As obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau em Novo Hamburgo avançam para uma nova etapa, com a construção de prédios operacionais, blocos hidráulicos e da infraestrutura necessária ao funcionamento da unidade. A implantação do emissário e da linha de recalque, considerada uma das etapas mais complexas, também segue em fase avançada de execução. Quando entrar em operação, a estação ampliará de 9,85% para cerca de 50% o índice de esgoto coletado e tratado em Novo Hamburgo.

A estação deverá beneficiar aproximadamente 100 mil habitantes e representa um importante avanço para o saneamento no município. Em etapas futuras, a ampliação do sistema permitirá que Novo Hamburgo se aproxime das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Segundo o diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, a ETE Luiz Rau permitirá ampliar o tratamento de esgoto no município e representa um avanço para a recuperação ambiental de Novo Hamburgo. “Estamos construindo uma estrutura que terá impacto direto na qualidade ambiental do município e na vida de milhares de pessoas. O avanço dessa obra aproxima Novo Hamburgo de uma nova realidade no tratamento de esgoto, com benefícios que serão percebidos pela população e pelo meio ambiente”, afirma.
Emissário avança para a fase final
Uma das etapas mais complexas da implantação da ETE Luiz Rau, o emissário e a linha de recalque, está em fase avançada de execução. O assentamento da tubulação do emissário na área urbana foi concluído em maio e, neste momento, os trabalhos estão concentrados na execução do trecho final da linha de recalque e na repavimentação das vias onde houve intervenções.
As tubulações farão a ligação entre a estação e o Arroio Luiz Rau, permitindo o transporte do esgoto até a unidade de tratamento e o retorno do efluente tratado ao curso d’água. Segundo o engenheiro da Comusa e fiscal da obra, João Ricardo Pureza, essa estrutura é essencial para o funcionamento do sistema. “Ela viabiliza o destino adequado, definido pelas licenças ambientais, do efluente após o tratamento, garantindo que seja devolvido ao meio ambiente dentro dos padrões exigidos”, destaca.
Projeto foi adaptado após a enchente
A enchente de 2024 impactou o cronograma da obra e levou à adoção de medidas para aumentar a segurança operacional da futura estação. Assim, todas as estruturas suscetíveis a alagamentos serão elevadas em até 1,2 metro em relação ao nível original do terreno. A medida foi incorporada ao projeto para garantir o funcionamento da ETE mesmo em eventos de cheia superiores aos registrados no local naquele ano.
Conforme o diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti, a enchente ocorreu justamente quando a etapa de fundações estava começando. “A enchente de 2024 trouxe impactos importantes para o cronograma da obra, pois ocorreu no início da etapa de fundações. Naquele momento, foram necessárias revisões contratuais e adequações no planejamento para garantir a continuidade do empreendimento com segurança, levando em consideração cenários climáticos extremos”, explica Chilanti.
Após a readequação do cronograma, em 2025 foram realizados os testes das fundações e iniciada a construção dos primeiros prédios operacionais. Em 2026, as equipes passaram a atuar simultaneamente no avanço das estruturas da estação e na implantação do emissário e da linha de recalque.
Como funcionará o tratamento
Na primeira etapa do processo, o esgoto passará pela remoção dos resíduos mais volumosos. Depois, seguirá para o tratamento biológico, que utiliza lodo ativado e injeção de oxigênio para degradar a matéria orgânica.

Após o tratamento e os processos de desinfecção, o efluente retornará ao Arroio Luiz Rau dentro dos padrões estabelecidos pela legislação ambiental. A expectativa é de uma eficiência de aproximadamente 90% na remoção da carga poluidora.
Para Chilanti, o impacto da estação vai além da ampliação da cobertura de saneamento. “Quando esse esgoto tratado retornar ao Arroio Luiz Rau, ele estará em uma condição muito melhor do que a água que encontramos hoje no próprio arroio. A estação não vai apenas tratar o esgoto, mas também contribuir para a recuperação ambiental desse curso d’água”, destaca.
Cobertura poderá chegar a 97%
Na primeira fase de operação, a ETE tratará principalmente o esgoto da bacia do Arroio Luiz Rau. Com isso, Novo Hamburgo passará dos atuais 9,85% para cerca de 50% de cobertura de esgoto coletado e tratado, beneficiando aproximadamente 100 mil habitantes.
Em uma segunda etapa, a expansão do sistema para a sub-bacia do Arroio Pampa permitirá elevar esse índice para aproximadamente 93%. Com a inclusão da região do Arroio Cerquinha, a expectativa é alcançar cerca de 97% de cobertura de esgoto coletado e tratado no município.
Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria

