CongregaRH debate liderança, inclusão, IA e longevidade

Por Jonathan da Silva

O CongregaRH iniciou teve início quarta-feira (30), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre, uma programação voltada às transformações nas relações de trabalho e na gestão de pessoas. No primeiro dia, especialistas e executivos participaram de palestras e painéis sobre bem-estar, liderança, inclusão, inteligência artificial e etarismo. O evento segue até sexta-feira, dia 2, com discussões sobre mudanças que envolvem profissionais, empresas e ambientes de trabalho.

A programação da tarde começou com a especialista Fera Carvalho, que abordou a relação entre respiração e sistema nervoso autônomo e apresentou o projeto “DrogARia”. Ela explicou o funcionamento dos sistemas simpático e parassimpático. Enquanto o primeiro está relacionado aos estados de alerta e emergência, o segundo atua em momentos de descanso, contribuindo para o sono e a criatividade. “A respiração é automática para garantir nossa sobrevivência, mas ela é voluntária e consciente para permitir nossa transformação”, destacou Fera. Ao final da apresentação, ela conduziu o público em exercícios de respiração.

Liderança e grandes projetos

Na sequência, a palestra “Marcas gaúchas que imaginam e constroem o futuro: liderando times que sonham grande” reuniu a head do Planeta Atlântida na RBS, Caroline Torma, e o fundador e CEO do Gramado Summit, Marcos Rossi. A conversa foi mediada por Ali Silveira e abordou as trajetórias dos dois eventos e os desafios relacionados à liderança de projetos de grande porte. “O Planeta e o Gramado Summit têm em comum o não óbvio”, destacou Ali durante a abertura do painel.

Caroline Torma, por sua vez, falou sobre sua experiência à frente do Planeta Atlântida, evento que existe há 30 anos e que passou a liderar em 2022. Ela abordou os desafios encontrados ao assumir o projeto e a construção coletiva das soluções. “Tem mais de 4 mil pessoas trabalhando diretamente. Acho que tem muito a ver com um compartilhamento de um sonho grande”, afirmou Caroline.

Marcos Rossi relatou que a ideia de criar o Gramado Summit surgiu da vontade de empreender sem deixar Gramado, cidade onde nasceu e cresceu. A partir disso, criou um evento voltado à reunião de empreendedores e à conexão entre pessoas com diferentes projetos e experiências. “Eu acho que fui agindo de acordo com cada edição do Gramado Summit. Eu via como hobby e fui me dar conta de que aquilo virou um negócio. Só existe futuro no momento em que as pessoas se conectam, trocam ideias e encontram um meio do caminho para fazer algo acontecer”, relatou Rossi.

Inclusão no ambiente de trabalho

O evento seguiu com o tema “A construção de um futuro inclusivo”, apresentado pela médica tetraplégica, especialista em medicina do trabalho, head de saúde em uma multinacional e consultora de inclusão social, Daniela Bortman. A palestrante compartilhou experiências da trajetória pessoal e profissional.

Aos 23 anos, quando cursava Medicina, Daniela sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. “Eu não sabia como existir, porque tudo que eu sabia fazer dependia de comandos do meu corpo que ele não respondia mais”, contou a empresária.

Após o acidente, Daniela chegou a considerar abandonar a carreira, mas foi incentivada pelo pai a continuar a faculdade e buscar a inserção no mercado de trabalho. Ao tentar retornar ao curso de Medicina, foi informada de que não poderia continuar na graduação e recorreu à Justiça para garantir o direito de concluir sua formação.

Ao abordar sua experiência, Daniela também falou sobre a responsabilidade das organizações na construção de ambientes inclusivos. “Quem trabalha com gente não pode se dar ao luxo de não ser inclusivo”, afirmou a palestrante.

Inteligência artificial e gestão

O painel “IA aplicada à liderança e RH” teve mediação de Rafael Martins, que atua com letramento de inteligência artificial para executivos, e participação da diretora de Pessoas da Alelo, Carolina Ferreira, e da VP de Recursos Humanos da Andritz Hydropower, Fernanda Brunetto.

As executivas apresentaram experiências relacionadas à implementação da digitalização e de ferramentas de inteligência artificial em suas organizações. A discussão também tratou dos efeitos dessas transformações sobre o trabalho e a gestão de pessoas. Fernanda destacou a relação entre profissionais e tecnologia. “Que a gente possa falar que nós seremos melhores com a IA”, afirmou a palestrante.

Carolina lembrou que a automação de processos está presente no mundo do trabalho desde a Revolução Industrial. Segundo ela, a diferença está no nível de envolvimento das pessoas com a transformação atual. “A gente está falando sobre automatizar processos, mas de uma forma que tenhamos um desenvolvimento direto”, explicou a diretora.

Etarismo e longevidade

O primeiro dia do CongregaRH foi encerrado com o painel “Etarismo e seus impactos na vida e nas empresas”, com participação de Fran Winandy e Fera Carvalho Leite e mediação de Alice Urbim. A discussão abordou o envelhecimento da força de trabalho e os efeitos do etarismo, especialmente sobre as mulheres.

Fran destacou o aumento da longevidade das carreiras e a permanência das pessoas por mais tempo no mercado de trabalho. “O que acontece é que as carreiras estão mais longevas, a gente está vendo mais, está trabalhando até mais tarde. Então, 50 anos não é velho, não é tarde. Só que as empresas ainda não absorveram isso”, afirmou a painelista.

Fera Carvalho Leite abordou os efeitos sociais e emocionais associados à exclusão provocada pelo etarismo. “Uma pessoa num determinado número de anos de vida é invalidada, não é vista, é rejeitada, é excluída, tem um grande sentimento de solidão, de não pertencimento e de medo”, expressou Fera.

A discussão também tratou da presença de profissionais com 60 anos ou mais nas organizações e da convivência entre diferentes gerações no ambiente de trabalho.

O CongregaRH segue com programação no Centro de Eventos da PUCRS até sexta-feira, dia 2.

Foto: Zé Carlos de Andrade/Divulgação | Fonte: Assessoria
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