A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo realizou uma sessão solene em comemoração aos 40 anos do Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) Camboatá nesta quinta-feira (1º). A entidade, localizada junto ao Grêmio Atiradores, no bairro Rondônia, foi fundada em 2 de outubro de 1986 e recebeu a homenagem em uma cerimônia com apresentações de coreografias, músicas e declamações. A sessão foi proposta pelo vereador Cristiano Coller (PP) e destacou a atuação do DTG na preservação e difusão da cultura gaúcha, além de ações sociais e de inclusão.
O DTG Camboatá foi batizado em referência à árvore nativa camboatá, escolhida como símbolo da força e da paixão de seus integrantes. Atualmente, a entidade mantém invernadas juvenis, adultas e veteranas, equipes de bocha campeira, chula, cavalgadas e declamadores.
Segundo a patronagem, mais de 1,8 mil dos cerca de 12,5 mil associados do Grêmio Atiradores circulam mensalmente pelo galpão do DTG.
Atuação cultural e social
Durante a sessão, o vereador Cristiano Coller, que também foi ex-vice-patrão do DTG, destacou a participação de famílias e crianças nas atividades da entidade e citou ações sociais desenvolvidas pelo Camboatá. “Quando falamos do Camboatá, falamos de um espaço onde famílias se encontram, onde crianças crescem aprendendo sobre as nossas tradições e onde valores como respeito, disciplina, responsabilidade e convivência são ensinados na prática”, iniciou o parlamentar. “Por trás de cada apresentação, existem ensaios, dedicação, famílias envolvidas e muito carinho por aquilo que se faz. Mas o trabalho vai muito além da cultura. As campanhas, ações beneficentes e projetos sociais mostram o compromisso que o Camboatá tem com sua comunidade. Um trabalho que merece ser reconhecido, valorizado e preservado”, prosseguiu Coller, que também recordou a ligação de sua família com a instituição.
O vereador também mencionou uma atividade que está sendo preparada para o centenário de Novo Hamburgo. Segundo ele, o DTG pretende contar, por meio da dança, parte da história do município, incluindo referências à primeira fábrica de calçados de Pedro Adams Filho, à fundação do Esporte Clube Novo Hamburgo, à chegada da energia elétrica e à criação do Aeroclube. “O Camboatá leva suas raízes, sua cultura e o nome de Novo Hamburgo por onde passa. Para o centenário da cidade, o DTG vem preparando um trabalho muito especial. Através da dança, a entidade contará a história do nosso município, passando por momentos como a primeira fábrica de calçados de Pedro Adams Filho, a fundação do Esporte Clube Novo Hamburgo, a chegada da energia elétrica e a criação do Aeroclube. Uma forma muito bonita de preservar a nossa memória, fazendo com que a história seja conhecida e sentida pelas novas gerações”, elogiou Coller.
Quatro décadas de atividades
O patrão do DTG Camboatá, Luciano Pereira da Rosa, agradeceu às pessoas que participaram da trajetória da entidade ao longo das quatro décadas, especialmente as que acompanharam a sessão nas galerias do Palácio Luiz Oswaldo Bender. “É com imensa honra e profunda emoção que estamos nesta casa legislativa para celebrar uma história que se confunde com a de muitas famílias hamburguenses. Quatro décadas de quando um grupo de associados acreditou que era possível construir, através da cultura e da tradição gaúcha, um espaço de convivência, aprendizado, amizade e valorização de nossas raízes”, relembrou Rosa.
Segundo o padrão, o DTG conta atualmente com mais de 120 dançarinos, entre crianças, jovens e adultos. “Desde então, muita coisa mudou. Hoje, o DTG conta com mais de 120 dançarinos, reunindo crianças, jovens e adultos que encontram na entidade um lugar para aprender valores e o orgulho de suas raízes”, destacou Rosa.
O patrão também citou ações realizadas pelo DTG fora das atividades culturais. Entre elas está o acolhimento de cerca de 180 pessoas desalojadas durante a enchente de 2024. Rosa também relembrou a conquista do Troféu Quero-Quero no Juvenart, oito anos antes, após a participação de uma dançarina cadeirante.
