A falta de cordeiros para abastecer a indústria foi apontada como um dos principais desafios para acompanhar o crescimento do consumo de carne ovina durante o Conexão Cordeiro, realizado neste domingo (30), na Expointer, em Esteio. Promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), o encontro reuniu representantes da produção, frigoríficos, varejo e mercado para discutir a oferta de animais, as mudanças na comercialização e as formas de ampliar o consumo da proteína.
O presidente da ABCC, Gustavo Velloso, explicou que o objetivo do evento foi reunir diferentes segmentos da cadeia durante a feira para discutir os desafios de cada etapa. “Temos produtores, frigoríficos e consumidores. A ideia foi juntar todos eles para que cada um possa falar dos seus desafios e, a partir disso, buscar alternativas para aumentar a produtividade de cordeiros e o consumo”, afirmou Velloso.
A raça Corriedale também foi abordada no encontro pela participação na produção ovina do Rio Grande do Sul. Segundo Velloso, a raça representa atualmente mais de 60% do rebanho gaúcho, colocando os criadores entre os envolvidos nas discussões sobre produção e mercado da carne.
Indústria busca matéria-prima
O aumento da disponibilidade de animais foi apontado pela indústria como uma necessidade para acompanhar a demanda. O diretor-presidente do Frigorífico Carneiro Sul, João Bernardo da Silva, afirmou que existe espaço para expansão do mercado, mas identificou a oferta de animais como principal gargalo. “O consumo da carne ovina vem crescendo e temos um mercado enorme construído. Hoje, o nosso grande desafio como indústria é ter matéria-prima”, detalhou o empresário.
Para Silva, a aproximação com os produtores é necessária para que os frigoríficos possam planejar os próximos passos e ampliar o abastecimento. “Nós precisamos do produtor rural. Ele é um elo extremamente importante para o desenvolvimento da ovinocultura e do consumo da carne ovina”, acrescentou o diretor-presidente da marca.
Novos formatos no varejo
As mudanças no consumo também aparecem na forma como a carne ovina é comercializada. A consultora de mercado Ana Doralina Menezes observou que, além da carne congelada, o consumidor encontra atualmente produtos resfriados, manipulados, fracionados e oferecidos em bandejas. “A carne ovina também está sendo desafiada a entender qual é o seu mercado, quem é o seu cliente, o que ele avalia quando vai comprar e o que a cadeia precisa entregar para atender às características e à qualidade que ele busca”, pontuou Ana Doralina.
O proprietário da Calvi Carnes, Eloir Francisco Calvi, afirmou que a comercialização do produto está mais fácil atualmente, mas que ainda existe espaço para ampliar a divulgação da proteína. “Hoje está mais fácil de vender do que anos atrás. Quando comecei, há mais de 40 anos, um quilo de cordeiro custava o preço de um quilo de frango”, relatou Calvi.
Participantes
Com o tema “Mercado, tecnologia e valor na cadeia da carne ovina”, o Conexão Cordeiro também contou com José Magalhães, da Estância Alagoas; Daniel Barros, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Ruminantes da Supra; Gabriel de Oliveira, sócio-proprietário da Cordeiros Arroio Malo; Humberto da Silva, diretor industrial da Carneiro Sul; e Victor Pigues, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Território da ADM Nutrição Animal.

