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Saúde

Simers manifesta preocupação com novas vagas em cursos de Medicina no RS

Por Jonathan da Silva 18/11/2024
Por Jonathan da Silva

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) expressou preocupação com a qualidade do ensino de Medicina no estado, após o anúncio da abertura de 60 novas vagas em cursos de Medicina, autorizado pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC). A autorização foi publicada nesta quinta-feira (14) no Diário Oficial da União e decorre do fim da moratória dos cursos de Medicina, encerrada em abril de 2024.

A moratória anterior, estabelecida pela Portaria nº 328/2018, buscava controlar e planejar a criação de novas vagas e escolas de Medicina no Brasil. Com o seu término, diversas universidades e centros universitários intensificaram esforços para ofertar novas vagas, sendo que mais de 200 cursos aguardam autorização para operar, dos quais 10 estão no Rio Grande do Sul.

O vice-presidente do Simers, Fernando Uberti, destacou a necessidade de regulamentação criteriosa para garantir a qualidade do ensino médico. “O ensino da Medicina demanda investimentos contínuos em infraestrutura, recursos humanos, educação continuada, e boas condições de trabalho. As escolas que não atenderem aos padrões mínimos devem sofrer sanções, inclusive com o fechamento dos cursos”, afirmou Uberti.

O Simers alerta que a expansão de vagas sem a devida fiscalização pode resultar na proliferação de cursos de qualidade questionável, o que traria riscos para a saúde pública. A entidade defende que o foco deve ser na qualificação da formação médica e não na ampliação irrestrita de vagas.

Além disso, Uberti ressaltou que problemas como más condições de trabalho, insegurança nos contratos e baixa remuneração contribuem para a falta de médicos no interior. “Somar profissionais a um contexto de precariedade não resulta numa população atendida de forma digna. O problema no Brasil não será resolvido apenas com mais médicos, mas com a reestruturação do sistema, incluindo a criação de um plano de carreira para atrair e fixar esses profissionais, garantindo segurança e remuneração adequada”, concluiu o vice-presidente da entidade.

O Simers defende que antes de expandir o número de vagas, o MEC deveria reforçar a fiscalização e o cumprimento das normas vigentes para assegurar a excelência no ensino médico.

Foto: Freepik/Divulgação | Fonte: Assessoria
18/11/2024 0 Comentários 449 Visualizações
Variedades

Impacto das apostas on-line preocupa varejo e aumenta inadimplência no Rio Grande do Sul

Por Jonathan da Silva 30/10/2024
Por Jonathan da Silva

O crescimento das apostas on-line, conhecidas como “bets”, tem gerado preocupações no setor varejista do Rio Grande do Sul, afetando o volume de vendas e aumentando os índices de inadimplência. A Federação Gaúcha do Varejo e outras entidades ligadas ao comércio discutem o tema e buscam pressionar o governo federal pela regulamentação e tributação das apostas virtuais, visando mitigar os impactos na economia familiar.

O economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Oscar Frank, destaca que 24 milhões de brasileiros participam dessas apostas, movimentando valores via Pix entre janeiro e agosto de 2024. Frank ressalta que, desse total, 8,9 milhões de participantes do Bolsa Família movimentaram mais de R$ 10,5 bilhões, o que começa a influenciar a inadimplência. “Esse contingente começa a impactar nos níveis de inadimplência do país”, afirma o economista.

Outro fator citado pelo Banco Central (BC) é o impacto da inadimplência no custo do crédito. Segundo Frank, 22% do custo do crédito se refere a financiamentos e operações afetados pelo não pagamento de dívidas em atraso. “Quanto maior a inadimplência, maiores as taxas de juros como um todo, prejudicando a contratação de crédito para investimentos e para o financiamento das famílias”, aponta o especialista da CDL-POA.

O presidente da Federação da Associação Gaúcha do Varejo (FAGV), Vilson Nailor Noer, explica que as apostas em jogos têm gerado prejuízos financeiros e problemas de saúde pública, dado o risco de vício. Ele também observa efeitos negativos no ambiente laboral: “Ao invés de realizar vendas, os vendedores começam a usar o telefone para apostar, causando desorganização no ambiente de trabalho”, avalia Noer.

No Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), o tema é discutido regularmente entre diretores e associados. Segundo o presidente da entidade, Mauro Spode, os impactos econômicos e sociais das apostas afetam o desempenho do comércio na região. “Embora Santa Cruz do Sul tenha um dos menores índices de inadimplência do Estado, o custo do crédito, que reflete a inadimplência, já é sentido por aqui”, comenta Spode. O Sindilojas-VRP apoia a regulamentação nacional das apostas on-line e defende maior divulgação de informações para consumidores. “Não somos contra os jogos, mas é preciso que o governo regulamente essa atividade”, afirma Spode.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que as apostas on-line causem um prejuízo anual de R$ 117 bilhões ao comércio nacional. Segundo a CNC, o valor movimentado em apostas no Brasil deve ultrapassar R$ 150 bilhões até o fim de 2024.

Para ajudar a controlar o problema, o Sindilojas-VRP incentiva empresários a abordarem o tema com suas equipes, promovendo conscientização sobre os riscos das apostas. “Mais do que uma questão econômica, o vício em apostas é um problema social que demanda atenção de toda a sociedade”, salienta Spode, relatando que algumas empresas já enfrentam dificuldades com colaboradores impactados pelo vício.

No próximo dia 11 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) discutirá a regulamentação das apostas on-line em uma audiência pública em Brasília. A Federação da Associação Gaúcha do Varejo (FAGV) participará do encontro, defendendo medidas de comunicação para alertar os apostadores sobre os riscos e propondo a tributação das apostas. “Não somos contra essas empresas, mas é importante que o setor de saúde pública receba parte dos impostos de atividades que causam impactos na sociedade”, conclui Noer.

Foto: Master1305/Divulgação | Fonte: Assessoria
30/10/2024 0 Comentários 456 Visualizações

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