Mesmo em um contexto desfavorável, com redução nas exportações e fragilidade na retomada da atividade econômica brasileira, o Rio Grande do Sul manteve ao longo do primeiro semestre taxas de crescimento superiores às do país. A perspectiva, de acordo com o Boletim de Conjuntura divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), é de que os índices se mantenham acima dos registrados no Brasil também na segunda metade do ano.
O documento elaborado pelos técnicos do DEE analisa as questões mais importantes da conjuntura internacional, nacional e regional observadas até mês de setembro, com foco no Rio Grande do Sul. A alta de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado no primeiro semestre foi a maior dos últimos seis anos e acima da registrada no país (0,7%), sendo impulsionada pelo desempenho positivo da agropecuária (7,2%) e da indústria de transformação (5,5%).
A despeito da queda das exportações gaúchas (16,2% no acumulado do ano entre janeiro e setembro) e da dificuldade de recuperação da economia brasileira, o segmento metalmecânico se destaca com crescimento da produção de veículos, produtos de metal e máquinas e equipamentos. A chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, afirma:
“A retomada dos investimentos no Brasil impulsionou a produção de bens de capital, segmento em que o Rio Grande do Sul é especializado”.
Outros segmentos como derivados de petróleo, produtos do fumo e couro e calçados também contribuíram para o crescimento do ano.
Desemprego
O mercado de trabalho, contudo, ainda não mostra sinais consistentes de recuperação. A taxa de desemprego no Estado permanece estável e, das novas posições registradas no segundo trimestre, aproximadamente 30% se referem a ocupações por conta própria sem CNPJ, caracterizadas pela informalidade e pelos rendimentos abaixo da média.
Dados mais recentes da indústria gaúcha, especialmente de julho e agosto, sinalizam que, para os próximos meses, a perspectiva é de leve desaceleração na atividade econômica. A redução sazonal da contribuição da safra de grãos no Estado para o PIB gaúcho também colabora para essa perspectiva.
“A baixa base de comparação do ano passado, quando houve a greve dos caminhoneiros e problemas de safra, deixará de existir e não contribuirá mais para que tenhamos taxas expressivas de crescimento nos próximos meses do ano como ocorreu no início de 2019”, explica Vanessa.
Mesmo com a desaceleração esperada do crescimento gaúcho, o boletim aponta que o Rio Grande do Sul deve encerrar o ano com avanço acima da média nacional, em função dos resultados já registrados no primeiro semestre e, em especial, porque a indústria extrativa não afeta o Estado como tem afetado o Brasil.
“A retomada de investimentos no país impulsionou a produção de bens de capital, segmento que o RS é especializado”, diz Vanessa.