Essa vitória mostrou que a tradição também é lugar de inclusão. Mostrou que a dança pode quebrar barreiras e que todos podem ter o direito de participar, sonhar e conquistar o seu espaço. E mostrou, principalmente, que uma entidade tradicionalista pode preservar suas raízes olhando para o futuro e construindo uma cidade mais acolhedora. Não somos apenas aqueles que dançam a tradição. Somos aqueles que acolhem, incluem e ensinam. Que levam o nome de Novo Hamburgo aos tablados do Rio Grande. E, quando olhamos para trás, encontramos uma estrada construída por centenas de pessoas”, finalizou Luciano Pereira da Rosa.
Homenagens na Câmara
O vice-presidente da Câmara, Felipe Kuhn Braun (PSDB), afirmou que a atuação das entidades tradicionalistas ultrapassa a participação em competições e relacionou o trabalho desenvolvido por essas instituições à inclusão, convivência e solidariedade. “Que a chama continue acesa, que as raízes continuem fortes e que muitas outras gerações possam encontrar nesse galpão um lugar de cultura, amizade, família, acolhimento e pertencimento”, frisou Kuhn Braun.
O vice-prefeito Gerson Haas comentou as apresentações realizadas durante a sessão e defendeu a continuidade das atividades tradicionalistas. “É algo que precisamos preservar. É o que faz com que continuemos tendo orgulho da nossa terra. O tradicionalismo sempre deu certo, com entidades que promovem inclusão e ensinam os nossos jovens. E o DTG Camboatá nos revela hoje por que está vivo há 40 anos, com tanta coisa bonita para ser mostrada”, enfatizou Haas.
A relatora da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, Professora Luciana Martins (PT), destacou a participação de diferentes pessoas na construção da história do DTG e a relação do vereador Cristiano Coller com as instituições que homenageia. “Quatro décadas não cabem em uma placa, em uma fotografia ou nos troféus que registram sua história. Quarenta anos são feitos de muita gente. Gente que em algum momento chegou cedo para preparar atividades, ensinar passos, organizar apresentações e receber famílias. Pessoas que talvez nunca tenham ocupado um lugar de destaque, mas sem as quais nada disso teria acontecido. E talvez esteja justamente aí a grandeza do DTG. Em um tempo em que muitas coisas parecem passageiras, permanecer durante 40 anos é um feito coletivo. Vocês fazem parte da história desta cidade. Vocês constroem diariamente a nossa tradição”, refletiu Luciana.
O vereador Ricardo Ritter – Ica (MDB) relembrou uma de suas últimas visitas ao galpão do DTG no Grêmio Atiradores e citou a participação das crianças nas atividades. “Ver as crianças sentadas na frente de seus pais, preparando-se para acompanhar a apresentação da invernada, justifica todos os recursos investidos no DTG Camboatá”, expressou Ica.
O vereador também atribuiu às entidades tradicionalistas um papel na prevenção do envolvimento de jovens com a criminalidade. “Nunca vemos nas páginas policiais pessoas que tiveram suas origens dentro de um CTG ou de um DTG. Não veremos essa meninada do Camboatá fazendo algo errado. E por isso precisamos reconhecer esse trabalho de vocês. Que possamos comemorar ainda por muitos e muitos anos as atividades do DTG Camboatá, porque tenho convicção de que de lá ainda sairão outros grandes cidadãos”, reforçou Ica.
A presidente do Grêmio Atiradores, Sabrina Wildner, encerrou os discursos citando dedicação, comprometimento, objetivo, respeito, solidariedade, esforço coletivo e pertencimento como elementos relacionados à trajetória do departamento. “Quando vamos a uma de suas apresentações, bailes, jantas ou ensaios, o sorriso e a fisionomia das crianças e dos adolescentes mostram que eles pertencem a esse espaço. Que têm amor por ele. E é assim que o Camboatá acolhe as pessoas, com pertencimento. Nós, do Grêmio Atiradores, não medimos esforços para que o Camboatá siga esse filho bonito que é”, assegurou a dirigente.


