A causa mais provável deste fato é que exista algum meliponário nas proximidades, de onde essa colmeia pode ter vindo e colonizado o oco da árvore. Embora a criação desta espécie seja ilegal fora do seu habitat natural, alguns criadores insistem em manter esses animais de forma irregular em regiões mais ao sul do país.
Segundo o biólogo Jeferson Timm, da Sema, as ações do Município visam monitorar o enxame. “Caso o enxame sobreviva será indicativo de risco às espécies nativas, já que a boca-de-renda poderá competir por ocos de árvores e recursos alimentares buscados pelas abelhas nas flores. O registro e acompanhamento devem gerar subsídios importantes para as discussões e decisões dos órgãos ambientais, bem como para construção ou melhoramento das normativas que regulam a atividade da meliponicultura”, explica.
A respeito deste caso a doutora em biologia Betina Blochtein, professora na PUCRS e especialista no assunto, destaca que a introdução de espécies de outras regiões acrescenta novas ameaças às populações de abelhas nativas. Ela aponta como ameaça, a entrada de doenças e parasitas, e ainda o risco de cruzamento com espécies nativas tornando-as menos aptas para sobreviver na natureza.
O secretário municipal de meio ambiente João Flávio da Rosa descarta a eliminação do enxame. “Faremos o acompanhamento para monitorar, a eliminação não é necessária. Caso verifiquemos que a espécie realmente se caracteriza como invasora ou como ameaça às abelhas nativas será avaliada a melhor alternativa de manejo e destinação do enxame”.
A localização exata das abelhas não é divulgada pela Prefeitura, já que a colmeia pode sofrer com vandalismo ou perturbações. A Sema ainda alerta que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é crime, passível de multa e detenção de três meses a um ano conforme o Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605/1998.


