais e posicionar os países latino-americanos e caribenhos na cadeia global de produção de chips, em um contexto de reconfiguração geopolítica do setor.

A Declaração de Porto Alegre estabelece um mecanismo permanente de cooperação entre os participantes e designa o Tecnopuc como responsável pelo primeiro mandato da secretaria executiva da iniciativa. A função inclui a coordenação das ações previstas e a articulação entre os diferentes atores envolvidos para garantir a continuidade dos trabalhos após a realização do simpósio.

Contexto global

A criação do SemiCon-LAC ocorre em meio ao movimento internacional de descentralização da produção de semicondutores, atualmente concentrada principalmente em países do Pacífico Leste, como Taiwan, Coreia do Sul e China. A proposta busca integrar capacidades científicas, técnicas e industriais da América Latina e do Caribe para ampliar a competitividade regional e fortalecer as cadeias de suprimentos.

O cenário é impulsionado pelo crescimento da demanda por semicondutores voltados à Inteligência Artificial. Segundo dados apresentados durante o evento, a receita global do setor alcançou US$ 793 bilhões em 2025, representando crescimento de 21% em relação ao ano anterior. Os chips destinados a aplicações de IA respondem por quase um terço das vendas mundiais.

As projeções indicam que os investimentos globais em infraestrutura de Inteligência Artificial devem ultrapassar US$ 1,3 trilhão em 2026. A expectativa é que os semicondutores voltados para IA representem mais de 50% das vendas totais do setor até 2029.

Articulação regional

O professor da Escola Politécnica da PUCRS e chair do SemiCon-LAC 2026, Adão Villaverde, destacou que a iniciativa surge em um momento de reorganização da cadeia produtiva global. “O evento no Brasil ocorre em um período de reestruturação global para desconcentrar a produção de semicondutores do Pacífico Leste. Este é um setor que demanda capital humano, investimentos, parcerias e um diálogo permanente entre empresários, especialistas, gestores públicos e agências de financiamento com foco em business. Assim, o SemiCon-LAC surge como uma articulação público-privada para transferência de conhecimento e geração de valor, tendo como meta reforçar o Rio Grande do Sul como um hub de semicondutores em nosso país, América Latina e Caribe. E também buscando a nossa soberania científica, técnica, comercial e geopolítica”, afirmou Villaverde.

Pilares da declaração

O documento estabelece quatro eixos principais para orientar a atuação do bloco regional.

O primeiro é a Cooperação Regional e Internacional, que prevê a criação de uma comunidade permanente para promover o diálogo e o desenvolvimento de iniciativas conjuntas entre governos, universidades, centros de pesquisa e empresas. Embora tenha foco na América Latina e no Caribe, a estrutura está aberta à participação de instituições de outras regiões do mundo.

O segundo pilar trata do Fortalecimento de Capacidades, com incentivo à integração entre academia e indústria para estimular pesquisa aplicada, inovação tecnológica e formação de profissionais qualificados.

O terceiro eixo é a Autonomia e Resiliência, com foco na ampliação da autonomia tecnológica regional e na redução de riscos relacionados ao abastecimento de componentes estratégicos.

O quarto pilar prevê a criação de um Mecanismo Permanente de Gestão. Nesse modelo, o Tecnopuc assume a coordenação inicial da Secretaria Executiva, responsável por acompanhar a implementação da agenda de cooperação estabelecida pela declaração.

Encerramento do evento

A programação de encerramento do SemiCon-LAC 2026, realizada em 19 de junho, incluiu visitas técnicas a instituições e empresas ligadas ao setor de semicondutores no Rio Grande do Sul. Entre os locais visitados estão o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), o Tecnosinos e empresas instaladas em parques tecnológicos, como Impinj, EnSilica, HT Micron e itt CHIP.

O SemiCon-LAC 2026 foi organizado pelo Tecnopuc e coorganizado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT-RS), com participação de instituições públicas, entidades empresariais, universidades, agências de fomento e organizações ligadas ao setor de tecnologia e inovação.

Foto: Maurício Porton/Divulgação | Fonte: Assessoria
22/06/2026 0 Comentários 193 Visualizações
Variedades

Ministro das Comunicações reforça a necessidade de alavancar a produção brasileira de semicondutores

Por Stephany Foscarini 27/04/2022
Por Stephany Foscarini

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, comentou o panorama nacional e internacional da produção de semicondutores (chips) no seminário “A Cadeia Internacional de Semicondutores e o Brasil”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Fundação Alexandre Gusmão, nesta quarta-feira (27), em Brasília/DF.

Faria destacou que o País só produz 10% do consumo brasileiro de semicondutores e nenhum deles, atualmente, serve para a tecnologia 5G. “Quanto menos nanômetro (unidade usada para medir as dimensões em microchip, equivalente a 1 bilionésimo de 1 metro), maior a inteligência. O menor chip que já conseguimos fabricar foi o de 180 nanômetros – para identificação de passaporte – enquanto um chip para 5G é de apenas 10 nanômetros”, explicou.

De acordo com o ministro, 100% dos chips voltados para a quinta geração de dados móveis são, hoje, fabricados na Ásia: 92% em Taiwan e 8% na Coreia do Sul. Faria também acrescentou que carros “comuns” precisam de 1.000 chips para abarcar as atuais tecnologias, enquanto carros da Tesla, que faz veículos elétricos e mais modernos, chegam a precisar de 10 mil chips, ou seja, quanto maior a tecnologia, maior a necessidade de uso de semicondutores.

O ministro das Comunicações ressaltou que o Brasil tem tudo para ser um hub do setor, já que tem potencial como player, visto que é o maior país da América Latina, e o primeiro a implementar a tecnologia 5G, além de estar localizado próximo à África e à Europa. “Mas é preciso somar esforços e atrair parcerias internacionais”, acrescentou Faria.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, endossou o discurso do ministro das Comunicações e destacou que, há 200 anos, o Itamaraty defende a soberania nacional, por isso, mantém diálogo permanente com outras pastas, como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), e o Ministério da Economia (ME), e o setor produtivo para a criação de políticas que possam fortalecer a fabricação brasileira de chips.

O embaixador elogiou a participação do ministro das Comunicações no seminário. “O ministro Fábio Faria demonstra a preocupação do Governo Federal sobre a cadeia de semicondutores como um todo”. França comentou, ainda, sobre a tendência acentuada de crescimento da economia digital que, hoje, já corresponde a 22% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, e os semicondutores representam o papel central dessa economia.

Foto: Cléverson Oliveira/MCom | Fonte: Assessoria
27/04/2022 0 Comentários 681 Visualizações

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